Edificador de Tendas

Creio estar bem a vontade para abordar esse tema, afinal o apóstolo Paulo traiu todos os monges cristãos, lá atrás, deixando escancarada a porta para monges pós modernos fazerem o mesmo.

Minha intuição diz para crer em algo como, Calvino, dentre muitos textos bíblicos, ter se inspirado particularmente nesse: “E, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas”. Atos 18:3

A grande verdade sobre o sustento dos monges está eternamente ligada ao fracasso, à corrupção, à picaretagem e ao supremo ato da traição. Na verdade, posso ir um pouco mais longe, Judas era um monge e traiu seu Mestre. Paradoxalmente, era o homem da bolsa, o tesoureiro da troupe monástica, o responsável pelo sustento do Mosteiro. Sorrateiramente, fazia todo tipo de manobras rasteiras para aumentar os fundos do caixa, chegando ao extremo de considerar-se merecedor de utilizar uns trocados dela, em favor de alguns vícios secretos próprios. Paulo intuiu as intenções de Judas e imaginou ser capaz de fazer o mesmo serviço sem as escorregadelas de Judas. Calvino foi ainda mais intuitivo e concebeu um plano muito mais abrangente, transformando tudo em um dogma. Então tratou de colocar monges e cristãos comuns para trabalhar, nos velhos e bons moldes judaicos e legalistas do Antigo Testamento e sem deixar a peteca cair, no lado e interesse da igreja.

Mas, estes três senhores enganaram-se redondamente se ousaram imaginar ser esse segredinho seu maior pecado. Não, muito longe disso, sua grande traição não foi apenas acrditar que os fins justificavam os meios, afinal, monges e cristãos também necessitam comer, sustentar suas dispendiosas edificações, famílias e todas essas insignificâncias, sem falar nos segredinhos, tipo Judas. A grande traição deles, em verdade, foi não confiar nas palavras desafiadoras do Mestre, sobre fé e aquelas suas insistentes pregações sobre um tal Reindo de Deus. Paulo ainda viveu repetindo a frase do venerável profeta Habacuque: “O justo viverá pela fé”, embora não tenha conseguido cumpri-la ,preferindo resolver as coisas a seu modo.

Meu amigo monge Paulo Brabo é o abade do Monastério de São Brabo, em algum lugar das Índias Ocidentais, na Bacia das Almas. Conforme suas próprias confissões, trai o mestre, deixando seu ofício para ganhar provisão destinada ao caixa fazendo trabalhos humilhantes de ilustrador em empresas servidoras dos interesses do capital. Eu, zelador de uma Gruta menor, em algum ponto junto ao mar morto da Ilha de Vera Cruz, não deixo por menos e traio o Mestre prestando serviços marginais, através de consultorias sobre como as organizações e pessoas podem se sustentar de forma alternativa às orientações de nosso Senhor Jesus Cristo.

Todos nós fazemos isso por não sermos capazes nem de limpar as sandálias de Jesus. No fim, ele precisou resolver tudo por nós, já que não éramos capazes de ajudá-lo, nem mesmo por alguns instantes de orações.

Share this:
Share this page via EmailShare this page via Stumble UponShare this page via Digg thisShare this page via FacebookShare this page via Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.