A Gruta do Lou

Ecos da Teologia da Libertação

012712_1803_EcosdaTeolo1

Quem imaginava que a chamada Teologia da Libertação estava morta e sepultada enganou-se. Quando o assunto envolve alguma seita cristã, sempre há o pós-morte, mais conhecida como ressurreição, para mim, a maior jogada do marketing da Igreja Cristã dos Santos de Todas as Eras.

Ressurreições à parte, andam circulando por aí certas noticias perturbadoras dando conta de que um dos muitos escritores militantes desse póstumo movimento pretende “relançar” um de seus livros, cujo foco era a TL (não sei se ele escreveu mais de um sobre o tema). Chamo ao evento de perturbador não pelo aspecto político ou apologético, para mim, não tinha importância antes e continuará não me incomodando. Cada um acredita no que quiser e ninguém tem nada com isso.

A Teologia da Libertação recebeu muitas críticas do pessoal da direita (gente do atual Papa Hatzinger – Bento XVI –, que à época (anos 60 -70) era só cardeal, se tanto, calvinistas, gente da ortodoxia, mackenzistas, pessoal da Editora Vida Nova, da Mundo Cristão, Betânia e outras editoras onde a primeira língua era o inglês, etc.). Claro que estou me atendo ao que rolou em terras brasilis, se é que houve Teologia da Libertação em outro lugar. Bom, talvez alguns colombianos, bolivianos e argentinos tenham ouvido falar dela, muito embora ela tenha sido trazida dos Estados Unidos, onde ninguém deu a menor bola para essa mula sem cabeça. Sabe como é, todas as porcarias que não florescem por lá, eles mandam para cá ou para a África. A história de Missões está recheada de exemplos a respeito.

Lembro perfeitamente de um de nossos professores, o Richard Sturz, fazendo cruzada pelas salas de aula contra a TL, coitadinha. O cara era incansável, subindo e descendo aquelas cansativas escadas com a bandeira anti teológica, afinal quem era contra essa ou aquela teologia merecia essa designação. O paradoxo era o fato de ele ser professor de teologia, não da libertação, mas da que os teólogos da libertação sugeriam como sendo da escravidão, a mesma que a Editora Vida Nova e congêneres continuam promovendo e abrigando em suas dependências.

Aquele cara nos obrigou a ler carradas de besteiras marxistas, comunistas, esquerdistas e todas essas baboseiras de cor vermelha, de Trotski a Boff. Em breve será de Trotsky a Gondim. Se o cara pretendia liquidar com a TL por ser adepto do capitalismo cristão da livre iniciativa, seu tiro saiu pela culatra, porque acabou fazendo um monte de adeptos a favor dela. Você sabe como é estudante inseguro com autoimagem já negativada por pais, psicólogos e pastores, aceita qualquer bobagem como sendo verdade absoluta. Vir ao Brasil das caatingas, favelas e morros habitados pelos excluídos dizendo que Jesus era amigo deles e por eles morreu, para que eles tivessem vida nos vales da opulência, ao invés dos nojentos cidadãos da classe média e acima dela, era como pregar no deserto a respeito de água potável e farta para todos os sedentos, logo ali no primeiro oásis.

Sabe, o que me incomoda, mais do que toda essa miserabilidade material que estamos carecas de sofrer, para todo lado que olhamos, além do cinturão de riqueza nas imediações das zonas sul e oeste de São Paulo, onde petistas adoram habitar e eu também, é gente que se alia com o diabo só porque ele prega a favor dos pobres e oprimidos materiais, incompetentes voluntários ou involuntários. A leitura marxista da bíblia preconizada pelos teólogos da libertação seja do Genésio (Leonardo Boff), do Gutierres ou do Rubem (Rubem Alves) é tendenciosa. Eles, com toda sutileza que o saber magnânimo que eles conquistaram nos Estados Unidos e na Europa, empregam um ritmo dialético materialista à teologia deles e fazem o “oposto igual” aos teólogos da prosperidade.

Se não me engano, Jesus Cristo bíblico, para quem gosta de inerrância da bíblia, cansou sua beleza tentando explicar que ele viera para os doentes, ou seja, gente leprosa, aleijada, cega, surda e muda e todas as outras atrocidades físicas conhecidas na época e após ela, acrescentando mais uma preocupação, a saúde espiritual de toda a raça humana. Cansou de salientar que se buscássemos o Reino de Deus (leia-se vida espiritual sadia e divinamente inspirada) as outras coisas (que ele identificou claramente como sendo o que comer, vestir e nos proteger da chuva) nos seriam acrescentadas.

Claro que eu respeito esses senhores citados todos. Alias tenho até medo de ouvi-los falar e ser convencido por eles de suas ideias diabólicas e vermelhas. Eles são feras em seus saberes e eu tenho a autoestima de um cãozinho vira-lata abandonado pelas ruas de Sorocaba. Eles não precisariam nem de trinta anos para me convencer. Quanto ao Rubem Alves inclusive, devo-lhe o apetite pela leitura que ele despertou em meu filho com seus livros infantis e altamente educativos. Seguramente o lugar dele era a educação e não a teologia, para quem ele se declara anátema em sua autobiografia. Pena que ele nunca conheceu o Sistema Vocacional de Ensino e a Profª Maria Nilde Mascellani.

Se não gosto de capitalistas neoliberais, selvagens e seus congêneres, não sou obrigado, de outro lado, a me associar ao marxismo liberal, selvagem e burocrático dessa gente feia adepta do quanto pior melhor. A finalidade ultima desses é tão perniciosa quanto a dos primeiros. O pior de tudo é que o Jesus crístico da bíblia dista desses dois lados como o Sol dista da Terra. Salvo engano.

lousign

2 thoughts on “Ecos da Teologia da Libertação

  1. Não gosto da TL!
    Pensa numa criança de família humilde, mas que quando chega na igreja acaba sentindo-se a pior das criaturas… era eu na missa.
    Ter dois pares de sapato e um chinelo parecia algo terrível!
    Não, não gosto da teologia da libertação, e a minha lucidez na infância se deve ao padre zezinho, que ironicamente é mais próximo da TL do que da RCC.

    1. Imagino Deus como um ser capaz de olhar e ver todos como iguais. As diferenças, tais como as posses de cada um, a aparência, o feio e o belo, a saúde ou a doença, etc., não são capazes de chamar-lhe a atenção. Imagino Deus dando as últimas instruções a Jesus antes de mandá-lo a campo: “Vai lá e iguala toda essa gente“.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *