A Gruta do Lou

Duti fa niente pio

 

Anjinho Missão Coração Valente

Por esses dias, declarei em uma rede social que escrevo em meus blogs quando me dá na telha. Essa declaração (como a maioria delas) surgiu de minha indignação em relação a esses caras, contumazes humilhadores de pobres e oprimidos escritores da periferia das letras, onde sou sócio militante e remido. Eles vivem propagando seus troféus e conquistas, entre elas, aquelas declarações horrorosas onde informam em quais veículos de comunicação escrevem diariamente, semanalmente, mensalmente, anualmente, secularmente. Isso me dá uma raiva…

Menos mal se vivo em uma época onde há redes sociais cibernéticas, blogs e magogues como diria meu quase esquecido amigo Paulo Brabo. Esse conseguiu editar alguns livros com seus escritos, menos mal, merece e é bom lembrar que se trata de excelente escritor. Embora essa boa notícia revele parte de minha incompetência, pois nem isso fui capaz de fazer a meu favor. Sei que isso soa negativamente, com cheiro de inveja e egoísmo. Mas escritores de respeito são exatamente assim, ou seja, escrevem e publicam para eles mesmos. Leitores não passam de detalhe em nossas obras.

Comecei a escrever meu primeiro blog no final de 2005 e escrevi assiduamente até o falecimento de meu filho Thomas. Depois disso a inspiração parece ter minguado. Talvez a tenha perdido junto com a vontade de viver, trabalhar, amar e me alegrar, com essa perda dolorosa. No período fértil de minha escrita até produzi um ou outro texto que, quando leio, me pergunto quem o teria escrito por acha-lo razoável, às vezes, até bom. Como bom pessimista, não tenho auto imagem muito boa e nunca me classifico como capaz de fazer qualquer coisa direito. Meu terapeuta diagnosticou isso como a principal causa de minha procrastinação crônica.

Em meu momento atual, celebro o fato de estarmos perto do fim do ano, a melhor desculpa para não fazer nada, no momento. Estou me preparando para começar no ano que vem, mas confesso já estar de olho no próximo carnaval e até na semana santa, uma quaresma depois, como meus próximos bodes expiatórios para meu “duti fa niente”.

Hoje, resolvi escrever alguma coisa, mesmo sendo meio na marra. Como ensinou o Guilhermo Arriaga, sentei e comecei a digitar, sem qualquer rumo prévio. Enquanto escrevia, o Dr. Adib Jatene agonizava no hospital até a morte. Uma perda irreparável para a comunidade do Coração. Fatos como esse me fazem lembrar o padre do filme “O Destino do Posseidon”, pendurado em um registro corta-água e gritando a Deus: “Quantos mais o Senhor ainda pretende levar?” Impressiona, se não fosse mais uma falsa teologia. Ontem, em minha conversa com D. Arlete Batista ela declarou “Para mim, Deus não leva ninguém.” Um colírio para meus olhos, pois partilho da mesma crença. Deus é o Criador, o Deus da vida. Embora insistamos em não acreditar, a morte entrou no mundo por obra humana, ou você acha que a história de Adão e Eva no Genesis significa o que? Por nosso intermédio o pecado entrou no mundo e com ele a morte. Simples assim, só nos resta chorar. Mas não se irrite, você ou eu no lugar deles teríamos feito a mesma coisa. Faz parte do livre arbítrio ou Deus calculou mal nossa fidelidade.

Enquanto choro a morte de meu filho caçula, Deus chora a morte de milhões de filhos perdidos, sem falar no predileto dele, assassinado pelos homens, logicamente. Só que nesse caso, embora eles não desconfiassem, Deus estava abrindo um caminho para todos nós. Há vida após a morte e Jesus Cristo a inaugurou para todos os que vieram depois e antes dele. Por muitas razões, os evangelhos conhecidos não relatam, de forma completa, a morte vicária de Cristo seguida de sua Ascensão. Parece não terem tido a permissão para escrever tudo, os evangelistas. Não me pergunte por que, pois não faço a mínima ideia. Por isso paro a exposição de qualquer evangelho na crucificação e não vou adiante. O que há depois ainda não foi revelado. Fica então a crença na vida eterna, pela fé, embora isso seja uma certeza.

Fazer o que, então? Como atestou D. Arlete, ontem, minha missão é o Coração Valente e a ela (A Missão) devotarei os dias que me restam. Como disse, minha tarefa enfatizará a questão espiritual, além de me dispor a compartilhar a minha experiência com aqueles que estão lutando na senda dos problemas relacionados às enfermidades, começando com as congênitas do coração e estendendo a todas as outras, conforme a direção de Deus. Dicas, terapias, helps, o que precisarem, sobretudo, orientação espiritual. Sou daqueles que acreditam sermos um pouco mais do que simples razão ou como diria Pascal: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.

Não tenho a menor intenção em confrontar os serviços de saúde e seus agentes. Mas pretendo ser um contraponto às vítimas dessas misérias provendo conforto espiritual consistente a elas. Há poucos dias, uma mãe aflita me relatava as palavras de um médico que decretou o fim próximo de sua filha, pois não haveria nada mais a ser feito por ela, segundo sua ótica médica. Isso me arrepia, pois mais uma vez um médico esqueceu que há vida fora da medicina e desprezou o Criador dela, da filha de nossa amiga e da própria vida. Se Deus não leva ninguém, muitas vezes ele alonga nossos dias e, em outras, ele nos liberta, como nos casos em que a morte já é iminente e sobreviver seria um castigo.

Enfim, há todo um universo a desbravar nesse campo e, quem sabe, um novo caminho para muitos posts, textos e artigos. Né?

Ciao “duti fa niente pio”.

morcego-12

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