A Gruta do Lou

Melhor dar do que receber, será?

Centro Hospitalar de Louisville – KY USA – Lou Mello com o Diretor Clínico do Departamento de Cardiopatias Congênitas.

Aviso Importante: Conforme o post anterior esclarece, na próxima terça-feira o Thomas (nosso filho mais novo e portador de uma cardiopatia congênita complexa) passará, graças aos leitores e amigos desse blog, por uma importante consulta (com um dos mais renomados cirurgiões da especialidade e titular do INCOR – São Paulo) onde nova etapa de tratamento deverá ter início. A família não dispõe, no momento, dos recursos necessários para tanto. Você pode participar, se desejar.

Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar DO QUE RECEBER. Atos 20:35

Em minhas andanças por esse mundo de Deus tenho experimentado todo tipo de sensações e situações.

Lembro de um tempo em que visitava várias igrejas, em razão de meu trabalho, e percebia que elas apoiavam financeiramente vários missionários, alguns eram meus conhecidos, inclusive.

Havia os missionários em terras estrangeiras, os envolvidos com as missões nacionais, outros eram pastores itinerantes e, alguns eram apoiados em suas necessidades, especialmente os casos dos doentes. O Ariovaldo Ramos, que conheço pessoalmente, era sustentado por diversos ministérios. Acho que até hoje o pessoal o apóia e fazem bem.

Havia o Enoque, a Valnice, uma outra irmã que vivia em Angola, o Elcio, etc… Cada vez que olhava para esse quadro, honestamente, pensava o quanto não desejaria estar entre eles. Minha preferência era estar entre os doadores. Acho que posso dizer que participei de vários projetos sustentadores, alguns com alcance de milhares. Queria chegar ao céu com esse epitáfio: O Lou foi um grande doador.

Quando participei de uma missão à Albânia (na época, fechada ao evangelho por um regime marxista-leninista ateu), minha igreja levantou ofertas para minha viagem. Precisava um valor considerável.

Além de tudo (passagens, estadias, etc) o governo da época cobrava um pedágio de quem viajava para o exterior chamado Depósito Compulsório, cujo valor era altíssimo. Lembro que, para surpresa do nosso pastor, em uma única passada da sacola, no final do culto de domingo, todo o dinheiro necessário para a minha missão foi arrecadado (muito mais do que era costume arrecadar nas ofertas dos domingos) e, dentro dela, havia uma grande doação e outras pequenas.

Muito tempo depois, conheci o irmão que Deus tocou naquela noite para fazer aquela doação. Não foi uma experiência legal para mim.

Sempre me senti mal com essa situação. Desejava continuar envolvido no ministério, mas queria sustentar-me. Adorava aquela história de Paulo fazendo tendas e sustentando todo mundo, além de si mesmo.

Quando toquei minha empresa de Malotes Internacionais, fiz planos para fazer grandes doações. Fiz algumas, inclusive. Estava do lado dos caras que seguram a corda, para os outros que tem que descer por ela. Era onde queria estar.<

Mas o divino resolveu me contrariar. A velha mania dele. Primeiro foi a experiência de Portas Abertas. Quando o Dale Kietzman disse que eu seria responsável por captar recursos, disse-lhe um taxativo: Negativo! Ele teve que me fazer um desafio para eu aceitar passar pelo treinamento.

De fato, após aquele período de aprendizagem, concordei com a tarefa da mendicância. Depois, como família, nos vimos em situação de necessidades básicas e, finalmente, fomos agraciados com a enfermidade no lar. Tudo isso veio a esmagar meu ego e meu orgulho, coitadinhos.

Faz tempo que o Thomas está apresentando sintomas de que algo não vai bem. Mas vivo sonhando em conseguir ou construir aquele trabalho que me possibilitará dar-lhe uma grande assistência.

Nada menos do que levá-lo para o que há de melhor no mundo. Nos tempos da minha empresa, estive nos Estados Unidos tratando disso em um grande centro hospitalar. Mas as necessidades dele não estão a fim de esperar por mim.

Assim sucumbi, de novo, à tarefa de esmolar, como dizia Albert Schweitzer que até ganhou um prêmio Nobel fazendo isso, só que pelos outros. Para mim, pessoas como o Albert, Madre Tereza e tantos outros nobres catadores de esmolas são monstros espirituais.

Sei quanto custa esmagar o próprio espírito para ser útil ao próximo. Meu amigo Daniel Fresnot, principal sustentador das Casas Taiguara costuma fazer algo que, no princípio me envergonhava muito, ele abrevia as conversas com os doadores dizendo: o papo está bom, mas preciso fazer um depósito urgente na conta da entidade. Quanto o senhor vai doar afinal? Poderia preencher logo o cheque?

Quero lembrar a todos os leitores que continuo coordenando o Projeto Coração Valente (siga o link no topo da página). São mais de mil crianças atingidas pelas cardiopatias congênitas complexas (aquelas em que há risco iminente de morte), só em Sorocaba e região.

Queremos crescer no Brasil e, se possível incluir partes da África. Aí a necessidade deve ser multiplicada por mil, pois a maioria dos atingidos é carente. Só que nossa missão começa em casa. Coisa que nem o Albert Schweitzer experimentou.

De repente comecei a imaginar que as pessoas pudessem começar a envolver-se nessa necessidade do Thomas e, a partir daí, viessem a participar do Projeto Coração Valente de forma definitiva. Desculpem-me, acho que fui mordido pela mesma mosca que mordeu a Madre Tereza.

Olha se você sentir algum constrangimento, fique fora dessa ou dê uma boa ajuda a alguém necessitado aí próximo de você. Faça isso por mim. Tá? Qualquer valor que ultrapassar nossa necessidade específica, será repassado ao projeto, se todos concordarem.

 

7 thoughts on “Melhor dar do que receber, será?

  1. … lou… vc não está esmolando… somos irmãos lembra-se?????…. e se irmãos não se ajudarem , então é melhor nos chamar-mos de primos, vizinhos, colegas, ou sei lá o que … essa é a hora de mostrarmos Cristo em nós !!!
    Vou postar no meu Blog uma convocação para tua causa…. somos um irmão !! se tu chorar, eu chorarei tb , mas se rires, então me rirei ainda mais por me rir por ti !! Deus é Grande !!

  2. Sempre que vocês fala do seu filho, meu coração se aperta.
    Há algo que se pode sentir nas suas palavras: AMOR, muito AMOR
    e
    desespero, palavra essa que vem no tanto que se ama.
    GOD BLESS YOU.
    T.

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