A Gruta do Lou

Dinheiro de Deus

Onde está guardado todo o dinheiro de Deus? Na Bíblia está escrito que Ele é o dono de todo o ouro e toda a prata. Argumento forte para determinar a titularidade de toda a riqueza material do mundo ao criador.

Tenho trabalhado, em diversas situações ao longo de minha trajetória, na Captação de Recursos de entidades (muitas vinculadas à Igreja Cristã). Para essas entidades com viés religioso, as estratégias de causa e efeito estão sempre ligadas às crenças do povo cristão.

O dogma principal, nesse caso, é o chamado “Síndrome de Malaquias”. Ele se baseia, obviamente, em texto existente no Livro de Malaquias, especialmente no versículo 10 do capítulo 3, a saber: “Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja alimento em minha casa. Ponham-me a prova, diz o Senhor dos Exércitos, e vejam se não vou abrir as comportas dos céus e derramar sobre vocês tantas bênçãos que nem terão onde guarda-las.

Infere-se ai, a ideia de uma retaliação caso essa exigência não seja cumprida, ou seja, se não trouxerem todo o dízimo (e muitas versões incluem ofertas) ao depósito do templo, as comportas dos céus ficarão fechadinhas para vocês.

Outro dogma capaz de ajudar muito os captadores é o “Complexo de Judas”, originado na atitude de Judas ao mencionar os pobres a Jesus, por ocasião do desperdício de perfume realizado por aquela mulher esbanjadora (Mt. 26:7), jogando tudo na cabeça de Jesus ao invés de vendê-lo e doar o produto ao pobres (via nossas igrejas e instituições), para horror do “mão de vaca” do Judas (outros discípulos estavam de acordo nisso).

Embora Jesus tenha chamado aquele ato de “Uma boa ação para comigo”, o dogma nascido daí, da conta da obrigatoriedade de doar aos pobres (via nós) as sobras e economias, sob risco da falta delas. Assim, se juntarmos as duas poderosas crenças, em uma mesma cesta (ministração da oferta, mala-direta ou roteiro de telemarketing) enviada ao público, de origem cristã, o retorno (em dim-dim) será inevitável.

Para entidades não ligadas à Igreja, nós descobrimos um jeitinho legal. Na verdade, todo mundo é, em certa medida pagão, não apenas os cristãos ortodoxos e/ou heterodoxos. Ou seja, acreditam em dar uma esmolinha (a boa ação diária) para garantir o seu ou o céu. Aí é só estimular essas sementes dentro dos caras e, pimba, dinheiro no bolso, digo, na conta da entidade.

Acontece um fato relevante na Gruta. Muitas pessoas, a maioria, ou todas, chegam duras (sem dinheiro, endividadas, empipinadas, etc…) e quando perguntadas sobre a origem dos problemas a resposta você já sabe: Síndrome de Malaquias, Complexo de Judas ou as duas coisas.
Mas onde está o dinheiro de Deus?

No depósito do templo, ora. Onde mais?

Capricornio PB

Share this:
Share this page via EmailShare this page via Stumble UponShare this page via Digg thisShare this page via FacebookShare this page via Twitter

2 thoughts on “Dinheiro de Deus

  1. Acho que foi assim.
    Primeiro vieram os profetas, pelo Espírito de Cristo, anunciando a vontade de Deus, depois o próprio Cristo encarnou-se e publicou escancaradamente a vontade de Deus. Daí, depois de um tempo, o paganismo travestiu-se de cristianismo e legitimou-se usando o nome de Jesus, aí cumpriu-se mais uma vez a profecia: “Honram-me com seus lábios, mas o seu coração está longe de mim”. Hoje o cristianismo é mais pagão que os pagãos, porém, sempre há um remanescente (aqueles que não curvam a cerviz a Baal) e, segundo o Roberto Amorim, é com eles que Deus trabalha.
    Espero ser um dos remanescentes. Você eu sei que é.

    Cadê o Brabo, hein, outro remanescente?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.