A Gruta do Lou

Dia dos pais ou dos ex-pais?

ex pai
Dia dos Pais

Esse negócio de Dia dos Pais tem muito pouco se tentarmos encontrar algo positivo nisso. Minha escolha recai nos papeis, primeiro do meu pai e depois em mim, como tal.

Não tem muito mais a dizer sobre meu pai, sobre quem tive oportunidade de escrever algumas vezes por aqui. Não fomos muito amigos e contribui com minha parte para isso. Mas nossa relação Pai – Filho teve bons momentos, sem dúvida. Já era adulto quando ele foi embora para viver com outra mulher e família. Isso não me incomodou muito, mas nos distanciou de vez. Depois disso, nos vimos poucas vezes, até sua partida desse mundo.

Quanto ao pai no qual me tornei, ando um tanto frustrado porque dos meus três filhos, dois (os mais velhos) são adultos e tem suas próprias vidas e pensamentos, como era o meu plano para eles, desde o princípio, e o terceiro (meu mais novo) partiu para sua morada no andar de cima, este ano, como é do conhecimento da maioria dos grutenses e leitores amigos.

Agora, é como se não fosse mais pai. No máximo, sou um amigo meio chato, retrógrado e cheio de ideias ultrapassadas sobre tudo, para meus filhos. Isso os distancia de mim. Não tenho mais estratégias disponíveis para mudar o jogo.

Entendo agora o tamanho da responsabilidade assumida quando decidimos criar nossos filhos para serem independentes, pois eles podem mesmo tornarem-se com tal. Aí bate certo arrependimento. Talvez fosse melhor manter alguma dependência e não nos privar deles em momento algum.

Em nossa casa, amanhã será um domingo como qualquer outro, regado a macarronada e frango a ser saboreado a três, sem direito a alegrias. Nenhum de nós está nesse espírito, no momento. Mas invejo as grandes famílias bem interligadas e suas comemorações pungentes e alegres.

Esse será um dia sobre o qual não gostaria de dizer nada e gastá-lo na cama, sob as cobertas, enquanto as lágrimas de arrependimento descem, entre um cochilo e outro. Muitos por aí, dizem sermos o resultado de nossos escolhas. Como estou em um momento meio descrente, no qual o livre arbítrio parece ser muito mais lógico, tendo a concordar com os imbecis desse fatalismo abilolado.

Daria tudo em meu poder por uma única pérola de fé, agora. Como era bom acreditar na providência, socorro divinos, crer em milagres e orações respondidas. Por que não posso voltar àquele tempo maravilhoso?

Na verdade tornei-me um ex-pai em vida.

Lousign

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