Deus prefere os ateus

Deus prefere os ateus

 

O Marcelo Estraviz postou a foto de uma placa onde está escrito essa frase: Deus prefere os ateus.

O que você acha?

Também não concordo com ela. Pelo menos não no sentido mais técnico, pois não existe fundamento teológico para isso, claro. Fora o paradoxo.

Entretanto, em uma rápida olhada em volta, parece que o Marcelo, digo, a placa dele tem razão. Os ateus parecem estar melhores do que os crédulos em quase todos os quesitos. Em uma sociedade onde só vale o que pode ser visto e provado, nada poderia estar mais certo, Deus prefere os ateus.

As pessoas crédulas tendem mesmo a creditar suas próprias realizações na conta divina. É o tal Graças a Deus. Até os ateus fazem isso, geralmente, “just in case”. Isso nos remete à história de Jó, um cara voltado para Deus como poucos e a vida dele desandou de forma radical. Perdeu tudo e mais um pouco. Pior, aquilo não fazia sentido. Mal sabia ele que Deus estava disputando-o em um jogo, só pra provar ao diabo que havia alguém crédulo a ponto de perder tudo e ainda assim não dizer: “sou ateu” ou “Deus prefere os ateus”.

Em uma comparação pífia e corajosa, sou uma espécie de Jó pós moderno, eu e o Caio Fábio. Dois baitas perdedores, ele mais do que eu claro. Nem esse tipo de comparação eu ganho dele ou de quem quer que seja. Ele perdeu muito mais, pelo menos do ponto de vista dele e de quase todo mundo. Do meu ponto de vista, perdi mais. Minhas perdas começaram junto com minha conversão, mas Deus foi mais ardiloso. Com Jó, que já tinha de tudo, Deus foi só deixando o diabo ir tirando, até o cara ficar na maior tanga da paroquia.

Comigo não, ele aprimorou o jogo, tirava uma coisa e dava outra e eu sentia e depois não sentia mais, sempre com aquela certeza que ele me recompensaria depois. Fora aqueles meus surtos de dar tudo que tinha aos pobres ou nem tão pobres assim. Em outras palavras, também devo ser uma espécie de Jó mais aprimorada, do tipo que o diabo nem precisa fazer muita força, pois eu mesmo saio por aí me sacaneando. Lá se foram amores, casa, carros, computadores, grana, roupas e um monte de badulaques, fora os meios de vida. Perdi empresas, empregos e amigos, pelo menos, na minha ótica. Foi assim até perder um filho, ano passado. Aí a brincadeira perdeu toda a graça.

Taí outra vantagem de ser ateu, gente assim não tem o pré-requisito para ser parte nesse joguinho entre Deus e o diabo. Só os caras bem crentões podem participar, caso contrário o jogo não teria a menor graça para os dois jogadores siderais. E ao sondar o Sodoma e Gomorra-brasil, quem eles encontraram para disputar? Bingo! Caio Fábio e Lou Mello. De minha parte, não tenho qualquer dúvida disso. Quanto ao Caio, isso é lá com ele mesmo. Pelo menos, ele garante que é outro Jó pós moderno e brasileiro. Até prova em contrário, creio nele.

Agora a última é me deixar totalmente esquecido. Acho que o último lance do demo foi: Deus, deixa ele sozinho, sem eira e nem beira e vamos ver se ele não apóstata de ti. O bonito disso, se é que algo bonito nisso, é o quanto o divino confia em mim. Certamente é muito mais do que eu mesmo sou capaz de confiar. Nesse aspecto, ele também parece gostar muito do Caio, bem mais do que de um monte de picaretas que desprezam a ele e a mim. Digo isso pelo tanto que somos obrigados a chorar. Bota lágrimas nisso.

É isso, ou o Estraviz, não meu Deus, a placa que ele postou está certa, mesmo.

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