A Gruta do Lou

De caso com outro sistema

Desde os tempos de ginásio (um curso proscrito pelos sábios da educação atual, em nossa terra) adquiri certa pré disposição contra posturas provincianas. Mas, aos poucos, fui descobrindo haver em todos os povos algo provinciano. Há uma espécie de tendência em querer a minha cidade como a capital do universo. Entretanto, para os forasteiros é comum haver uma impressão negativa quanto a esse ponto. A grande verdade está na diversidade cultural. Talvez, quando saímos de São Paulo em direção à Curitiba, embora encontremos diversidade, ela não será tão contundente se compararmos com uma visita à Calcutá, imagino. Isso ocorre devido a extrema diferença cultural existente entre um indiano e um latino americano, particularmente com um brasileiro. Todo o enfoque existencial de um indiano é absolutamente avesso ao nosso.

Nossa vida brasileira está estruturada em moldes próprios, resultado de uma série de influências e vivências adquiridas ao longo de meros quinhentos e nove anos. Quando freqüentei a escola primária (outro curso abolido pela genialidade educacional brasiliana do momento) me ensinaram um monte de mentiras. Para meus professores, o continente sul americano era terra nova e o Brasil teria iniciado após a expedição mal sucedida de Pedro Álvares Cabral (um navegador português) às índias, devido a uma calmaria desesperadora acabou vindo dar por aqui. Coisas de portugueses, meus ancestrais. Com o passar dos anos, vieram com mais invencionices e mudaram a história toda, agora o Brasil existe há milhares de anos e o Pedrão foi apenas um apêndice em nossa história. Nem sei mais em qual data acender velas pelo aniversário de nosso país mal amado. Assim, de mentira em mentira, fomos construindo nossa história, mais importante ainda, desenvolvemos uma cultura peculiar.

Atualmente, nossa vida está estruturada em um segmento formado por casa escola/emprego. Saímos de casa para escola/emprego e voltamos para casa. Quem não se adapta a esse roteiro é severamente penalizado pelos guardiões da nossa cultura, ou seja, os psicólogos, advogados e assistentes sociais. Alguns indivíduos mais insistentes, ainda vivem um modelo ultrapassado de vida triangular (vide Libertação e Sexualidade de Robinson Cavalcanti), ou seja, saem de casa para a escola/trabalho, de lá para a Igreja e de volta para casa. Mas nossos queridos profissionais das ciências humanas e do direito estão vencendo sua guerra contra a igreja, não sem ajuda dos pastores e padres, uns ávidos por dinheiro e outros por sexo imoral e vice-versa. A Igreja, cada vez menos, faz parte do roteiro de vida dos brasileiros. Com isso, deixa seu papel de importância na formação de nossa cultura e vai sendo substituída, sobretudo, pela psicologia. Ontem, fiquei completamente hipnotizado pelo título de um livro na estante de uma livraria. Era: “Jesus, o maior psicólogo da história”. Se já não bastava esse monte de pastores idiotas se arvorando em psicólogos, em seus púlpitos, enquanto deixam a teologia de lado, agora querem vender essa idéia insana. Jesus só seria psicólogo se renascesse no inferno.

Não sei até quando continuaremos com essa mania freudiana de explicar nosso comportamento através de calúnias sobre nossas emoções e sentimentos. Bobagem, somos só resultado de milhões de manifestações puramente orgânicas. Nossas vidas corpóreas se explicam pela biologia, física e química. Nosso irmão Sócrates se deu conta disso uns quinhentos anos antes de Cristo. De lá para cá, nada mudou. De alguma forma inexplicável e sobrenatural Deus soprou vida em nossos corpinhos. That’s it.

Agora, causa-nos estranheza esse modo de vida oriental, essa tolice capaz de encarar o ser humano como um corpo recheado por uma alma. Minha dúvida aqui é: Estarão eles certos e nós errados? Mas excluir a influência e vida espiritual de nossa cultura serve a propósitos bem definidos. Estabelecer uma nova moralidade capaz de fomentar consumo e trabalho escravo, embora em moldes pós modernos, parece ser a meta. Religião é o ópio do povo. Se os caras acreditarem em providência divina, haverá diminuição de mão de obra e, com isso, diminuirá a mais valia, para horror dos senhores do capital, a quem os profissionais tapados da esquerda humanista servem, paradoxalmente.

Cada vez mais, convenço-me do acerto de viver na Gruta. Para começar, esse foi o modelo de vida de nosso Mestre. Nosso sistema de vida está na contra mão do modo de vida aceito em nossa sociedade, inclusive pela igreja. Nosso irmão mais velho nunca pregou a favor da vagabundagem inteligente ou como chama o Domênico de Masi, do ócio produtivo, mas suspeito haver certa consistência a descobrir nessa rota, afinal não me lembro do mestre angustiado com as minhas angustias, embora não vivesse de casa para o trabalho e vice versa. Claro está, precisaremos descobrir como manter nossas contas pagas, comida na mesa, teto sob a cabeça, o carro e todas essas inutilidades. Uma coisa é certa, se não tivermos as contas para pagar, elas não nos incomodarão.

2 thoughts on “De caso com outro sistema

  1. Nos tempos atuais,até para viver numa gruta pagamos:Eletropaulo,Net,
    Terra,etc etc…
    Mas, o sistema capitalista não é selvagem não!!! A gente é que tem
    mania de grandeza ( será que Freud explica? ).Adoramos pagar um IPTU,
    IPVA,IR,IOF etc. etc.( aliás etc é o que não falta ).Casa, comida…
    não sei pra que essas inutilidades.

    A foto do casal é bem sugestiva.” Pelados,Nus,com a mão no bolso “

  2. Olha aí,pra pensar:Jesus não foi PSICÓLOGO,FILÓSOFO nem TEÓLOGO.Jesus é a chave Hermenêutica da Bíblia.A resposta pras nossas perguntas. Caminhando por aí,descobriremos o Caminho pros nossos questionamentos.

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