Crucificação e morte

aleijadinho_caminho_para_o_calvario

O calvário em nossos dias

Pelo jeito, ninguém percebeu, mas venho preparando o terreno para celebrar o dia de hoje. Falamos da morte e depois o Alysson colaborou com o texto do Campbell, sobre a união da mariposa, transformando-se em chama e essa contribuição não foi combinada. Como alguém disse no blog dele, deve ter sido obra do Espírito Santo.

Olha, se você está em pé, sente, porque direi algo terrível, agora. Para mim, a morte de Jesus Cristo fala muito mais do que sua vida e ministério. Xiii! Seu cuidado, sua preparação, seu empenho todo, no fim, foram direcionados para sua cruz. Um dia, em algum lugar, em algum momento mais espiritual e reflexivo, pensei que todas as propostas de vida plena e feliz idealizadas pelo homem uniram-se em Jesus, há tantos anos atrás. Em outras palavras, viver sem pecado, sem culpas, com pensamentos de bondade e altruísmo, fazendo o bem e condenando o mal, unindo-se aos desvalidos e maltrapilhos, de forma ecologicamente correta, com alimentação correta, exercícios e tudo isso que se propõe por aí, em termos do viver correto e reto, ele abraçou e levou com ele para o calvário. Em outras palavras: andar como ele andou é cruz!

Só depois é que fez sentido, para mim, a tal da ressurreição e suas palavras: Eu venci a morte. O que há para dizer mais? Se eu viver como Ele viveu, caminharei para a morte pronto a vencê-la, pois ela me tragará injustamente e perderá seus poderes sobre mim. De outra forma, ao caminhar inexoravelmente para ela com todas as culpas sobre os ombros é dar-lhe a vitória antecipadamente. Não se iluda, todos nós passaremos pela porteira da morte. Creio que Jesus preparou o terreno para nossa chegada. Além dele, ninguém mais derrotou a morte, mas a morte do Mestre é a nossa vitória. Não comer carne vermelha, fazer exercício e não pecar (inclusive os pecados do papa) só produz resultados nessa vida. Lá na hora em que nos transformarmos em chama, só mesmo a cruz de Cristo fará a diferença.

A menos, claro, que você consiga andar como ele andou. Mas tem que ser 100%. Se eu fosse você, faria uma pequena oração agora: “Senhor obrigado por ter morrido por mim.”

Simples assim, mas salvadora e eternamente redentora.

021114_1613_Enfimarevel2.jpg

Author: Lou

11 thoughts on “Crucificação e morte

  1. O Espírito anda mesmo soprando em direções bem aproximadas:

    Você diz:

    “Para mim, a morte de Jesus Cristo fala muito mais do que sua vida e ministério. Xiii! Seu cuidado, sua preparação, seu empenho todo, no fim, foram direcionados para sua cruz.”

    Campbell, na madrugada de hoje, quando eu tentava reviver os momentos angustiados de Cristo no Getsêmani, me diz:

    “A causa secreta da morte é seu destino. Toda vida tem uma limitação; e ao desafiar o limite, você se aproxima dele. Os heróis são aqueles que iniciam suas ações, não importa qual seja o destino resultante. O que acontece é, portanto, uma função do que a pessoa faz. Isso se aplica a toda a vida. Esta é a revelação da causa secreta: o curso de sua vida é a causa secreta de sua morte (…) Essa idéia de morte como realização é subjacente à idéia da Crucificação de Jesus.”

    No Getsêmani, os lábios trêmulos de Cristo estavam postos no cálice que ele sabia inevitável.

    Abração.

  2. Não falei. Estou começando a gostar do Campbell, pois de Jesus eu já gostava, há tempos. 🙂 Obrigado pelo excelente comentário, principalmente por validar o post. 🙂

  3. Fábio

    Minhas observações são passionais, apenas. Claro que racionalmente está tudo bem com o Paulo. Acho que ele deve ter sido um baita cara. Brilhante teólogo e o arquiteto da igreja cristã. Além do mais, quem sou eu para contestar textos canônicos? Agora, essa abordagem mais emocional, como se eu fosse uma criança (sic) é o meu jeito de pensar e ouso imaginar que seja de boa parte dos leitores. Paulo era meio ranzinza, meio chato, acreditava que poderíamos perder a salvação, típico professor de faculdade teológica. Mas devia estar certo e eu errado. Entretanto, adoro brincar com suas palavras, incomodar seus adeptos, tudo com o maior respeito, claro.
    Como você leu no post, estou 100% a favor da morte. A ressurreição ainda não desceu, mas até o dia fatal eu devo estar pronto para ela, desde que seja com outro corpo, com mais de 1,90 mts, olhos azuis, cabelos fartos, corpinho sarado, etc… Ah! e com menos de 30 anos, óbvio.

  4. Oi Lou,
    Não sei quem escreveu sobre” a morte que perdemos” comparando o pensamento medieval e o moderno sobre os momentos finais da vida. Perdemos sim o ritual de preparação para morte que incluia a despedida dos amigos, conselhos aos novos, pedidos de perdão e entrega da vida para Deus.
    Como já disseram, todos querem o céu mas ninguém quer morrer. Creio que queremos ganhar a vida demais quando o necessário é saber perdê-la,em todos os sentidos.
    Acho incoerente orar por uma senhora de oitenta anos vítima de atropelamento, com várias fraturas e diagnóstico de vida vegetativa quando se descortina um paraíso celestial pela frente. É um sentimento arrogante diante do decreto divino do”certamente morrerás”.
    Um abração

  5. Maurício

    Nosso coordenador do Seminário sobre a morte lá na FTBSP deu um exemplo parecido com o seu, chamado pela família, foi ao hospital por um paciente terminal na UTI, entrou e deu a benção final ao moribundo, para horror dos parentes. Assisti um filme, cujo título não lembro, mas deve ter sido o último estrelado pelo falecido ator Burt Lancaster, onde seu personagem prepara a própria morte, principalmente convencendo seus netos a dar-lhe um funeral vicking, o que eles realizam, efetivamente. Muito interessante. Obrigado pelo sábio comentário .

  6. Lou, peço desculpas pelos comentários atrasados. Realmente gosto muito de visitar seu blog, que está entre os meus favoritos, mas não tenho conseguido acessá-los com a freqüência que eu gostaria. Muitas vezes os textos se acumulam e acabo não tendo o tempo necessário para lê-los e comentá-los dignamente. Espero corrigir isso em breve.
    Sobre a morte, tenho dois desejos: primeiro, que eu fique bem velha a ponto de ansiar por ela e não ter medo de sua chegada; segundo, que ela não me traga sofrimento físico. Até mesmo Cristo se desesperou ante a iminente crueldade que previa o seu fim neste mundo, comigo não seria diferente. Aliás, acho que seria sim. Eu suplicaria que o Todo-Poderoso passasse de mim o cálice, mas jamais conseguiria pronunciar a última frase.
    Abraço!

  7. Ele,Jesus, morria um pouco a cada dia,se dando,curando,andando no meio do povo,ferido,cansado,maltratado,maltapilho,fazendo a vontade do Pai.

    Morreremos com ele um pouco também a cada dia,se tomarmos um pouco que seja de Sua cruz.Mas essa nossa morte,nem de longe se parece com aquela que Ele viveu.Para ela se preparou todo o tempo.Todas as Suas atitudes lembravam o sacrifício iminente.A morte foi tragada pela vitória.Onde está óh morte a tua vitória?

    “Além dele,ninguém mais derrotou a morte, mas a morte do Mestre é a nossa vitória.”Obrigada Senhor,Hallelujah!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *