A Gruta do Lou

Crônica de uma crise gringa

Ashley Judd

Não sei se é pelo fato de estar em uma manhã de segunda-feira, mas meu plano era postar umas linhas sobre hormônios, saúde na meia idade, etc…, dando continuidade a um comentário deixado no blog da Bete. Fiz pesquisas, inclusive, a respeito.

Mas no final da noite de domingo, sentei naquele sofá destroçado, embora relativamente novo, e me deixei assistir o programa preferido do Rubinho “Conection Manhatan”, onde o Mainardi destila seu veneno reacionário todas as semanas, também. Lembrei do texto que o Brabo reproduziu e uma conversa telefônica meio truncada que tive na sexta-feira com o Volney. Claro, todos estão vulneráveis de um jeito ou de outro, se não é via Globo, o míssil entra pelo Conection Manhatan e até by Veja, para quem não vê TV e pensa estar protegido.

Assim, evitei a tentação de escrever um texto muito mais atraente e capaz de impulsionar mais leitores e comentários e escrevi essa porcaria sobre o que não entendo e, ainda, meto-me a fazer ousadas asseverações.

Notei certa discordância entre os participantes, principalmente entre o Ricardo Amorin e o Mainardi. Enquanto o Ricardo afirmava que a atual crise econômica é um fenômeno dos paises do chamado primeiro mundo (acho essa designação extremamente preconceituosa ) o Mainardi se esforçava para convencer a todos que ela é nossa também. Claro está a intenção desse paspalho em jogar areia no governo do atual presidente.

Qualquer um, menos imbecil, deve estar careca de saber que o atual governo pouco fez para a melhora da situação econômica do país. Embora todo mundo faça questão de afirmar o contrário, o FMI insistiu anos a fio para que fossemos mais responsáveis com nossos gastos e ainda botou dinheiro pacas aqui. Aliás, se não fosse a paradoxal presença desse senhor (e seus antecessores) no poder, deveriamos estar bem melhor. A era Bush, tão nefasta para os Estados Unidos, Afeganistão e Iraque, propiciou oportunidades únicas para o desenvolvimento dos chamados países emergentes.

A corretíssima avaliação de que o Obama é um candidato muito melhor em relação ao MacCain, trás consigo a incomoda verdade de que nossa situação econômica irá piorar, com ou sem crise, como foi nos dias do tarado, mas competente, Bill Clinton. Questão relacionada às opções do partido democrata yanquee.

O Stephen Kanitz escreveu em algum lugar que essa crise atual é norte-americana. Quanto a isso não há dúvidas, mas a Europa e o Japão estão bem ferrados também. Quanto ao nosso canto nesse planeta, não fosse a Globo e as outras redes sem qualquer imaginação, estariamos muito bem obrigado. Ocilações nas bolsas (assunto no qual sou completamente ignorante) ocorrem causadas por qualquer ventinho. As notícias catastróficas botam fogo no rabo dos investidores e eles fazem tudo em desacordo com as instruções das melhores cartilhas economicas. Coincidência ou não, estamos vivendo em pleno ano eleitoral na terra do Tio Sam. A crise, além de ser um componente decisivo para o futuro político daquele país imperialista, em franca decadência, elevou a moeda deles (estava em descida desenfreada para o abismo) enquanto todas as outras se desvalorizaram (coisas de países de merda, cujo lastro é a moeda dos gringos). Ainda diminuiu substancialmente o preço do barril de petróleo, coisa chata para as pretenções automobilisicas deles.

E o que isso tem a ver com a Gruta? Sei lá. A rigor, nada. Para os grutenses, com ou sem crise, não faz a menor diferença se o Antonio Ermírio de Moraes perdeu uma graninha dos milhões e milhões de sua riqueza ou se a Sadia e a Aracruz se ferraram tentando ser espertinhas. Muito menos se a GM vai de vez para o buraco, dessa vez. Para nós é aquela velha esperança utópica de Jesus Cristo e suas doutrinas apocalípticas de sucesso e prosperidade que interessa. Dormimos e acordamos torcendo, com todas as nossas forças, para que toda essa panacéia niilista bíblica seja verdade e possamos nos dar bem, ainda. Não dizemos para não ficar mal na fita, mas estamos nos lixando para Obama, MacCain, Bush, Lula, Luís Santos e toda essa corja de políticos profissionais que nós ajudamos a financiar. Eles nunca nos deram nenhum centavo de volta e, se bobear, descobriremos serem eles os responsáveis por nossa atual situação grutal. Queremos mais é que eles se explodam.

Deus deve aparecer qualquer dia desses. Basta haver algum silênciozinho, pois o Barba detesta ruídos, sejam eles quais forem, trovões ou o Diante do Trono. Aí vamos ver quem manda nessa porcaria.

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4 thoughts on “Crônica de uma crise gringa

  1. Nego, veementemente, a falácia de que “Manhatan Connection” seja meu programa favorito, e que Mainardi seja meu ídolo.
    Afirmo, peremptoriamente, que “Two and a Half Men” é meu programa favorito e Gregory House, meu ídolo.
    Tenho dito!!!

    Ué? Não foi você quem me disse não perder o Manhatan nem por decreto e que o Mainardi é o seu guru? Nossa fiquei pasmo agora. Se não foi você quem foi então? O Brabo? Volney? Roger?

  2. Ai Lou, é verdade, estão todos carecas, mas não é de saber não, é de arrancar cabelos quando em desespero.
    beijos muitos,
    L.

    Então Lu, quem está vivo sempre aparece. Muito legal. Beijos para você também. Venha mais.

  3. Ai, que de programas assim por aqui está cheio. A economia está num momento de crise, mas vai passar. Só nao vai passar para nós que a crise sempre foi gritante…Sempre pagamos e pouco recebemos. Queria que alguém olhasse para o déficit tb;(

    Mas estou vindo aqui para te convidar para mais uma blogagem. Sei que vc teria muito para escrever sobre o assunto…

    Passa lá na Saia.

    Abracos

    Ah, Legal! Tomara que seja algo relacionado à adoção. Estou louco para dizer algumas bobagens sobre esse tema. 🙂

  4. é isso ai Rubinho, o House é mesmo admirável!
    🙂
    🙂
    beijos,
    alê

    Gosto do personagem House e o ator é muito bom. Mas as mulheres tendem a não gostar dele e você surpreende nesse aspecto.

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