A Gruta do Lou

Coxinha de mortadela

Coxinha recheada de mortadela

Lá pelos fins dos anos oitenta, início dos noventa, dava aulas em alguns seminários. Se bem me lembro, cheguei a lecionar em quatro deles. Hoje em dia, só há escolas de teologia, com raras exceções e não conheço nenhuma.

Meu estilo de dar aulas foi muito influenciado por uma professora norte-americana, a Dra. Louise Macknney. Ela era professora lá pros lados de Wheaton Illinóis. Mas meu contato com ela aconteceu na Faculdade Teológica Batista, mesmo. Ela foi professora lá, mas estive aprendendo com ela quando veio para dar um curso de duas semanas, para professores de missões. Ela era meio liberal e nos ensinou coisas do tipo: Em uma sala de aulas, a pessoa mais importante é o professor, ou a opinião do professor não importa, importante é ouvir a opinião dos alunos e vai por aí.

Além do mais, cursei o ginásio lá no Ginásio E. Vocacional Oswaldo Aranha, tido e avido como uma escola de esquerda, afinal aprendemos pelo livre pensar, estudo do meio, estudos em equipes, participação, etc.

Esse estilo grudou na minha alma e não saiu nunca mais. Infelizmente, essa foi a minha ruina. Dos quatro seminários, não sobrou nenhum para eu dar aulas e, confesso, gostava de trabalhar naquilo, pouco importava se recebia algo por isso ou quanto me pagavam. O importante era aquele convívio, levar os alunos através do livre pensar, usando coisas do construtivismo, etc.

Dessas quatro escolas, três não sobreviveram à bomba H, digo, ao início do novo milênio. Mas um deles se renovou, justamente o único cujo zelo os levou a me despedir. Isso mesmo, rua, out, cai fora, tá despedido seu “mortadela” sem vergonha (embora não tenham me dito isso, deviam estar pensando, com toda certeza.

Interessante é ver a propaganda deles nas mídias da hora, deixando claro a opção deles por teologias mais liberais e, provavelmente, por pedagogias mais “moderninhas”.

Isso me fez pensar algo meio cômico. Pô, eles me chutaram justamente por meu estilo mais liberal, o que presume as tendências de direita deles à época. Sei não, se fosse hoje, seria despedido, também, por lá, justamente por continuar do mesmo jeito. Melhor, agora não devo parecer tão liberal como me viram lá atrás. Talvez me achariam muito parecido com um militante da direita, amigo dos milicos, etc.

Algumas semanas atrás, me humilhei de novo. Deve ser meu lado masoquista ou algo assim. Você não acreditará, mas aconteceu, acabei participando de uma escolha para trabalhar em uma ONG adepta da nova teologia (embora seja só a Teologia da Libertação com nova fantasia), embora eu não tivesse percebido antes. Dessa vez, Deus me poupou (ou foi meu aspecto de sessentão, sei lá) e não fui escolhido, embora corria o risco de ser o mais capacitado para o trem. Se me escolhessem, já seria um natimorto outro vez, se não me engano.

Sei não, eles (o pessoal daquela escola troca-bandeira) deveriam me pedir desculpas ou me fazer um desagravo, ao menos. Entretanto, caso essa ideia os incomodasse, com toda certeza diriam: ele não merece, é só um “coxinha” desgraçado.

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