sugestões de leituras

 

Uma sugestão meio cristã

Começo replicando 40 livros da Lista construída pelo Ricardo Q. Gouvea e publicada na Revista Ultimato contendo a maioria dos principais livros que me assombraram (para o bem ou para mal) durante meu viver cristão até aqui, originários das editoras evangélicas. Creio conhecer todos por leitura ou até por estudos nos seminários que lecionei, estudei ou visitei. Alguns eu não teria incluído por não ter gostado e outros que incluiria e não fazem parte dessa lista, devem aparecer nas seguintes, mas admito que muitos dos imbecis com os quais andei, de um jeito ou de outro, gostaram dessas obras paradoxais. O Ricardo, mais generoso que eu, inclui os que não gosta e depois mete o pau, que é um jeito mais democrático de fazer, se não me engano.

Depois dela, sigo com outros tantos que vou acrescentando na medida do possível, cuja maioria esmagadora não foi editada pelas livrarias mais aceitas pelo clero evangélico o que para mim, não faz a mínima diferença. Acalento o sonho de que A Gruta…, de  minha autoria, seja editado por uma dessas e não daquelas. Pena que as senhoras que me encomendaram esse trabalho não andem mais por aqui devido às discordâncias comuns em todos os relacionamentos ou a alguma mancada que dei consciente ou inconscientemente com elas. Como não sou de guardar de rancores menores, achei melhor manter o serviço.

image1. Mananciais no Deserto — Lettie Cowman [Betânia]
Não há outro livro mais amado pelos evangélicos brasileiros. Este campeão de vendagem é um livro de leituras devocionais diárias que conquistou nosso país. O livro é, de fato, bom, mas desconfio que a tradução deu uma mãozinha.

image2. “Uma Igreja com Propósitos” — Rick Warren [Vida]
O maior “best-seller” evangélico de todos os tempos é uma catástrofe literária. É ainda difícil calcular o dano que esta obra equivocada causou e ainda irá causar, com sua filosofia de ministério inteiramente vendida ao “Zeitgeist”, propondo a homogeneização das igrejas e um pragmatismo de dar medo.
image3. “A Quarta Dimensão” — David Paul Yonggi Cho [Vida]
Este livro fez mais pelo movimento pentecostal no Brasil do que qualquer televangelista. O testemunho bem escrito do pastor coreano que vive cercado de milagres causou “frisson” até mesmo nos grupos mais conservadores. Seu modo de ver a vida com Deus e o ministério marcaram as últimas décadas.
image4. “A Agonia do Grande Planeta Terra” — Hall Lindsay [Mundo Cristão]
Calcado no pré-milenismo dispensacionalista de Scofield, este “best-seller” apocalíptico empolgou os profetas do fim do mundo no Brasil, com sua interpretação literalista imprudente e seu patriotismo norte-americano acrítico. Lindsay foi o arauto de três décadas das mais absurdas especulações escatológicas em nossas igrejas.
image5. “O Ato Conjugal” — Tim e Beverly La Haye [Betânia]
Sexo é um assunto importante, e o povo ansiava por uma orientação em face da revolução sexual dos anos 60. Daí o sucesso de um livro bem escrito como este, didático e conservador, ao gosto da moral evangélica, mas sem ser inteiramente obtuso. Mesmo assim, muitos o chamaram de pornográfico. Nada mais injusto.
image6. “Este Mundo Tenebroso” — Frank Peretti [Vida]
A ficção convence mais rápido. Revoluções acontecem inspiradas por romances, e não por tratados filosóficos. Peretti, com seu horror cristão, nos ensinou o significado da batalha espiritual nos anos 80, reencantou o submundo evangélico, inspirou pregadores e, o que não é nada ruim, motivou muitos adolescentes a ler obras de ficção bem melhores.
image7. “A Morte da Razão” — Francis Schaeffer [ABU]
A intelectualidade evangélica adotou este livro como alicerce nos anos 70, para enfrentar o existencialismo, o movimento “hippie”, o marxismo e a contracultura em geral. O livro convencia que o cristianismo não era incompatível com o estudo e a reflexão. É um pena que Schaeffer estivesse tão equivocado em suas idéias centrais.
image8. “Celebração da Disciplina” — Richard J. Foster [Vida]
Este clássico da espiritualidade cristã, escrito por um quacre, fez um tremendo sucesso no Brasil a partir dos anos 80. É excelente, mas será que todos que o compraram de fato o leram? Gostaria de perceber uma maior influência das idéias de Foster em nosso povo, mais oração, silêncio, calma, estudo, empenho, enfim, disciplina espiritual.
image9. “De Dentro para Fora” — Larry Crabb [Betânia]
Os livros devocionais evangélicos de viés psicológico ou de auto-ajuda são os títulos que mais vendem. Dentre eles, alguns se destacam não só por serem campeões de vendagem, mas porque são os melhores do gênero. Crabb é o melhor autor do gênero e este é seu melhor livro, que impactou o nosso povo nos anos 90.
image10. “Louvor que Liberta” — Merlin R. Carothers [Betânia]
Este pequeno e poderoso manifesto em forma de testemunho revolucionou, nos anos 70, o louvor e a adoração no Brasil. O bom capelão ensinou a todos nós a espiritualidade da adoração, o poder do louvor, impulsionando as guerras litúrgicas que marcariam a vida de nossas comunidades a partir de então.
image11. “Vivendo sem Máscaras” — Charles Swindoll [Betânia]
Outro “best-seller” devocional dos anos 90, de viés psicológico e de auto-ajuda, com o vigor característico das obras de Swindoll, escritas a partir de suas pregações. Muitos se sentiram não apenas edificados, mas tocados e transformados.
image12. “A Cruz e o Punhal” — David Wilkerson [Betânia]
Outro opúsculo dos anos 70 que, na forma de um testemunho pessoal, inspirou os jovens evangélicos a uma fé mais comprometida. Curiosamente, não levou as igrejas a um investimento em missões urbanas, idéia que permeia todo o livro. Talvez o Brasil evangélico dos anos 70 não estivesse pronto para missões urbanas.
image13. “Crer é Também Pensar” — John Stott [ABU]
Stott é um ícone no Brasil, um nome respeitado pela sua erudição e sua notável produção literária, apesar de estar invariavelmente sob suspeita de heresia pelos mais neuróticos. O fato é que a qualidade de seus livros varia. Seu excelente “Ouça o Espírito, Ouça o Mundo” merece mais atenção. Já o opúsculo selecionado, tão conhecido desde os anos 70, não tem muito a dizer além do título.
image14. “O Senhor do Impossível” — Lloyd John Ogilvie [Vida]
Outro devocional que emplacou no Brasil nos anos 80, não sem méritos. É o maior sucesso do autor, ainda que inferior a “Quando Deus Pensou em Você”, que o antecedeu. O livro estimula a fé e nos faz mais esperançosos, apesar da teologia rasa.
image15. “A Família do Cristão” — Larry Christenson [Betânia]
Antes de Dobson e tantos outros, Christenson já era “best-seller” nos anos 70. Pioneiro entre os que se pretendem auxiliares da vida familiar cristã, ele foi estudado nos lares por grupos e células, em escolas dominicais etc. Sua eficácia é comprovada.
image16. “O Jesus que Eu Nunca Conheci” — Philip Yancey [Vida]
Os anos 90 assistiram ao aparecimento de um dos mais argutos e estimulantes autores evangélicos de todos os tempos: o audaz Yancey, que começou a apontar para o paradigma emergente em livros como “Alma Sobrevivente”, “Descobrindo Deus nos Lugares mais Inesperados”, “Maravilhosa Graça”, “Rumores de Outro Mundo”, “Decepcionado com Deus” e tantos outros livros excelentes. E o mais conhecido e lido parece ser mesmo “O Jesus que Eu Nunca Conheci”.
image17. “O Discípulo” — Juan Carlos Ortiz [Betânia]
Poucos livros foram tão impactantes nos anos 70 quanto esta obra que, excepcionalmente, não vinha do mundo anglo-saxão, mas da Argentina. Por isso mesmo, Ortiz tinha uma outra linguagem, um discurso que convencia os jovens brasileiros da seriedade e do valor de se tornar mais do que um mero freqüentador de igrejas, um genuíno discípulo de Cristo.
image18. “Bom Dia, Espírito Santo” — Benny Hinn [Bompastor]
O neopentecostalismo brasileiro é, em grande parte, de inspiração norte-americana. Talvez o nome mais importante nesse processo seja o do “showman” evangélico Benny Hinn, que desde os anos 90 assombra os norte-americanos pela televisão com seus feitos espetaculares. Mesmo quem não o leu conhece sua influência no Brasil.
image19. “O Refúgio Secreto” — Corrie Ten Boom [Betânia]
O testemunho desta nobre senhora holandesa encantou também o Brasil, onde seu livro foi um grande sucesso nos anos 70. Suas aventuras durante a Segunda Guerra Mundial, sob o pano de fundo de sua educação em um lar cristão, são comoventes e inspiradoras.
image20. “A Autoridade do Crente” — Kenneth Hagin [Infinita]
Hagin foi um divisor de águas no mundo evangélico, pois desde sua influência os crentes “tomam posse”, “determinam”, “amarram” e “exigem”. Uma nova forma de falar se fez presente, o que gerou muitas novas piadas também.
image21. “Entendes o que Lês?” — Fee e Stuart [Vida Nova]
Que bom que um livro sério como este foi tão lido e estudado no Brasil. Trata-se de um compêndio de hermenêutica bíblica sem complicações, em linguagem acessível, adotado por quase todos os seminários e estudado até mesmo nas EBD’s e pequenos grupos. Este livro fez muito pela educação bíblica dos evangélicos brasileiros.
image22. “Culpa e Graça” — Paul Tournier [ABU]
Não há, com raras exceções, psicólogo cristão que não considere este livro um fundamento e um marco do pensamento cristão. Mas ele não se limita a isso, tendo tido considerável influência na teologia evangélica brasileira nos anos 90, preparando nosso povo para o paradigma emergente do século 21.
image23. “Novos Líderes para Uma Nova Realidade” — Caio Fábio D’Araújo Filho [Vinde]
Este opúsculo foi, se não o mais lido, certamente o mais importante dos numerosos livrinhos do pastor Caio Fábio, fenômeno de popularidade no Brasil nos anos 80 e 90, pastor midiático, influente, contundente, imitado, adorado e odiado. Caio nos ensinou a ver as coisas de outro jeito, e seu legado não vai desaparecer.
image24. “Vida Cristã Normal” (ou “Equilibrada”, na reedição) — Watchman Nee [Editora dos Clássicos]
O controverso evangelista e autor chinês Nee teve muita influência nos anos 70 e 80, com sua visão mística do que significa ser um cristão evangélico conservador. Este livro foi seu maior sucesso, um comentário de Romanos, ainda que seu livro mais objetivo e claro seja “A Liberação do Espírito”.
image25. “É Proibido” — Ricardo Gondim [Mundo Cristão]
Gondim é um dos melhores e mais polêmicos autores evangélicos contemporâneos. Seus livros, como Eu Creio, Mas Tenho Dúvidas, O que os Evangélicos (Não) Falam, Orgulho de Ser Evangélico, são sempre interessantes. Nenhum, porém, foi tão influente e marcante como “É Proibido”, um verdadeiro libelo anti-legalista.

26. “Conselheiro Capaz” — Jay Adams [Fiel]
Adams era uma pessoa muito simpática. Sua escola de aconselhamento cristão é muito antipática. Diferentemente de Crabb, por exemplo, problemas emocionais têm origem fisiológica ou pecaminosa. Por isso, é preciso confrontar as pessoas e insistir na mudança do seu comportamento. Foi um sucesso nos anos 80. Haja behaviorismo!

27. “Quebrando Paradigmas” — Ed René Kivitz [Abba Press]
Este livro foi decisivo para que os evangélicos brasileiros começassem a enxergar a outra margem do rio, a margem pós-evangélica do paradigma emergente. Kivitz é um autor surpreendente e notável, de mente dinâmica e arejada, que propõe importantes rupturas e renovações, como em seu outro livro “Outra Espiritualidade”.
image 28. “O Amor Tem Que Ser Firme” — James Dobson [Mundo Cristão]
O conhecido “Dr. Dobson” é pensador e autor de grandes qualidades e grandes defeitos. Seus livros, como “Educando Crianças Geniosas”, ajudam famílias e promovem uma espécie de teologia aplicada que merece atenção. Há, porém, muito que não se deveria levar a sério, já que vai contra o que há de mais consagrado na psicologia moderna.
image 29. “Supercrentes” — Paulo Romeiro [Mundo Cristão]
O autor de “A Crise Evangélica” tem talento e tem algo a dizer. Seus textos, especialmente o famosos “Supercrentes”, têm apontado para os exageros e enganos de muitas posturas comuns no meio evangélico contemporâneo.

30. “Cristianismo e Política” — Robinson Cavalcanti [Ultimato]
Trata-se de um clássico. Este livro está nas origens de toda reflexão política evangélica. Robinson é importante por outras questões, como seus livros sobre sexualidade (“Uma Bênção Chamada Sexo”, “Sexualidade e Libertação”), mas sua contribuição permanente é o estímulo que deu à reflexão política evangélica.
image 31. “O Evangelho Maltrapilho” — Brennan Manning [Mundo Cristão]
Não há outro autor mais importante no meio evangélico nos últimos dez anos do que Brennan Manning. Seus livros devocionais, como “O Impostor que Vive em Mim”, “A Assinatura de Jesus”, “O Obstinado Amor de Deus”, estão transformando radicalmente a maneira como os evangélicos entendem a vida cristã. Eu fico muito grato.
image 32. “O Pastor Desnecessário” — Eugene Peterson [Mundo Cristão]
Peterson é muito estimado no meio evangélico brasileiro e um dos autores mais bem avaliados dos últimos tempos. Responsável por projetos como “The Message” (excelente paráfrase bíblica), tem nos galardoado com obras como “Corra com os Cavalos”, “A Oração que Deus Ouve”, “A Vocação Espiritual do Pastor”, “Transpondo Muralhas”, entre outros. Selecionei o que talvez seja o mais importante.
image 33. “Poder Através da Oração” — E. M. Bounds [Batista Regular]
Nos anos 70, quando não havia ainda bons livros sobre oração, como o de Richard Foster ou o de Eugene Peterson, os livros de Bounds sobre oração circulavam de mão em mão, trazendo avivamento às igrejas. Hoje Bounds está quase esquecido. Quase.
image34. “Cristo é o Senhor” — Dionísio Pape [ABU]
No fim dos anos 60 e começo dos anos 70, o nome de Pape se destacava pela espiritualidade, profundidade e sucesso ministerial. Seu opúsculo “Cristo é o Senhor” levou muitos à consagração e ao ministério.
image 35. “O Caminho do Coração” — Ricardo Barbosa [Encontro]
Barbosa (junto com Osmar Ludovico, James Houston e outros) é responsável pelo retorno ao interesse pela mística cristã em nosso país. Seus livros nos ensinam uma outra atitude não somente em relação à vida, mas também em relação à teologia. Uma atitude contemplativa.
image 36. “O Novo Testamento Interpretado” — R. N. Champlin [Hagnos]
Não privilegiei obras teológicas e comentários bíblicos nesta lista porque tais livros, em geral, não vendem bem e sua influência é pequena. Uma exceção precisava ser feita em relação ao favorito das bibliotecas. O empenho exaustivo de Champlin precisava ser lembrado, pois ainda vende bem e é o comentário primordial dos evangélicos.

37. “Icabode” — Rubem Martins Amorese [Ultimato]
Este livro pode não ter sido tão lido quanto é citado, mas definiu um novo tipo de reflexão cristã no Brasil, que propõe diálogo com a cultura em outro nível que não o da evangelização, e sim o da discussão de valores e princípios que podem levar nossa sociedade para um patamar melhor ou pior. É uma boa influência.
image 38. A Bíblia e o Futuro — Anthony Hoekema [Cultura Cristã]
Este estudo do Apocalipse cresceu em importância no Brasil em uma época em que quase não havia obra que fizesse uma defesa do amilenismo, apesar dos pouco conhecidos esforços de Harald Schally. O livro provocou conversões em massa a partir dos anos 80, e a escatologia nunca mais foi a mesma no Brasil.
image 39. Cristianismo Puro e Simples — C. S. Lewis [Martins Fontes]
Também conhecido como “Mero Cristianismo”, a busca de Lewis pelo denominador comum da fé cristã impacta brasileiros desde os anos 70. Seleciono o livro simbolicamente, já que Lewis não poderia ficar de fora, seja por causa de “Os Quatro Amores”, “Milagres”, “Cartas do Inferno” ou “As Crônicas de Nárnia”.
image 40. “A Mensagem Secreta de Jesus” — Brian D. McLaren [Thomas Nelson]
Em 2007 o leitor evangélico brasileiro foi surpreendido por este livro do mesmo autor de “Uma Ortodoxia Generosa”. Fiquei admirado ao ver como todos passaram a conhecer e a comentar a obra de McLaren, que representa melhor do que ninguém o paradigma teológico evangélico emergente. Não dá pra não ler.

Ricardo Quadros Gouvêa é ministro presbiteriano e professor de teologia e de filosofia

Os 12 livros de 2013 que os cristãos devem ler

O final do ano é tempo de retrospectivas. O que de melhor foi publicado no Brasil em 2013 sobre a fé cristã? São doze os meses do ano, e são doze as indicações. Incluí nesta lista somente livros publicados no Brasil este ano, de autores brasileiros ou traduções. Esses são os livros que considero serem as principais contribuições para o avanço da reflexão cristã no Brasil, para o estudo bíblico e teológico e para uma percepção mais acurada do significa ser um discípulo de Jesus Cristo.

Esta seleção visa municiar o pensador cristão com as obras mais bem escritas, mais interessantes, ricas, controversas e, logo, indispensáveis. Estes são os doze incontornáveis, um para cada mês. O leitor destas obras não ficará ileso: poderá discordar das ideias, se sentir ofendido, impactado, fora da sua zona de conforto, estimulado, empolgado, horrorizado, mas não ficará indiferente a eles. São livros que nos fazem pensar, refletir sobre nossas convicções, para alterá-las ou confirmá-las. Só há uma coisa que ninguém deve fazer: ignorá-los.

Evidentemente, esta lista (como qualquer outra) é pessoal, e o leitor poderá discordar ou concordar à vontade. A amizade continuará a mesma. Espero poder ter contribuído para a reflexão cristã inteligente e equilibrada, e poder ter estimulado a muitos para se tornar um teólogo contemporâneo autodidata. Listei as doze obras de 2013 selecionadas na ordem de relevância. Aproveito para lhes desejar um ótimo 2014, com muitas e boas leituras.

1. A Ressurreição do Filho de Deus.
N.T. Wright. Editora Paulus.

Possivelmente o melhor lançamento do ano, este livro de postura moderada nos estudos acadêmicos acerca de Jesus foi escrita por um homem de fé que é também um dos mais inteligentes e admirados biblistas contemporâneos. O anglicano Nicholas Thomas Wright (1948-) é o autor de “Paulo: Novas Perspectivas” (Loyola, 2009), e do excelente Simplesmente Cristão (Ultimato, 2008). Wright é constante na qualidade e profundidade de seus escritos. Já publicou mais de vinte livros de qualidade incontestável, que o tornam um dos maiores teólogos de nosso tempo. Ao mesmo tempo erudito e piedoso, Wright é um modelo para todo escritor e pensador cristão.

2. Jesus em Nova Perspectiva: O Que os Estudos sobre o Jesus Histórico Deixaram para Trás. James D. G. Dunn. Editora Paulus.

Menos específico que o anterior, porém mais didático e mais provocador, esta obra é excelente para quem quer se inteirar dos mais recentes avanços nos estudos sobre Jesus. James Dunn (1939-), talvez o maior biblista vivo, autor do essencial “Unidade e Diversidade no Novo Testamento” (Academia Cristã, 2009) e também do excelente “A Nova Perspectiva em Paulo” (Paulus, 2011), exemplifica muito bem neste novo título aquilo que chamo de “leitura dupla”, ao mesmo tempo atenta e generosa, buscando aprender, e por outro lado, crítica e desconfiada. Assim Dunn analisa os estudos de Jesus, e é assim que devemos abordar qualquer obra ou tradição teórico-conceitual, inclusive as tradições teológicas.

3. Pós-Escritos às Migalhas Filosóficas. Volume 1. Soren Kierkegaard. Editora Vozes.

Finalmente é publicada no Brasil a obra-prima de Søren Kierkegaard (1813-1855), “Afsluttende Uvidenskabelig Efterskrift” (1846), em uma tradução caprichada de Álvaro Luís Montenegro Valls, um dos maiores intelectuais brasileiros contemporâneos, professor da Unisinos, RS. Foi uma boa maneira de celebrar os 200 anos de seu nascimento. Kierkegaard não é apenas mais um pensador cristão entre outros. Ele é um dos cinco mais importantes pensadores cristãos da história, e é possível propor, sem corar, que é o maior autor de todos os tempos. Não se trata de um livro de meditações bíblicas, como “As Obras do Amor” (1847; Vozes, 2007), mas antes um texto filosófico que discute, entre outras coisas, os fundamentos metateóricos da fé, as categorias da subjetividade, da interioridade, da existencialidade e do ético-religioso, e sua importância para a vida cristã. Este livro, que se propõe como uma espécie de continuação do essencial “Migalhas Filosóficas” (1844; Vozes, 2008), é um texto difícil, mas que vale muito a pena. Sugiro fazer antes a leitura de “Migalhas Filosóficas”, um livro bem menor em volume aliás, com cerca de 150 páginas, quando comparado ao “Pós-Escritos”, com quase 700 páginas, das quais a metade estão disponíveis neste primeiro volume da tradução.

4. As Divinas Gerações. Paulo Brabo. Fonte Editorial.

Este é o mais importante lançamento de 2013 de um autor brasileiro. Paulo Brabo é provavelmente o mais brilhante e controverso teólogo brasileiro hoje. Sua obra anterior, “Bacia das Almas” (Mundo Cristão, 2009), vendeu aos milhares, surpreendeu e chacoalhou a reflexão evangélica brasileira. Brabo, em seu novo livro, muito melhor, reflete com propriedade sobre os rudimentos da condição cristã, sobre a necessidade de retornar à religião de Jesus, soterrada no cristianismo por toda sorte de sistemas teórico-conceituais insatisfatórios. O que mais surpreende no livro é a beleza da expressividade, a estética acurada, a ironia divertida deste que é um grande mestre da palavra escrita.

5. A Espiritualidade, o Evangelho e a Igreja. Ricardo Barbosa de Sousa. Editora Ultimato.

São raros os livros que nos trazem de volta ao essencial, tratando do tema da espiritualidade cristã de uma forma compreensível e aplicável à vida cotidiana. O novo livro do presbiteriano Ricardo Barbosa é assim. Já conhecíamos os excelentes “O Caminho do Coração: Ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade” (Encontrão, 1996) e também “Janelas para a Vida: A Espiritualidade do Cotidiano” (Encontro da Luz, 2002). Este é superior, mas dá continuidade à obra de um dos mais importantes pastores e místicos brasileiros contemporâneos, um autor que consegue congeminar, como poucos, o texto teórico e erudito com o texto prático e devocional.

6. Uma História Cultural de Israel. Júlio Paulo Tavares Zabatiero. Editora Paulus.

Os estudos do Antigo Testamento estão aqui representados pela obra ao mesmo tempo inovadora e didática de Júlio Zabatiero, possivelmente o mais importante biblista brasileiro hoje, que desde os anos 80 nos tem brindado com artigos e títulos de reflexão bíblica profunda e atual, entre os quais destacamos “Miqueias: Voz dos Sem-Terra” (Loyola, 2010). Recentemente veio à luz o excelente “Para uma Teologia Pública” (Fonte, 2012), uma das melhores introduções à mais relevante reflexão teológica da atualidade, que busca apresentar o papel da teologia na esfera pública, em prol da cidadania e da dignidade humana, nas questões sociais, políticas e econômicas. Em seu novo livro, Zabatiero expõe os processos de construção e transformação da identidade cultural do antigo Israel e expõe as principais controvérsias contemporâneas sobre o assunto. É obra indispensável para quem curte o Antigo Testamento.

7. A Grande Onda Vai Te Pegar: Espetáculo e Ciberespaço na Bola de Neve Church. Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão Filho. Fonte Editorial.

Este tratado sociológico imparcial e equilibrado nos apresenta um retrato de um dos maiores sucessos de mercado do mundo eclesiástico brasileiro, descrevendo suas estratégias de marketing, e traçando um perfil acurado de seus líderes e seus consumidores e frequentadores. O jovem Eduardo Maranhão já desponta como um dos mais brilhantes sociólogos da religião do Brasil. Especialista nas questões da sociedade da informação e do ciberespaço, também nos presenteou este ano com a organização da obra coletiva “Religiões e Religiosidade no Ciberespaço” (Fonte, 2013), quase tão relevante quanto seu próprio estudo, mais aprofundado, de uma das instituições religiosas que mais se aproveita das novas tecnologias para obter adeptos. A obra é importante para quem quer discutir o problema dos caminhos evangélicos eclesiais contemporâneos.

8. 25 livros que Todo Cristão Deveria Ler. Richard Foster & Dallas Willard. Editora Ultimato.

Pode parecer entranho incluirmos um texto de lista de livros em outra lista de livros. O fato é que aprecio o gênero, e que listas comentadas de livros são muito úteis, principalmente quando magistralmente executadas, como é o caso aqui. O teólogo e místico quaker Richard Foster (1945-) e o recém-falecido filósofo cristão Dallas Willard (1935-2013) são dois dos mais inteligentes e agradáveis autores cristãos norte-americanos do últimos tempos, e nesta obra, com sua seleção das 25 obras imperdíveis para cristãos em toda a história, nos ilustram acerca da riqueza, variedade e profundidade da história da literatura cristã, começando com Agostinho e Dante, passando por Pascal e Bunyan, e terminando com Dostoievski, Chesterton, Nowen e Thomas Merton. O livro é uma aula de história da literatura cristã como raras vezes encontrei. Os comentários são agradáveis e pertinentes, e os livros selecionados estão mesmo entre os mais importantes da história para pensadores cristãos, e o livro nos estimula a buscá-los, o que é excelente.

9. Entre a Cruz e o Arco-Íris. Marília de Camargo Cesar. Editora Gutenberg.

Não há outro tema mais complexo e urgente do que o da homoafetividade. A jornalista Marília Cesar, que já nos felicitou com o importante “Feridos em Nome de Deus” (Mundo Cristão, 2009) volta à carga, com esta obra que descreve, por meio de entrevistas, os meandros das controvérsias, das lutas e das aflições que cercam a existência dos cristãos gays. O livro já foi acusado de ser uma propaganda em defesa da aceitação da homossexualidade pela ética cristã, assim como já foi acusado de ser um texto homofóbico. Quem tem razão? Talvez isso seja uma indicação que a obra é moderada, e que tenta tratar do assunto com isenção jornalística. Devo a Zenon Lotufo Jr., figura ilustre e genial das ciências da religião no Brasil, a lembrança desta frase de Richard Foster: “A homossexualidade é um problema tão inflamável no momento dentro da comunidade cristã que tudo o que for dito será severamente criticado – e provavelmente por uma boa razão” (em “Dinheiro, Sexo e Poder”; Mundo Cristão, 2005). Sem dúvida, será uma contribuição crucial para pastores, conselheiros, psicólogos e filósofos cristãos interessados na questão.

10. Teologia Arminiana: Mitos e Realidades. Roger E. Olson. Editora Reflexão.

Já há algum tempo que o calvinismo se tornou hegemônico no protestantismo histórico brasileiro, e passou inclusive a ganhar mais e mais adeptos nos campos pentecostais. Já sabemos, como esclareço em meu livro “O Lado Bom do Calvinismo” (Fonte, 2013), que se trata de um equívoco equalizar a tradição calvinista com um tipo específico de calvinismo, a saber, o calvinismo doutrinário ou noutético (ou noutético), um calvinismo racionalista defendido por ultraconservadores no Brasil, um calvinismo que talvez nem Calvino reconheceria. Que não sejam ignoradas outras formulações do calvinismo presentes na tradição, como o calvinismo de cosmovisão holandês, a filosofia reformacional de Dooyeweerd, a teologia dialética, o calvinismo barthiano, e o calvinismo coreano, entre outros. É bem-vindo este contraponto ao calvinismo escrito por uma das mentes mais lúcidas e competentes do mundo evangélico norte-americano, Roger Olson, autor também do polêmico “Contra o Calvinismo” (Reflexão, 2013), outra obra importante deste ano, no qual faz considerações críticas relevantes acerca dos chamados “cinco pontos” de Dort. Em “Teologia Arminiana”, Olson elucida uma série de dúvidas e questões frequentemente levantadas pelos alunos de teologia acerca de Armínio e do arminianismo, e desfaz mitos, apresentando a teologia arminiana como uma alternativa ortodoxa e bíblica ao calvinismo hegemônico e mais conhecido, ou seja, o que se sustenta nos pontos de Dort. O livro interessa tanto aos calvinistas quanto aos seus detratores, pois esclarece melhor as controvérsias e ajuda os teólogos brasileiros a compreenderem melhor este antigo debate, que, mesmo estando fora de moda na academia mundial, continua extremamente relevante no mundo evangélico brasileiro.

11. Zelota: A Vida e a Época de Jesus de Nazaré. Reza Aslan. Editora Zahar.

Este livro interessante e bem escrito, escrito a partir de uma perspectiva teológica liberal, merece a atenção do leitor cristão por ser uma afiada crítica à Bíblia e à teologia. Muitos obscurantistas insistem em afastar o leitor cristão de textos de teologia liberal, que teriam o poder de lhes arrebatar a fé. Isso é uma cretinice, infelizmente bastante frequente em nosso meio, principalmente entre os ambientes de tendência fundamentalista. O pensador cristão só amadurece quando aprende a enfrentar os mais severos e bem construídos argumentos contra a sua fé. Esta obra, entretanto, também instrui e alerta sobre uma faceta do ministério de Jesus que muitas vezes permanece obnubilado: o lado sócio-político e econômico do ensino e das ações de Jesus. Na tradição do clássico de Karl Kautsky, “A Origem do Cristianismo” (Civilização Brasileira, 2010) e antenado com a chamada “busca do Jesus histórico” de autores como Marcus Borg e Dominic Crissan (por exemplo, “A Última Semana”, Nova Fronteira, 2007), o livro é uma excelente fonte de ideias para a teologia pública e para a teologia da missão integral, o estudo de Reza Aslan merece atenção, mesmo se optarmos por rechaçar sua tese central, a de que Jesus foi eminentemente um jovem revolucionário que a tradição posterior transformou em manso pacifista e arauto de uma mensagem de acomodação.

12. A vida de C. S. Lewis: Do Ateísmo às Terras de Nárnia. Alister McGrath. Editora Mundo Cristão.

A publicação deste livro de McGrath, teólogo anglicano, um dos maiores pensadores calvinistas contemporâneos, foi uma boa homenagem aos 50 anos da morte de C. S. Lewis (1898-1963), um dos mais importantes autores cristãos do século XX. O livro conta a vida e a evolução intelectual de Lewis, e discute adequadamente sua rica produção literária, que inclui desde textos teológicos essenciais como “Cristianismo Puro e Simples” (Martins Fontes, 2009) até as conhecidas e amadas “Crônicas de Nárnia” (Martins Fontes, 2009) que falam das verdades do Reino de forma poética e com novas metáforas, expediente fundamental de toda boa reflexão cristã, e adição urgentemente necessária para a especulação teológica brasileira contemporânea, como ensina um dos maiores teólogos brasileiros contemporâneos, Alessandro Rodrigues Rocha, no seu imperdível “Teologia Sistemática no Horizonte Pós-Moderno” (Vida, 2007), sua tese de mestrado defendida no Seminário Batista do Sul, sob orientação do notável pastor presbiteriano Eduardo Rosa Pedreira. Nada melhor do que fechar este artigo com esta demonstração de que a teologia brasileira está chegando a um estágio louvável de maturidade. Nossa esperança nestes dias de Natal, tempo de esperança, é que a teologia brasileira continue assim: crítica, diversificada, criativa e, mesmo assim, fiel à Palavra Eterna.

• Ricardo Quadros Gouvêa é pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão (São Paulo) e professor do programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie

 

Literatura Global

Não dá pra não ler:

D. Quijote de la Mancha
D. Quijote de la Mancha

Don Quijote de La Mancha – Cervantes

Sempre que alguém me pergunta qual o melhor livro que já li (uma pergunta idiota, claro) cito D. Quijote, ao qual devo muito, como meu proceder cavalheiresco quixotesco, meu humor satírico ou sacana, uma boa dose de insanidade e a falta de vergonha na cara.

122711_1257_Itinerriosd7-64x64O Anticristo maldição do Cristianismo – Nietzsche

Longe de ser uma biografia do Anticristo, Nietzsche destila toda a sua falta de adaptação à igreja e os pastores, a quem chega a taxar de niilistas. Devo a ele boa parte da minha apologética anti igreja cristã

.

Zaratustra
Zaratustra

Assim Falava Zaratustra – Nietzsche

Pretendo ler mais umas cem vezes para ver se consigo captar o todo da obra e não só algumas coisas pontuais que consegui até agora, mas acredito no autor que elegeu essa a sua melhor obra.

Além do Bem e do Mal
Além do Bem e do Mal

Além do Bem e do Mal – Nietzsche

Essa a minha obra predileta dentre as do Nietzsche, uma ordem na desordem, bem ao meu feitio.

Ecce Homo
Ecce Homo

Ecce Homo – Nietzsche

Humano demasiadamente humano
Humano demasiadamente humano

Humano, Demasiado Humano – Nietzsche

 A Arte de Amar
A Arte de Amar

A Arte de Amar – Eric Fromm

Sidarta
Sidarta

Sidarta – H. Hesse

Os irmãos Karamazov
Os irmãos Karamazov

Os Irmãos Karamazovi – Dostoievski

Memórias do Subsolo
Memórias do Subsolo

Memórias do Subsolo – Dostoieviski

Crime e Castigo
Crime e Castigo

Crime e Castigo – Dostoieviski

Guerra e Paz
Guerra e Paz

Guerra e Paz – Tolstoi

Hamlet – W. Shakespeare

O Aleph
O Aleph

O Aleph – J. L. Borges

O Conceito de Angústia – Kierkegaard

Anarquia e Cristianismo – Jacques Ellul
A Ética Protestante e o Esírito do Capitalismo – Weber

1984 – George Orwell
A Metamorfose – Kafka

Um Artista da Fome – Franz Kafka
Carta A Meu Pai – Franz Kafka

Eminência Parda – A. Huxley
O Livro do Desassossego – B. Soares (Pessoa)
Don Casmurro – M. Assis
O Senhor dos Anéis – Tolkien
Imitação de Cristo – T. de Kempis
A Vida de Cristo – Ernest Renan
A Pessoa de Cristo – Berkouwer
Discipulado – D. Bonhoeffer
Confissões de Santo Agostinho – Agostinho
Comentário da Carta aos Romanos – K. Barth
Comentário da Carta aos Gálatas – J. Calvino
Os Quatro Amores – C. S. Lewis
Nuven do Desconhecido
Contracultura Cristã – J. Stott
A Volta do Filho Pródigo – H. Nouwen
O Evangelho Maltrapilho – B. Manning
O Jesus que eu nunca conheci – Yancey
O Segredo do Amor Eterno – J. Powell

Por que tenho medo de dizer quem sou – J. Powell

Para viver em plenitude – J. Powell
Em Seus Passos o que faria Jesus – C. M. Sheldon
O Céu é o Limite – A. Grun
Aventura Espiritual – J. Guyon
Protestantismo e Repressão – R. Alves
Whith Christh in The School of Prayer – A. Murray
Mar Sem Fim – Amir Klink
Cristianismo e Política – Robinson Cavalcanti
A Vida de Cristo – James Stalker
A Política de Jesus– John Howard Yoder
Minha Vida e Minhas Idéias – Albert Schweitzer
Cristianismo Básico – John Stott

La Mission Cristiana Hoy – John Stott
Estágios da fé – James W. Fowler
Riqueza das Nações – Adam Smith
Ética – Spinoza
Da República – Cícero
Tróilo e Cressida – Shakespeare
Timão de Atenas – Shakespeare
As Alegres Comadres de Windsor – Shakespeare
A Megera Domada – Shakespeare
Sonho de Uma Noite de Verão – Shakespeare
Hamlet – Shakespeare

Romeu e Julieta – Shakespeare
Do Contrato Social – Jean Jacques Rousseau

Huckleberry Finn, – Mark Twain

O Estrangeiro – A. Camus

A Peste – A. Camus

History of Western Philosophy – Bertrand Russell

Moby Dick – Herman Melville

A lista acima é uma tentativa de elaborar uma biblioteca básica para os interessados. Essa é a primeira leva, mas outros tantos serão acrescentados. Os comentários aos evangelicais, por enquanto, são de Ricardo Gouvea, embora ela nem saiba de nossa publicação. Acontece que, coincidentemente, eu havia lido 100% dos livros da lista dele e achei legal poupar-me do trabalho de re-escrever o que ele havia feito muito bem.

Também contém meu itinerário de leituras que, significativamente, começa com 1984 de George Orwell, o que aconteceu após as leituras de ginásio (onde passei por Don Casmurro, as intermináveis porcarias de José de Alencar e Fernando Sabino, Mario de Andrade, etc.) e segue com D. Quijote, etc. Cheguei a ter todos esses livros, mas acabei comendo muitos deles em tempos de precisão. Acalentava o sonho de, ao partir, deixar uma boa biblioteca para a família, mas os E-books chegaram para acabar com charme e a beleza da arte de ler. A lista está longe de estar completa e pretendo acrescentar muitos outros, aos poucos.

 

 

Você, também, poderá gostar de ver as indicações abaixo:

Os 100 livros essenciais da literatura mundial

Saiba o que é importante ler, de Homero a Machado de Assis, para entender a história da literatura

26/10/2011 17:29
Texto Almir de Freitas
Bravo
Foto: A redação da revista BRAVO! e colaboradores selecionaram os 100 livros mais importantes da literatura mundial
A redação da revista BRAVO! e colaboradores selecionaram os 100 livros mais importantes da literatura mundial

Jorge Luis Borges imaginou certa vez uma biblioteca que contivesse todos os livros do mundo – não apenas os existentes, mas também todos os possíveis. Mais: um único volume desse acervo fantástico ofereceria a chave de compreensão de todos os outros, permitindo que decifrássemos, afinal, o que somos. O texto, A Biblioteca de Babel, foi publicado no Brasil no livro Ficções, uma das 100 obras presentes na lista de 100 livros essenciais da literatura mundial. Esta lista, naturalmente, é mais modesta que o volume imaginado pelo escritor argentino, mas não deixa de ser ambiciosa na sua abrangência.

Para fazer a seleção, nos baseamos sobretudo nos estudos do crítico americano Harold Bloom, autor de O Cânone Ocidental e Gênio, além de rankings anteriores, como os da revista Time e da Modern Library, selo tradicional da editora americana Random House. No entanto, a decisão final coube à redação da revista BRAVO! e aos colaboradores especialmente convidados para este trabalho.

Uma lista tão reduzida como esta, diante de uma produção tão vasta, implicou escolhas difíceis já na seleção dos livros. Como conciliar a importância histórica com o apreço pessoal? Não há ciência que possa responder a questões como essa – nem é nossa intenção. A lista que aqui apresentamos tem por objetivo estimular os leitores a fazer as suas próprias. A partir dessas infinitas listas, que contam infinitas histórias pessoais, quem sabe não nos aproximamos um pouco mais, como imaginou Borges, de entender o que somos.

090613_0140_Umanjoentre2.jpg

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *