A Gruta do Lou

Casamento, uma festa em extinção

Há um episódio na Bíblia, conhecido da maioria, onde Jesus aparece em uma festa de casamento. Sua participação é bem ativa, pois, em certo momento o vinho acaba e ele resolve providenciar mais, transformando água em vinho. Segundo Fulton Sheen,em A Vida de Cristo, esse episódio marca o início do ministério profético do Mestre Galileu e faz contraste com seu último ato, na cruz, onde Ele verteu água e sangue. Além dos argumentos teológicos da cena, vemos um Cristo despojado, celebrando com o povo um momento importante de um casal e de toda uma família.

Diria um leitor mais passional: Ele se importa! É assim que vejo a completa omissão de meus familiares em relação ao aniversário do Thomas. O que para nós se reveste de importância máxima, a cada ano que passa, não faz a menor diferença aos demais familiares. A data serviu para mostrar o mais completo descaso e indiferença por parte das pessoas queridas de nosso filho. Houve mais manifestação dos amigos cibernéticos do que dos próximos. O Dia das Mães, as baladas ou até o nada, competiram e ganharam de longe de uma possível festa para alguém, cuja vida é um milagre.

Alguns dirão, espiritualizando o fato: certamente o Senhor estava e transformando água em vinho. Também tenho uma sensação parecida. Minha maior tendência é imaginar que os valores envolvidos tornaram-se mesquinhos e ordinários. Cada dia mais, o mundo toma espaço do viver cristão, sufocando-lhe com vistas à sua morte final. O Brasil é considerado um país capaz de manter acesas as chamas do cristianismo católico ou protestante. Nós que aqui estamos, testemunhamos o desaquecimento desses movimentos religiosos, a cada ano que passa, enquanto o planeta aquece, cada vez mais.

Razão e sensibilidade não conseguem andar juntos. A pós-modernidade determina a co-existência problemática entre as religiões e o mundo globalizado. Como disse o falecido Prof. Milton Santos, nós queríamos uma outra globalização, onde sensibilidade, espiritualidade e solidariedade saíssem vencedores. Mas como nos tempos de Jesus Nazareno, nós matamos o filho, os profetas e seus milagres. Nossa tendência é suicida e nossos caminhos nos levam direto para o lago que cheira a enxofre, onde haverá dor, choro e ranger de dentes.

Nosso Senhor está ficando sem espaço para realizar sua obra. Até as festas estão se tornando escassas. Logo só lhe restará verter sangue e água, novamente.

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1 thought on “Casamento, uma festa em extinção

  1. Pingback: Lou Mello

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