A Gruta do Lou

Carta aos Grutenses

Caros leitores

Resolvi abandonar meu projeto sobre a imaginária presença de Jesus de Nazaré no Brasil, sob a suposição que nem ele conseguiria evitar as milhares de mortes que ocorrem aqui, diariamente, via assassinatos, latrocínios e acidentes de trânsito. Isso sem falar nas pessoas que morrem vítimas do abandono, do descaso e da irresponsabilidade daqueles que teriam a missão de evitar que isso acontecesse.

Minha segunda intenção era levá-los à conclusão óbvia de que aqueles que deveriam evidenciar a presença de Jesus Cristo em nosso meio, com a finalidade primeira de constranger aos injustos e depois aos alienados, estão muito ocupados e fazendo de tudo, menos cumprir sua missão. Isso sem falar no pouco interesse que consegui despertar com essa bobagem.

Eu não sou melhor. Também não tenho feito muito para mudar tudo isso. Nem o Projeto Coração Valente estou conseguindo levar adiante. Com ele poderíamos ajudar a cair o número de mortes de cardiopatas congênitos, por aqui. Hoje mesmo, o pessoal da prefeitura me disse que as crianças com esse mal têm sido a maior causa da mortalidade infantil, em nossa cidade. Não sei porque o Senhor me incumbiu dessa tarefa. Sou o menos indicado. A única coisa que tinha a oferecer era minha boa vontade, mas ela tem me faltado, ultimamente. Como dizia o Maslow, é pouco provável um ser humano seguir adiante quando ele tem tanto a resolver para continuar vivendo.

Esses políticos todos não trarão solução para probleminhas como esse. Nem o prefeito de Sorocaba, que é médico, está interessado em amenizar isso ou aquilo. Acho que Jesus falava dos cardiopatas congênitos e dos portadores de câncer, especialmente as crianças, também, quando lembrou o mandamento: Não matarás. Deixar morrer é uma forma perversa de matar. Talvez mais covarde do que matar a sangue frio.

Um Centro de atendimento de crianças portadoras de alguma forma de câncer, aqui da cidade, teve as portas fechadas e as crianças transferidas para outros centros, a maioria para outras cidades, por falta de dinheiro. Enquanto isso eles torram grana pública em futilidades.

Mas deles eu não espero nada, mesmo. Sinto mais pelos meus irmãos cristãos, ao vê-los com as mãos fechadas, voltados para eles próprios com suas cruzadas e correntes ou somente seus próprios interesses, mesmo.

Um pouco de inteligência e competência seria suficiente para colocar ordem no caos de insegurança que vivemos. Isso não ocorre porque não é do interesse geral. Políticos, empresários e interesses internacionais conspiram juntos contra.

Enquanto nada disso ocorre e não acredito que venha a ocorrer algum dia, seguirei meu caminho menos ambicioso. Se conseguir melhorar as coisas aqui em casa, já estará de bom tamanho. Morro de medo de chegar la e descobrir que ninguém me mandou fazer nada disso.

Meu negócio aqui no blog é continuar oferecendo diversão garantida, sexo e sangue. Quando saio desse trilho percebo a queda vertiginosa da audiência e interação. Claro que você está do outro lado. Estou falando para os ausentes. Sei que não deveria, mas odeio os ausentes e não consigo evitar falar mal deles.

Abraços e beijos a todos

Lou

Share this:
Share this page via EmailShare this page via Stumble UponShare this page via Digg thisShare this page via FacebookShare this page via Twitter

13 thoughts on “Carta aos Grutenses

  1. Lou

    Bem que eu tentei deixar comentários na sua ficção científica mas, por algum motivo internético, minhas mensagens não entraram.

    Verdade que o que eu esperava era um showmício no planalto com a turba pedindo a liberdade para Fernandinho Beira-Mar…quero dizer… Barrabás..

  2. Fábio
    Na verdade, depois de bom tempo na alfândega da Gruta, onde foi submetido a intenso interrogatório, seu comentário foi liberado e está no post primeiro da série. Valeu e desculpe a demora. Agora seus comentários não sofrerão nenhum tipo de constrangimento. Garanto.
    Ah! Sua idéia de usar o Fernandinho como nosso Barrabás é ótima. Eu tinha pensado e planejado várias situações. Pretendia escrever cinco posts. nessa série. Pode até ser que venha a fazê-lo. Vamos ver.

  3. Lou, quando li o que escreveu acima: “Não sei porque o Senhor me incumbiu dessa tarefa. Sou o menos indicado.”
    sabe o que pensei? não há muito problema em nos sentirmos fracos ou incapazes, porque entao sim dependemos mais de Deus.
    o maior problema, pelo menos eu acho, é quando nós achamos que somos capazes e de nós depende o sucesso das coisas.
    Eu há tempos já desisti de pensar assim…
    lindo post!
    beijos,
    alê

  4. Quanto à falta de respostas… não se iluda. Depois do google reader, muita gente (como eu) não anda mais pelos blogs, e lê tudo “escondidinho”… com preguiça de comentar.
    Eu sei, eu sei, preguiça é pecado, e já tô olhando as formiguinhas. Mas o tempo é curto… ainda mais de emprego novo (graças a Deus!)

    Bjo e bom dia!

  5. Alê
    Depois me manda a fórmula para mudar a forma de pensar. Continuo me achando capaz o tempo todo e que o mundo não me entende. Isso está me matando. Também quero, desesperadamente, desistir.

    Bel
    Estou torcendo para a Microsoft (nunca pensei que diria isso) comprar a Yahoo e detonar a Google. Você já reparou que tudo que fica muito grande desanda? 🙂

  6. Os doentes são um constrangimento que precisa ser eliminado a todo custo. Não compram nada e não podem ser manipulados adequadamente a levar os outros a comprar. Não há espaço para gente assim embaraçosa num mundo sensato como o nosso. Enquanto não achamos solução mais final, melhor mantê-los em campos de concentração onde ninguém precisa olhar para eles e podem ser tratados a seu tempo.
    O EVANGELHO DO EGOÍSTA ESCLARECIDO, página 23

    O Buda, lembra Bonhoeffer, converteu-se ao ver uma pessoa doente. Mas o Buda era cristão muitas vezes melhor do que nós.

  7. Paulo
    Cuidado com esse negócio de ficar lendo um cristão subversivo como o Bonhoeffer, principalmente , um livrinho chamado Discipulado e outro pior, Vida em Comunhão, sem falar em Resistência e Submissão, que me fez escrever uma carta para a Carolina, quando ela era ainda um bebê. Eles podem levá-lo ao pecado do batismo com fogo.

  8. Meu, tava seguindo “religiosamente” teu “conto” e esperando a hora apropriada pra cair de pau no teu script, estilo literário, ritmo, plot e tudo o mais…
    Enfim, tava me divertindo com a coisa, na expectativa do seu desenlace.
    E acaba assim, de repente, sem final feliz ou infeliz ou qualquer coisa assim… pô, meu, frustrou!!!

  9. Rubens
    Como disse ao Fábio, esse final não está descartado. Pode aparecer qualquer dia desses. Com a greve dos roteiristas, esses convencidos, nós os produtores acabamos ficando com o mico na mão, toda hora. Mas me aguarde, assim que resolver todos os entraves, com a cabeça em ordem, eu mesmo escrevo o fim desse roteiro. Eles não irão nos vencer, jamais.

  10. Dizem que como termina é que conta. O descanso, finalidade da presença, que é bom, neca-de-kitibiriba!

    Abraço

  11. Só não copio e colo aqui as palavras do Rubens Osorio por pura preguiça. As palavras dele são as minhas. Quanto aos entraves, olha, eu tenho uma idéia pra lá de infame, mas nessa altura do campeonato vale tudo: manda mais uma ajudinha pra tua viúva de Sarepta. Elias fez isso e com ele deu certo, quem sabe…a gente não pode dispensar nenhum recurso. Já pensou? de uma tacada só você resolvia a falta de grana sua e minha…

  12. Bete

    Elias está tentando manter-se me pé, se possível com aquele negócio que os gringos adoram, a tal da dignidade. Mas fique tranqüila, farei como o mestre. Daqui mesmo estou enviando-lhe bençãos sem fim. Pode pôr as panelas no quintal.

  13. Doentes?Quem é que algum dia se incomodou com eles?CREDO!Eles é que incomodam… Só Jesus e seus discípulos de ontem e de hoje… Nunca me esqueço da querida Madre Tereza, essa sim, os amou,se deu por eles de todo o coração e ainda os chamou de “Jesus disfarçado.”

    Madre Tereza era mesmo uma grande tola.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.