A Gruta do Lou

Carregador de cruz

Jesus Cristo disse: “Vinde a mim vós que estais cansados e oprimidos e eu lhes aliviarei”. Talvez me engane, mas acho que estou exatamente nesse ponto, cansado e oprimido.

Agora pouco, enviei um E-mail para o Adalberto e fiquei pensando se deveria postar o texto dessa mensagem aqui. Concluí por não fazê-lo, em respeito à minha família (esposa e filhos), pois o mesmo poderia constrange-los ainda mais, pois basta a situação em que os meti com minhas trapalhadas e intransigências tolas.

Se houvesse de fato um meio de ir a Jesus e, mais ainda, conseguir dele alivio para minhas dores e sofrimentos, seria mesmo um grande milagre. Sabe, nunca encontrei uma pessoa capaz de praticar um ato de bondade ou misericórdia sem ofender a pessoa objeto de seus atos benevolentes. Aliás, o sentimento que mais me espinhava quando andei praticando caridade era justamente essa minha incapacidade. Não há nada mais perverso do que humilhar um moribundo ou desgraçar o orgulho de quem já não dispõe de um mínimo de amor próprio. E fazemos isso afagando os desgraçados. Parece-me que Madre Tereza sofria com esses mesmos sentimentos.

Em minha longa caminhada pela senda cristã, nunca encontrei o caminho, ainda que tenha me iludido com essa ou aquela crença ou experiência aprendidas ou vividas. Não, era tudo falso. Os caminhos que percorri nunca deram em lugar algum. Mesmo o ser missionário ou pastor não me facilitaram o acesso a Deus ou ao seu filho prodígio ou pródigo, sim porque aquele filho pródigo narrado pelo próprio, ninguém me tira da cabeça, era Jesus, sua vida devassa era a multidão de doenças e pecados nossos que ele tomou sobre seus ombros e aquela volta triunfal, onde o pai lhe deu um anel, manto e o novilho cevado, deu-se no céu, quando Jesus voltou de sua peregrinação pela Terra.

Se alguém pensa que obras póstumas de Bras Cubas salvam, pode tirar o cavalinho da chuva. “A quem mais se deu mais se requereu, seu bobão”. Até os pastores e os missionários dependerão do perdão compulsório do Criador, especialmente porque sua miséria é muito maior do que a dos meros mortais prósperos e felizes, a quem tanto invejamos.

Onde eu iria agora? Para a igreja? Fazer obras caritativas? Implorar um emprego ao meu ex-amigo e agora desafeto que virou vereador? Vender minha primogenitura por um prato de lentilhas? Meu, no meu caso, nem isso adiantou. Já vendi esse trem várias vezes e nada, mesmo porque, não sou nenhum primogênito, assim como Isaque nunca foi, pois Ismael nasceu primeiro do que ele. Salomão era mesmo uma fraude, enganou toda a nação judaica por todos esses anos, só para que eles não percebessem que ele próprio não era o primogênito e, portanto, sem direito ao trono que ocupou por toda sua vida adulta, sem falar que toda a sua descendência foi contaminada por esse aspecto. Nem Jesus escapa dessa. Ainda bem que não foi a ascendência do Mestre que validou sua originalidade, nesse aspecto ele seria um pirata. Seu certificado de autenticidade foi concedido em regiões mais celestiais.

Quem sou eu para reivindicar caminhos e misericórdias? Só me resta a incerteza quanto ao meu futuro imediato e distante, sem perspectivas ou esperanças. Fora isso só medo e insegurança, fora a certeza de não possuir qualquer ferramenta ou relação capaz de me socorrer hoje ou amanhã. Em tempos passados fui o meu próprio alivio e tolo o bastante para conceder a autoria a Deus e ao filho dele, se bem que, nunca me pediram isso. Mas sabe como é, precisava justificar a minha fé insana em um deus no qual acreditava, mas que nunca existiu. O Deus verdadeiro é desconhecido. Ninguém sabe como ele é de fato, nem eu, imagine.

Jesus nos chamou, mas não deu seu endereço, igual aqueles caras que te convidam para almoçar, mas nunca marcam a data e, muito menos, o local. Se o fez, seus discípulos desastrados morreram e foram enterrados com essa informação, nunca revelada, como muitos outros ensinamentos caros e desconhecidos de todos nós.

Sendo assim, tudo que me resta é carregar a minha cruz, um pendrive contendo os originais de um livro que jamais será publicado e sonhar que estamos seguindo a dele, outra heresia absurda.

morcego-12

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4 thoughts on “Carregador de cruz

  1. Olá Lou!
    A Paz do Senhor!

    Belo texto este do Carragador de cruz!

    Vi seu link no twitter e cliquei chegando ao seu blog. Muito bom o seu trabalho.
    Já estou seguindo este blog. Te convido a visitar o PC@maral e se gostar podemos seguir um ao outro para saber das atualizações.

    Aguardo você lá!

    Que deus te abençoe!

    Obrigado pela visita e comentário. Conheci seu blog e acrescentei-o na nossa lista de blogs amigos. Deus abençoe você também

    .

  2. “Concentração de endividados,tristes,etc…” não é sem motivo que a tua cruz está pesada,Lou…
    Com esse bando de grutenses cheios de problemas e queixas(onde eu também me incluo)não há quem resista…

    Não há o que reclamar, desde o começo a idéia era essa, mesmo porque, não carrego as dores, antes as entrego a Jesus, como ele solicitou. De vez em quando, no meio de minhas raras orações, faço alguma petição pelo povo, também e aproveito para fazer a entrega. 🙂

  3. Quem diria, os Beatles eram grutenses!!! “Me ajude a por os pés no chão novamente”, “Agora já não estou mais tão seguro”, “A minha independência desapareceu na fumaça”, “Eu realmente preciso da sua companhia” e por aí vai… Gruta pura!!!

    E não é? Afinal eles foram mais famosos que Jesus. Não é para menos, eram tão sensiveis quanto. 🙂

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