A Gruta do Lou

Um Lutero brasileiro

Sábado, Fevereiro 18, 2006

 

Iniciei meu trabalho de Campestre MG em dezembro passado. É uma cidade com pouco mais de 6.000 habitantes. O centro da cidade é uma rua, com uma big praça bem no centro e, adivinha o que tem no centro dela, claro: uma Igreja Católica e o coreto. Tudo na cidade gira em torno de missas e novenas. Todas as terças e quintas tem missa às 7,00 da manhã, frequentadas por dezenas de senhoras e uma vez por semana à noite, tem uma missa com a presença da grande maioria dos principais cidadãos da cidade.

Nunca fui à essas missas, mas não é difícil imaginar dois fatos indispensáveis nessas reuniões: 1) a comunhão com transubstanciação e 2) o sermão recheado de falsas interpretações da Palavra de Deus, especialmente na questão da prática das boas obras com fins salvíficos. Isso sem falar na confissão ao padre, propiciando-lhe a manipulação dos destinos do dinheiro da cidade, principalmente. Estive no gabinete do prefeito da cidade e me assustei com a imagem de uma santa enorme dentro da sala e bem na frente da mesa do prefeito.
Com isso, me dei conta da influência da Igreja Católica nos destinos da minha cidade atual, Sorocaba. Ela está totalmente rendida aos dogmas católicos. A grande maioria dos habitantes frequenta as missas e eventos promovidos pelos padres e freiras. Embora a maçonaria tenha grande influência nesta cidade, a Igreja católica destaca-se, de maneira incontestável, nos destinos políticos, sociais e religiosos, por aqui, com todas as suas heresias.
E, até para mim, não foi difícil lembrar do papel destacado da Igreja Católica nos destinos do País. Lembrei-me do Lula indo buscar as bênçãos da CNBB em seus primeiros dias de governo. Da importância dada aos interesses dessa Igreja no País e, recentemente, na comoção que tomou parte do país durante a morte do Papa João Paulo II e a escolha do novo o Cardeal Joseph Ratzsinger e sua longa ficha de encontros clandestinos com meninos, como novo Papa Bento XVI, por sinal, alemão como era Lutero, tudo devidamente promovido pela maior divulgadora do catolicismo romano, em nosso país: a Rede Globo de Televisão.

Em tudo isso, onde estão as vozes da Reforma? A verdade é que ela nunca chegou por aqui. A Igreja e o movimento evangélico no Brasil são fracos e desengajados. Os pastores de todas as denominações são omissos e/ou coniventes. A maioria vive olhando para o próprio umbigo, sem nenhuma consciência de Missão. A Palavra não rege os destinos desses “cristãos”. Não há, de norte a sul, um líder evangélico em destaque, gritando pela reforma da Igreja no Brasil. Não há um Lutero brasileiro. A aberração das missas e o que nelas é praticado seguem em paz. Uma leve e momentânea esperança de liderança apareceu anos atrás, mas traiu-nos enrolando-se em seus próprios pecados e mazelas. Atualmente, a liderança evangélica está sendo exercida por alguns evangélicos de esquerda, engajados nos programas políticos eleitoreiros do Lula, como Bolsa Família, Fome Zero, etc, ou seja, estão andando de braços dados com o diabo, como diria Lutero. Outros não ousam comprometer-se e, se bobear, abraçam a causa ecumênica.

Se nossa nação fosse resultado da inspiração da Palavra de Deus ensinada em púlpitos santificados, de mãos limpas, destemidos, comprometidos com o Senhor Jesus Cristo e sob a máxima “O justo viverá pela fé”, como fez Lutero, seriamos muito diferentes em relação à miséria, a fome, a pobreza, a violência, a promiscuidade, a saúde, a educação e, sobretudo, na questão das nossas crenças escatológicas. Como demonstrou Max Weber, chamando a solução de todos esses problemas, em países do chamado primeiro mundo, de capitalismo influenciado pelo protestantismo reformador de Calvino.
Para isso, Deus precisaria levantar, entre nós, alguns Luteros, Zuinglios, Calvinos tupiniquins destemidos, incólumes ao sexo fácil e ao dinheiro proveniente do inferno, capazes de não temer em face da morte, não amando a própria vida.

# posted by Lou @ 9:14 AM

Capricornio PB

6 thoughts on “Um Lutero brasileiro

  1. Paulo, tomo as suas palavras como um complemento correto e necessário às minhas. Esse Lutero não precisaria ser necessariamente um homem, mas bem poderia ser um movimento como você descreve.
    As Igrejas Evangélicas não estão isentas, em nada, da necessidade de uma reforma que as atinja em suas heresias e incoerências cristãs, tanto ou mais que a igreja católica.
    Obrigado por seu sempre preciso, oportuno e bem vindo comentário.
    # posted by Luiz Henrique Mello : 2/18/2006 5:38 PM

  2. Hoje em dia as pessoas morrem de medo do radicalismo, e – sinto dizer – com algum fundamento. Todos morrem de medo de repetir e seguir um Hitler (ou mesmo um Lutero, no que dizia respeito à sua retórica contra os judeus). Com medo de repetir as mancadas históricas dos radicais (exceto Jesus, que é muito difícil de imitar e que só era intolerante com os religiosos ortodoxos) as pessoas arrebanham-se do lado oposto, da tolerância politicamente correta, que salvaguarda todo mundo e não rejeita ninguém, só os inconformados.

    Outra coisa notável é que houve tempo em que os radicais atraíam multidões. Hoje as multidões, com a barriga mais cheia e sem perspectivas apocalípticas para ajudá-las, fogem dos radicais, e só se reúnem ao redor dos inócuos e menos controversos. O segredo do sucesso é falar o que todos querem ouvir e jamais – jamais – ofender quem quer que seja. O único pecado mortal é a falta de educação.

    Quanto a mim, não desconfio do radicalismo, mas desconfio muito de uma revolução guiada por um Grande Líder – mesmo Jesus abriu mão do Anel do Poder e apostou o futuro da revolução do Reino na tática de guerrilha de uma dúzia de gatos pingados. Quanto a mim, não quero um Lutero, um Caio que não caia ou um Super-Homem. Na verdade *exijo* que não haja ninguém com esse perfil; exijo que ninguém se alce de Professor ou Mestre.

    Sonho com mais e menos: uma revolução silenciosa. O fermento crescendo nos bastidores até que a massa transborde da forma.

    Imagino que hoje em dia Jesus reservaria a sua tolerância para a Igreja Católica e suas piores diatribes para os que afirmam segui-lo ortodoxamente e dão menos evidência disso do que os católicos em geral. Os fariseus somos, inevitavelmente, nós. Raça de víboras.
    # posted by Paulo Brabo : 2/18/2006 5:02 PM

  3. Finalmente, para encontrar a comunhão com transubstanciação, o sermão recheado de falsas interpretações da Palavra de Deus (inclusive na questão da prática das boas obras com fins salvíficos) e a manipulação dos destinos do dinheiro das pessoas, você não precisa entrar nem de longe numa igreja católica. De fato, algumas igrejas católicas estáo livres de todas e cada uma dessas coisas. Em igrejas evangélicas se encontram heresias talvez tão graves quanto essas e certamente mais espetaculares – temperadas pela mais pecaminosa e indulgente sensação de superioridade moral em relação aos católicos.
    # posted by Paulo Brabo : 2/18/2006 5:11 PM

  4. Como me disse o petista Willian Waack, certa vez, você está sendo radical e unilateral. Certo, estou. Mas não o foram Lutero e Jesus? A quem imitarei? Os covardes? Os falsos cristãos encastelados em seus castelos denominacionais? Essa raça de víboras.
    # posted by Luiz Henrique Mello : 2/18/2006 10:41 AM

  5. Quando o monge Lutero nasceu, a Santa Igreja Católica Apostólica
    Romana já havia civilizado todo o Ocidente- portanto toda a cul-
    tura ocidental é obra católica. Quem, desde o séc. XII, constru-iu Universidades,Bibliotecas, Hospitais? Quem preservou todo o /
    acêrvo da cultura greco-romana e da Antiguidade? Quem desenvol-
    veu a Arquitetura Gótica, a Música Sacra e Clássica, as Artes em
    geral? Até a Imprensa é, indiretamente, obra católica, pois seu
    embrião repousa em motivos religiosos! Assim sendo, há que se
    louvar e bendizer a Igreja de Cristo, conduzida pela cátedra de /
    Pedro! Tem mais: a barca de Pedro,a Santa ICAR, o Corpo Místico
    de CRISTO, sobreviverá incólume às intempéries do mar da vida,is-
    to porque o mesmo JCRISTO, sua cabeça (leiam o Apóstolo S.Paulo),
    a protegerá. Ainda: os hereges Lutero, Calvino, etc, são também
    obras católicas, pois devem sua cultura religiosa à Santa Igreja!
    Querem mais? Quem salvou o Ocidente do Islamismo? Quem derrotou /
    os árabes sarracenos na Península Ibérica? R: os Reis Católicos!
    Quem derrotou os turcos otomanos, comandados pelo Sultão Solimão,
    o Magnífico? Os Reis Católicos da Polônia e Austria? E maior ba-
    talha naval da história (Batalha de Lepanto),travada contra a es-
    quadra otomana, foi vencida pela esquadra católica ( navios espa-
    nhóis, genoveses, austriacos), sob as orações do Papa! E, com re-
    lação à Reforma Protestante, cabem aquí as palavras de Erasmo de Roterdam: “em matéria de milagres, os protestantes são incapazes
    de curar até mesmo um simples cavalo manco!” E que não esqueçamos
    do adágio: “onde está Pedro, está a Igreja Católica e portanto J.
    Cristo”.E, de certa forma, até o Protestantismo deve sua existên-
    cia à Santa Igreja, pois se um dia a ICAR sucumbir, seus destro-
    ços soterrarão as Igrejas reformadas! A propósito, quem derrotou
    o Comunismo? Porisso, devemos sempre lembrar: ” Roma locuta,causa
    finita!”

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