A Gruta do Lou

Brasil anão e irrelevante

Menino desesperado e envergonhado com a derrota da Seleção brasileira por 7 X 1

Quando nossa seleção de futebol perdeu aquele maldito jogo para o time da Alemanha, em Belo Horizonte, em nosso solo, pensei que aquilo era o fundo do nosso poço. Tínhamos muito pouco para manter alguma dignidade perante o resto do planeta e, certamente, o futebol conseguia nos emprestar alguma dignidade. Mas, uma Copa Mundial precipitada, mal organizada e, o pior, incapazes de organizar um time capaz de jogar o nosso futebol que sempre encantou o mundo todo, trouxe-nos vergonha de tal monta e proporção jamais vista em toda a nossa história. Nossos algozes ficaram até constrangidos pela humilhação a que nos submeteram. Tentaram amenizar dizendo, “A Copa no Brasil valeu pelo calor do povo para com os turistas”.

Isso foi quase o mesmo que dizer: “A Copa foi uma merda, mas vocês compensaram com vocês mesmos.” Ué, mas se assim foi, nem precisávamos de uma Copa, já que tínhamos a nós mesmos. Aliás, sempre estivemos aqui e sempre fomos assim.

Entretanto, nessa semana, em meio a mais um conflito entre judeus e palestinos que formam o grupo terrorista HAMAS, nosso governo conseguiu nos envergonhar ainda mais, tomando partido do Grupo Terrorista em detrimento ao Estado de Israel, quando a atitude mais prudente e acertada seria a neutralidade, pois todo mundo sabe que os dois lados nessa questão têm seus erros e acertos ou suas justiças e suas injustiças. Acompanhe:

À Folha a Chancelaria de Israel afirmou que o “comportamento” do Brasil “ilustra a razão por que esse gigante econômico e cultural permanece politicamente irrelevante“. Além disso, o governo disse que o país escolhe “ser parte do problema, em vez de integrar a solução”.

Pouco antes, diplomatas israelenses haviam declarado que o Brasil era um anão em diplomacia.

Claro, nossos governantes deram de ombros, sem perceber o quanto a nação estava sendo humilhada, mais uma vez, em tão curto espaço de tempo. A que isso se deve?

Claro, muitos dirão o quanto as alternativas filosóficas e/ou políticas, até as diferenças religiosas podem influenciar nesses comportamentos bizarros, tanto no futebol quanto na política e, agora, na diplomacia. Mas, pelo jeito, o problema parece ser estrutural e não conjuntural. Na raiz de nossa estrutura está o genoma de nossas vergonhas, conhecido como ignorância.

Em minha vida, passei pela experiência de dirigir uma pequena empresa com pouco mais de vinte empregados. Antes disso, dirigira dois equipamentos públicos (creches da prefeitura) com quarenta e três funcionários atendendo cerca de cento e vinte crianças entre zero e seis anos. Descobri o quão despreparado estava para essas funções. Mesmo tendo estudado um pouco de administração e educação de crianças em idade pré escolar, não tinha o lastro necessário. Evidentemente, ninguém percebeu, pois meus colegas de trabalho eram quase todos tão ignorantes quanto eu ou mais.

Nossos governos, não importa a esfera, quase sempre foram sofríveis porque nunca foram exercidos por administradores. Geralmente, quando algum individuo ocupante de algum de nossos palácios tinha o tem formação universitária, dificilmente estão capacitados para administrar, gerenciar, organizar, etc. São advogados, engenheiros, arquitetos, sociólogos, médicos e até professores. Mas a maioria é mesmo, sem qualquer formação superior e, muito menos, administrativa. O mesmo se dá nos cargos públicos, sejam em organizações públicas ou nas privadas. Médicos dirigem hospitais e pedagogos escolas, sem qualquer treinamento em administração, pública ou particular.

Como diz esse sociólogo no vídeo anexo, nosso problema é cultural, tanto no governo, quanto na seleção e em tudo mais que vai mal em nosso país. Contribuiu drasticamente para isso a influência sempre interessada da igreja católica. E a reformada igreja protestante pouco ou nada ajudou a melhorar nossa cultura para melhor. Max Weber em seu excelente livro “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” demonstrou claramente que o capitalismo criou-se na esteira deixada pela igreja protestante, tornando ricos os países onde eles contribuíram para colonizar, enquanto a igreja católica na mesma posição deixou um rastro de pobreza incomensurável pelos países que ajudou a colonizar. Portugal, país absolutamente de maioria católica é e sempre foi um dos mais pobres da Europa.

Ao ler os comentários deixados por quem assistiu esse vídeo (abaixo) vi vários paspalhos afirmarem que a Suécia, um dos países mais ricos da Europa, por exemplo, é hoje um país praticamente ateu. Embora a igreja não esteja mais presente de forma relevante por lá, seus princípios continuam impregnando a cultura sueca, seus bobões. Ao contrário, nossa cultura está impregnada das crenças negativas e desmoralizantes da igreja católica que acreditava em educar a elite (formada pelo clero e pela aristocracia dos tempos do império) enquanto o resto do povo deveria continuar ignorante e analfabeto. Nossa seleção, tanto quanto nosso país vem sendo dirigido por quase ignorantes, quando não o são totalmente, completamente despreparados para os cargos que chegam a ocupar, mesmo quando parecem muito mais educados do que a média do povo.

Alguém disse que se não temos solução para um problema, melhor ficar em silêncio. Trazer mais problemas não ajudará ninguém. Gostaria de propor uma solução inteligente para diminuir nossa ignorância. O fato é, precisamos crescer e mudar nossa cultura, pelo menos, em favor de nossos filhos e netos. Nós, em nossa geração, já nos perdemos nesse mar de incompetências.

Infelizmente, os diplomatas de Israel acertaram duas vezes. Nossa diplomacia é de baixa estatura e nosso país, nesse quesito, irrelevante, agora no futebol, também. E nossos números em quase todas as outra áreas são, quase todos, desanimadores.

morcego-12

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