A Gruta do Lou

Traduções, versões e a mesma lenga-lenga de sempre

Cantinflas

Ontem teve jantar como meu amigo Daniel. Depois da tradução do Livro de Jó, ele está debruçado na tradução do Livro de Gênesis. A fonte dele é a versão francesa do texto original pelos membros do Rabinato Francês sob direção do Grande Rabino Zadoc Kahn, Paris 1899. A idéia do Daniel passa longe de tentar impor algum tipo de texto bíblico. Ele faz um exercício de imersão no texto bíblico dessa forma, apenas. O ponto alto de nossa pequena reunião foi sua declaração de que ele se considera um judeu messiânico. Qualquer dia desses irei com ele até a Igreja Batista da Água Branca para apresentá-lo ao pessoal de lá. De repente, até para o Ed, se o pedestal estiver ao nosso alcance.

Carlos Lachler, nosso professor de Pregação Expositiva, insistia que devíamos traduzir (do original) cada texto a ser pregado. Usar as versões tradicionais, mas ter a própria tradução como ponto de apoio. Isso me valeu uma série de desditas e impropérios eclesiásticos.
Em certos momentos de maior envolvimento com o estudo bíblico, seja por causa da atividade quase acadêmica de lecionar em alguns seminários, ou devido à agradável tarefa da pregação, sonhei em estudar as línguas originais da bíblia, mais apuradamente. Cheguei a adquirir um material, excelente, da Editorial Caribe que me foi indicado pelo Dr. Shedd, para o estudo do Novo Testamento Grego. Quando o Shedd ficou sabendo que eu tinha adquirido esses livros (devidamente importados) ele saiu-se com essa: “Já indiquei esse material para centenas de alunos, mas é a primeira vez que deparo com a notícia de alguém ter me ouvido.“

Enquanto o Daniel anda mergulhado no Antigo Testamento, por razões óbvias eu já estive nas águas do Novo Testamento. Talvez, Deus me permita voltar a esse estilo de vida mais compatível com meus anseios.

E o que isso tem a ver com a Gruta? A rigor, nada. Mas se olharmos detidamente, veremos um encaixe lá no pé da jaca, ou seja, estar onde não quero, em uma cidade nada a ver, fazendo tudo ao contrário do que gostaria, com pessoas estranhas ao meu modo de vida predileto, sendo manipulado, chantageado, enfim, levado como ovelha para o matadouro é a cara de um cidadão das grutas.

Jesus falou a meu respeito, há dois mil anos, quando disse: “Lou, vinde a mim, você que está cansado e sobrecarregado e eu o aliviarei (tradução livre de Lou Mello)” A minha parte eu já fiz, não quero nem saber. Acho que esse texto cabe a todos vocês. Basta trocar o meu nome pelo seu, na frase acima.

Enquanto isso, continuamos aturando esse mundo pesado e insuportável sobre nossos ombros frágeis. Lembro da figura do personagem de John Bunyan com aquele sado enorme em suas costas. O cara acertou em cheio. Ele não devia chamar-se O Peregrino, mas O Grutense.

Acho que para um sábado desses, perdido no meio de um ano inexpressivo, já está de bom tamanho. Não cumprirei minha promessa. Afinal continuo sendo um “não confiável”.

PS: Depois disso aí, se quiser ler um autêntico post grutense, de uma chegada lá no Volney.

1 thought on “Traduções, versões e a mesma lenga-lenga de sempre

  1. Numa traducao presa seria “traga seus sacos cheios e eu esvaziarei” – longe de nao ter um ponto a explorar a favor dos que se abrigam na Gruta, e’ a essencia do Evangelho da Graca!

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