A Gruta do Lou

Bênçãos celestes inesperadas, um estilo do Criador?

Praia de Toque Toque Pequeno

Depois do meu choro no post anterior, e apesar dos leitores não terem ligado a mínima, salvo uma ou duas almas bondosas, os alicerces celestiais tremeram e o Maioral deu ordens explicitas para que eu e minha família tivéssemos, pelo menos, um fim de semana de férias, como qualquer cristão normal, em uma praia decente. Pelo menos é o que parece. Ao meio dia de ontem, encontrei um E-mail, em minha caixa postal, do Chico, um colega dos tempos de Vocacional. Não vejo esse cara há uns quarenta anos. Pois bem, ele me ofereceu sua casa em Toque-Toque Pequeno, litoral norte de São Paulo, para descansarmos nesse fim de semana. Começou, assim, nosso sofrimento. Sim, porque como todo mundo sabe, estamos sem carro. Até agora, aquela juíza perua não resolveu liberar nosso bólido daquele imbróglio que a malvada Itaú financeira o meteu.

Claro que, no resto do dia, todos nós comentamos, cada qual com as pessoas de seu relacionamento, o paradoxo de uma situação humilhante como essa. Janeiro, com uma lua dessas, alguém oferece uma mansão em nossa praia predileta, por um fim de semana inteirinho e nós não temos um maldito carrinho para desfrutar esse momento. Mas, agora pouco, o telefone tocou e, surpresa, era um parente que, em mais de vinte anos, nunca nos deu um único telefonema se quer. Sabe quando todo mundo fica jogando o pobre telefone sem fio, um para o outro, e ninguém quer atender. Advinha para quem sobrou?

– Alo, fala aí Rubão? Demorou para você se lembrar dos primos mais pobres. Que manda?

– Pois é, eu sabia que você viria logo com uma de suas piadinhas sem graça. Mas o negócio é o seguinte. Fiquei sabendo que vocês têm convite para um fim de semana na praia e estão sem carro. Então eu decidi emprestar um carro para vocês. Estamos com um sobrando aqui em casa e vocês podem usar. Nem precisam devolver logo. Podem usar, pois não precisaremos dele, por enquanto. Venha para São Paulo amanhã, logo cedo. Eu deixo a chave e os documentos na portaria do nosso prédio, com o porteiro.

Depois desligou e eu fiquei atônito. Minha esposa perguntando o que ele dissera e os filhos com cara de interrogação, também. Levei alguns minutos para desembuchar a boa nova. Alguém lembrou que não temos dinheiro, mas o mais espiritual também lembrou que Deus não faz milagres pela metade, se mandou a casa, o carro, a grana está a caminho. Lembrei que tem um resto de dinheiro no banco que havia reservado à uma peça para arrumar o computador de um cliente. Afinal se o Barba vai mandar um monte de cascalho ($), eu reponho depois.

O Pedro se animou e foi, a pé, até o Supermercado grande, umas dez quadras longe de casa, para comprar um vinho, minimamente tomável, para a comemoração. Enfim, os seres celestiais lembraram-se de nós e isso não acontece todos os dias.

Na volta eu conto para vocês todos (os milhares de leitores que costumam visitar a Gruta) tudinho sobre nosso fim de semana em Toque-Toque pequeno.

12 thoughts on “Bênçãos celestes inesperadas, um estilo do Criador?

  1. Férias na praia, pois sim. Deus que, a dois posts andava sumido, te troxe para mais perto d’Ele, nem que seja só por um fim de semana, hehe!

  2. Ah… eu ia dizer que você esqueceu de colocar esse post sob a rubrica “ficção”, mas vejo que você lembrou.

    Os Irmãos Comédia mandam lembranças para o mano de Sorocaba.

  3. “Lou, o primo pobre dos irmãos comédia!”
    Seria hilário se não fosse triste…
    Só tô rindo porque dizem que gasta menos energia do que chorar… e eu só conservacionista!

  4. Paulo e Rubinho

    Vamos ver os próximos posts para saber o que a Providência nos reserva. Mas eu já estava me divertindo. 😀

  5. Ficarei aguardando as noticias…
    ps: ainda não me explicou aquele outro post….
    God bless you.T.

  6. Pingback: Lou Mello

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