A Gruta do Lou

Atleta brasileiro

Maureen Maggi - Medalha de ouro em salto à distância Maureen Maggi – Medalha de ouro em salto à distância

 

Tirei a manhã para acompanhar os jogos dos brasileiros nas Olimpíadas de Pequim, no vôlei feminino e no futebol feminino. De quebra ainda vi o desempenho da nossa equipe de hipismo e alguns lances do atletismo. O resultado mais significativo foi a derrota da nossa seleção feminina de futebol para a equipe dos Estados Unidos, por uma a zero.

Os atletas brasileiros demonstraram, mais uma vez, faltar alguma coisa que os qualifique a vencer, principalmente quando medalhas estão em jogo. Se a disputa é a medalha de ouro, ficamos com a prata e se disputamos o bronze, saímos sem nada, exceção feita ao iatista Robert Sheid, sempre um caso a parte.

Pelo que vi e ouvi na televisão, os entendidos estão atribuindo a causa desse probleminha à falta de força mental, seja lá o que isso for ou à necessidade de incorporar a psicologia do esporte como parte da preparação de nossos atletas, um espanto, se ainda não o fizeram.

Tirando as roubalheiras, tramoias e malandragens praticadas em diversas oportunidades contra nossos patrícios, afinal são apenas uns brasileirinhos, vi incompetência técnica para vencer neles. Eles não leram Paulo (O apóstolo) ensinando que ao correr a carreira, faça-o de modo a vencer. Geralmente, eles nem sabem por que perderam e muito menos como vencer seus oponentes. Suas explicações demonstram isso.

Uma vez, disputei um jogo classificatório de tênis contra uma senhora. Devia estar com meus dezoito anos e a mulher nos seus quarenta. Perdi o jogo por duplo seis a zero e raramente vi a bolinha durante o jogo. Quando nos cumprimentamos, no fim, ela me disse: “Você precisa treinar mais, rapaz”. Agradeci e disse para mim mesmo que o tênis brasileiro acabara de perder um de seus mais promissores jogadores. Pior, cumpri minha decisão, muito mais fácil do que treinar e me tornar competente para vencer. Esse não é só o meu retrato, mas o de todos nós, caros companheiros brazucas, não só na área esportiva, mas em todos os seguimentos.

Ultimamente, até para os países mais pobres (se isso é possível) temos andado de quatro, com a ajuda de nosso sábio presidente e todos que o elegeram a troco de benesses ridículas como o programa Bolsa Família. Poderíamos ajudar essas pessoas sem arrancar-lhes a alma, coisa típica do demônio.

Sinto informar, mas a força mental e a psicologia esportiva pouco poderão fazer se continuarmos vagabundos e incompetentes. Phelps treina oito horas por dia, nadando a mixaria de quinze quilômetros diários, enquanto eu assisto jogos das Olimpíadas para constatar o quanto somos medíocres, quando devia estar andando atrás de trabalho, pelo menos uns vinte quilômetros por dia. Mas esse idiota não sabe da existência da Internet. Se soubesse não precisaria fazer todo esse esforço e teria mais tempo para a TV.

Caso você seja ou conheça uma exceção à regra, não precisa gastar fosfato para me convencer, afinal, elas sempre existem.

morcego-12

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6 thoughts on “Atleta brasileiro

  1. interessante que a única medalha ouro, o César Cielo, disse: “a univerdade tal nos eua foi essencial para a minha vitória. treinava 6 horas todos os dias. se não fosse pelo apoio que tive lá não venceria”.

    nada mais irônico.

  2. Filipe

    Estou replicando seu comentário depois de ver a Maureen ganhar a primeira medalha de ouro individual feminina para o Brasil em Olimpíadas, sem falar que a última foi em em 1984 com o Joaquim Cruz, outro que treinava nos EUA. A Maureen é uma trabalhadora, como trabalhou o Cesar e o Joaquim, ao lado dos outros pouquíssimos medalhas de ouro brasileiros. Tomara que eles consigam contaminar os outros atletas e a todos nós.

  3. Lou, já tem um tempo que passo por aqui. Não resisti e finalmente estou deixando meu rastro!

    Aprecio mto seus textos e seu legado de pai, suas idéias e criatividade envolta ao seu tom irônico e real.

    Qto aos nossos atletas, é lamentável…
    Deus nos abençoe!
    (:

  4. Bruna

    É uma grande honra ter você entre nós. Espero que você nunca mais resista e deixe sempre seu rastro por aqui. 🙂 Grande abraço e obrigado.

  5. Pingback: Lou Mello

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