Ecclesia Reformata et Semper Reformanda est

Marconi Bartholi

(tradução do Título: Igreja Reformada está sempre se reformando)

Sabe que dia é hoje? Dia de Reforma. De novo?

Isso mesmo, ontem a minha timeline e a sua foram inundadas de notícias, posts e lembranças do dia da Reforma Protestante, que é celebrada no dia 31 de outubro, e dos 500 anos da Reforma, que rola esse ano.

E hoje continua sendo dia da Reforma? Novamente: isso mesmo.

A Chamada Reforma Protestante é um movimento que acontecia mesmo antes de Lutero, mas como tudo na história precisa de um fato, de um marco, Lutero e as 95 teses, assim como o drama e perseguição que sua vida recebeu, alcançaram papel histórico.

Porém, o principal conceito do movimento, sob meu ponto de vista, viria anos após: Ecclesia Reformata et Semper Reformanda est (Igreja Reformada está sempre se reformando; traduções são discutíveis).

Alguns atribuem a Karl Barth, mas provavelmente o teólogo holandês Gisbertus Voetius, cunhou o conceito, ainda no século XVII, durante o Sínodo de Dort.

De forma ampla quer dizer que a Igreja (e os cristãos leigos que passavam a ganhar voz) deve sempre voltar às escrituras para se renovar, permitir que a Luz da Palavra e o Espírito Santo de Deus nos ajuste no equilíbrio da Verdade versus (ou seria melhor: com, ou em consonância com) o Tempo que vivemos. Ou seja, um movimento de contínua reforma, pois o Tempo de hoje é totalmente diferente de 10 anos atrás, o que dizer da Reforma ou do Tempo Apostólico.

Assim, Reforma é para todos os dias, para o âmbito íntimo e privado e para a arena pública, para todos os desafios, embates, mudanças de ciclos, de comportamentos sociais (e quão abundante de mudanças e complexidades é este tempo que vivemos agora).

Mas sobretudo, sobretudo, o espírito da Reforma é o que menos há nas igrejas protestantes e evangélicas dos nossos dias neste país.

Infelizmente o espetáculo é outro, mais ligado a poder, controle, midiático (e também controle midiático), reativo e reacionário.

Aos cristãos deste tempo falta a autocrítica ao meio religioso que pertencem e perdeu sua luz e relevância. Onde está nossa visão que inspira, que é propositiva, que envolve a beleza e a anuncia, que inunda de sabedoria temas carentes perdidos em antagonismos direita-esquerda e por ai vai? Que proclama o amor, o perdão, a salvação e glorifica a Deus sem necessariamente entrar num embate moralista e religioso?

Fica a reflexão, que diferença teríamos na sociedade se, de fato, fôssemos Ecclesia Reformata et Semper Reformanda est?

Permita-se reformar no íntimo e aja na praça pública.

Soli Deo gloria

Share this:
Share this page via Email Share this page via Stumble Upon Share this page via Digg this Share this page via Facebook Share this page via Twitter

Comments

comments

0 comments