Reflexões sobre a vida e a morte

 

A cada dia vivido, cada vez mais, sinto ou me dou conta do que não sei e, muito provavelmente, que nunca saberei. Agora pouco, li o professor Kanitz avaliando um dos nomes do momento na área da economia de analfabeto em contabilidade. Pouco tempo atrás, conclui com a ajuda de um livrinho de autoajuda que os mais sábios insistem para não lermos, sob o risco de sermos considerados pessoas desalinhadas, o quanto sou analfabeto em termos de contabilidade. Esse é só um exemplo dentre miríades de conhecimento ausente em mim. Corretamente asseverou Sócrates, “Só sei que nada sei”, mesmo porque, a melhor definição, pelo menos no meu caso, é essa: não sei nada.

Pensei, durante boa parte de minha vida, conhecer Deus. Entretanto, nesse momento, a verdade é que não o conheço e nunca o tenha conhecido, talvez. Minhas certezas, nessa área, escoaram pelo ralo. Entristeço ao ver jovens estudantes de teologia abraçando teologias da moda, só por ser moda, pois há risco considerável deles estarem correndo grande perigo, nesse tipo de envolvimento. Tal se dá em todas as outras opções acadêmicas, provavelmente. A vida talvez seja a escola eleita e planejada por Deus para ser a Number One das academias.

Há pouco mais de um ano, precisamente no dia 20 de abril de 2013, meu concunhado Rubens levava a mim e minha esposa em seu carro em direção ao Crematório da Vila Alpina, em São Paulo, para participarmos da cerimônia de cremação do corpo de meu filho Thomas, falecido naquela fatídica madrugada. Ontem, no final da noite, dirigi meu carro em companhia de minha esposa e filha, para o velório do cemitério do Araçá, onde o corpo do meu concunhado Rubens (58) estava sendo velado e hoje foi levado para o Crematório de Vila Alpina.

Quem poderia imaginar essa possibilidade há um ano? Era um cara grande, forte e batalhador, além de honesto e cumpridor de seus deveres, mil vezes acima do que tenho sido capaz. Mas seu tempo, sua missão, seja lá qual seja o significado de existirmos, acabou ontem, sem mais e nem menos. Qual é a teologia ideal para explicar fatos como esses?

Está na moda, entre os evangélicos que não querem ser chamados de evangélicos, a tal Teologia da Missão Integral, pródiga em nos fazer sentir culpados pela má sorte dos pobres. O mais interessante, no meu caso, é que me considero pobre, pois não sei nada e essa deve ser a nossa maior miséria. Quanto à vida e à morte, essa teologia não possui argumentos críveis ou incríveis. Só bobagens coladas de Marx, Angels e Lenin. Nem são capazes de pensar em algo novo para obter sucesso. Como diria o grande filósofo Tim Maia, “se você quer fazer sucesso, então faça uma música nova, se for boa e virar um hit, pronto, você alcançou o sucesso.” As outras teologias, não importa a origem, igualmente, derrapam feio quando tentam teorizar a vida e a morte. Talvez os budistas consigam enxergar alguma luz no fim desse túnel, diria Nietzsche, mas ainda aquém de saber com clareza a respeito.

Resta-me voltar ao grande livro de sabedoria bíblico, o Eclesiastes:

“fiquei pensando:

O que acontece ao tolo

Também me acontecerá.

Que proveito eu tive em ser sábio?

Nem o sábio, nem o tolo

Serão lembrados para sempre;

Ambos serão esquecidos.

Como pode o sábio morrer

Do mesmo jeito que o tolo morre?”

Eclesiastes 2: 15 – 16

Alguém já disse, “Deus não nos revelou o que não desejou revelar” e vida e morte seguem como o mais antigo segredo-mistério da raça humana.

Posso arriscar um palpite, caso alguém me pergunte se no Novo Testamento há alguma pista sobre o tema. Jesus foi enigmático o tempo todo de seu ministério, mas sobre a morte talvez ele tenha encriptado esse login e senha no mais elevado grau, quase impossível de desvendar até para o Dr. Robert Langdon, personagem de Dan Brown. Os ensinamentos de Jesus foram todos parabólicos e metafóricos. Mesmo quando ele parecia estar dormindo, ele estava usando aquilo como metáfora de alguma lição para seus discípulos. Ele disse que não diria nada de outra forma.

Jesus ensinou sobre a morte, sem dúvida. Caso contrário não teria intervido na morte de efetiva ou iminente de algumas pessoas. Ele evitou a morte de alguns que já estavam com o pé na cova e ressuscitou outros que já estavam na cova ou gruta.

Que eu saiba, nenhuma dessas pessoas deixou de morrer algum tempo depois. Então para que evitar a morte delas e interferir no destino delas. Boa pergunta, não sei.

Minha sugestão é que ele desejava nos ensinar a respeito e ele gostava de ensinar da forma mais prática possível. Jesus não era muito favorável ao método expositivo de ensinar, preferia matar a cobra e mostrar o pau ao invés de ficar no bla-bla-bla.

O outro exemplo-ensino de morte metafórico foi o da própria morte e como não havia ninguém capaz de desencriptar os segredos da morte e ressurreições, ele mesmo se auto ressuscitou.

Para não ficar em cima do muro, posso dar uma sugestão-razão desses ensinamentos tétricos sobre a morte e ressurreição. Em minha opinião o Mestre queria nos deixar claro a existência de interferirmos em casos de morte através de cura, no caso dos mortos iminentes e de ressurreição no caso dos mortos efetivados.

A fórmula para fazermos isso seria o próximo segredo a ser desvendado ou desencriptado, nesse caso. Enquanto isso, filhos queridos, concunhados, pais, amigos, etc., continuarão a passar por mortes sem sentido algum.

 morcego-12

Author: Lou Mello

Olha só, pessoal assíduo na Gruta (carinhosamente grutenses) já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc.
Pessoalmente, não ligo muito para isso. Valorizo muito mais os meus mentores, tais como Dr. Russel P. Shedd, Dr. Zenon Lotufo Jr. e Dr. Dale W. Kietzman. Esse blog está repleto das coisas aprendidas ao longo de minha vida e isso fala por si só.
Meu espírito é missionário. Plagiando o Amir Klink, “Um homem precisa viajar… simplesmente ir ver por si mesmo”. Eu viajei bastante e ainda pretendo viajar. Quem sabe não serei portador de boas novas por aí, mais um pouco?
Atualmente, continuo acalentando o Projeto Corações Valentes, embora ele não tenha vingado ainda. Sinto falta do meu filho Thomas que, através de seu sofrimento, me deu essa ideia, antes de partir para a próxima dimensão.
Além de ter lecionado (Ef. Física e Teologia), ensino organizações não lucrativas cristãs a fazer amigos para ter sustento e, também, tento ajudar as pessoas a crescerem através da mudança comportamental. Sonho, ainda, treinar professores em prática de ensino, quem sabe…
A Gruta surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito com potencial para me matar.
Também gosto música, literatura em geral, educação e astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei).

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