A Gruta do Lou

Armagedon da paz

 

Pacificadores

Dizem que esse mundo acabará em fogo. Recentemente e cada vez mais a crença em uma guerra, cujo nome será Armagedon, a batalha final, dado há milênios, devastará a Terra e tudo que nela há, pois será uma catástrofe nuclear global. A Bíblia fala do Armagedon como local duma guerra que preparará o caminho para um tempo de paz e justiça (Apocalipse 16,14;16) e que destruirá apenas a iniquidade. – Salmo 92,7.

Sem dúvida, a Bíblia frustra as expectativas catastrofizadoras dos catastrofizadores de plantão. Aquecimento Global, buraco na camada de ozônio, excesso de carbono pra todo lado e agora escassez de água, tudo isso contribui para a ideia de um grand finale violento, com muito sangue e sexo explícitos. Sendo assim, melhor satanizar a Bíblia, esse livro sectário e desmancha prazeres.

Há algum tempo venho pensando nisso. Armagedon da paz bíblico ou o reino Escatológico de Deus tinha como projeto a paz pela justiça. Na verdade, o império romano também almejava alcançar a paz, mas diferente da ideia bíblica com raízes em Oráculos sibilinos judaicos, uma série de profecias imaginárias que o judaísmo e, mais tarde, o cristianismo tomaram emprestadas de Roma, e usaram com muita veemência contra essa mesma tradição. Veja o que elas dizem:

“A Terra pertencerá igualmente a todos, sem ser dividida por muros nem cercas. Assim produzirá espontaneamente frutos mais abundantes. A vida será vivida em comunhão e não haverá divisão de riqueza. Pois ali não haverá pobres nem ricos, tiranos nem escravos. E ninguém mais será grande ou pequeno. Não haverá reis nem comandantes. Todos serão igualados”.

Essas informações nos foram transmitidas pela pena de dois autores, um dos quais falecido há duas semanas, Marcus J. Borg e John Dominic Crossan em seu excelente livro “O Primeiro Natal e frustram todos os seguidores de Roma que esperam a paz através da guerra e da violência enquanto contemplam os pacificadores e suas bíblias maravilhosas. Só falta acontecer.

Sob a efígie de uma paz a ser alcançada com muita luta, guerras e violência, homens, mulheres e gays têm trabalhado sob essa perspectiva, tentando implantar igualdade e fraternidade à força, até alcançar a paz. Brancos, negros e amarelos também, sem falar nos ricos, dignamente representados pelo Grupo de Bilderberg e nos pobres de Marré-de-ci de todas as periferias abaixo da linha da miséria da Terra estão se acirrando, cada vez mais, em busca da paz pela força. Todos devidamente engajados em celebrar um agradável e proveitoso Armagedon bem sanguinolento.

Essa coisa meio jesuíta da bíblia de alcançar a paz pela justiça não faz o gênero de todos esses e muito menos dos avermelhados. Aliás, para comprovar suas preferências não hesitaram em matar milhões de pessoas pacíficas ao longo de toda a história da humanidade. Bem aventurados os pacificadores porque serão chamados filhos de Deus. Pobres dos membros das igrejas neopentecostais, pois será grande sua frustração quando descobrirem que os verdadeiros filhos de Deus eram os pacificadores e não eles. Certamente dirão tudo que fizeram de benemerências entre eles mesmos e ouvirão o Senhor dizer: “Nunca vos conheci”.

Obviamente “os senhores do mundo atual” torcem com todas as suas fortunas por um mundo melhor através de um Armagedon bem bélico, pois assim poderão vender e enriquecer, ainda muito mais, fornecendo armas para essa guerra imaginada desde os tempos em que Roma foi o centro da Terra. Antes disso, farão de tudo para convencer-nos de suas razões, eliminando da Terra as religiões, a estrutura familiar e os serviços públicos de qualidade, todos a serviço do inimigo dos pacificadores.

A batalha do Har Margedon da passagem bíblica mencionada incluirá forças capazes de abalar a Terra, pelo menos naquele lugar. Entretanto, não será essa a ocasião do grand finale quando a justiça divina vencerá e se imporá finalmente. Então só haverá a paz, sem hierarquias, com diferença alguma entre os seres humanos, sejam quais possam ser. Isso implica dizer que todas as tentativas em curso, tanto as bolivarianas, Castristas, Leninistas ou Peronistas e, muito menos, as de cunho capitalista, lograrão êxito. Como ensinou o Mestre, “quando ouvirem falar de guerras… esse ainda não será o fim”.

Poderíamos até inferir um grande conflito bélico, de cunho nuclear, capaz de dizimar grande parte da população do planeta, mas o povo eleito (escolhido) para a paz pela justiça certamente seria separado em grutas e protegido desse momento, como preconizam os textos escatológicos dos evangelhos sinóticos. O povo da paz busca paz, vive pela e para a paz. São os chamados pacificadores e serão mesmo chamados os filhos de Deus.

Capricornio PB

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