A Gruta do Lou

Aprendendo a decidir

Réplica do Paternon de Atenas-Grécia em Nashville, Tennessee, Estados Unidos.

Nos últimos oito anos, escrever um blog alegrou a minha vida e, em alguns momentos, chegou a ser minha única fonte de prazer. Infelizmente, foi só um vento passante como tantos outros e, rapidamente, as pessoas partiram fugindo do inverno. Não sei se em outras línguas há continuidade. Ouço, aqui e ali, sobre a existência de mais de quinhentos milhões de blogs e fico perplexo. Minha sensação está mais para a quase inexistência dos blogs, hoje.

Dia desses, assisti à entrevista de um amigo blogueiro em um desses programas de TV na Internet, cuja ocupação principal e negócio é um blog. Se fosse no teatro, poderíamos classificar o blog dele como teatro de revista, algo de consumo fácil e com capacidade de manter as pessoas sintonizadas. O cara parece estar se dando muito bem.

Nosso caso, falo da Grotta (Era Gruta, antes), envolve um blog mais voltado à polêmica, como o rumo torto tomado pela igreja, de modo geral, os temas complexos, coisas como a existência de Deus, da vida eterna, na teologia; uma proposta mezzo anárquica em política; e certa tendência à filosofia dos velhinhos gregos, um tanto ultrapassada.

De vez em quando, arriscamos algum palpite sobre algo do dia-a-dia. Pelo jeito, um ar meio confessional copiado de Agostinho consegue atrair a simpatia, ou conseguiu durante algum tempo. Essas providências ajudaram de alguma forma. Entretanto, essa opção não funciona em termos de marketing, pois mantém a maioria da audiência possível à distância.

Paralelamente ao caminhar do blog, minha vida caminhava e caminha às duras penas, por diversas razões importantes. A meu ver, a razão de tantos desencontros tem como causa maior as “decisões equivocadas”. Viver implica em decidir o tempo todo, mesmo quando a melhor decisão é não decidir nada.

Em uma das minhas recentes decisões, por exemplo, posso ter ajudado a diminuir o tempo de vida de meu filho mais novo. Claro, minhas intenções eram as melhores, mas isso não serve como atenuante, na maioria das vezes, como nesse caso. Agora tenho uma culpa imensa para transportar até o dia final, ou sei lá até onde. Pessoal não dá mole e, vira e mexe, me lembram disso para evitar momentos menos duros para mim. Para piorar meu lado, dou razão a eles.

Entretanto essa não foi a única decisão errada de minha parte, evidente. Talvez a pior, mas antes e depois dela, tomei muitas outras decisões equivocadas e/ou precipitadas, sempre cheio de boas intenções, lógico. Começava a gostar de estar de volta a São Paulo, entretanto o capeta já tratou de lembrar-me o quanto essa decisão foi equivocada, outro exemplo.

Começou com os problemas na casa escolhida, acreditei na funcionária da imobiliária quando me informou, sem cerimônias, sobre o “excelente” estado da casa, depois das “reformas maravilhosas” realizadas pelo antigo inquilino. Mudamos e descobrimos a falácia da mulher, ou das mulheres, pois a moça só cumpria ordens de sua chefe, obnoxiamente, uma mulherzinha horrorosa, mal educada, arrogante, mal resolvida e petulante, se não incluir a desonestidade, também, em seu lindo caráter, como vim a descobrir, semana passada.

Para piorar tudo, comecei a trabalhar como corretor na mesma imobiliária, antes de conhecer o terreno a ser pisado e as pessoas envolvidas, evidentemente. Logo o conflito de interesses tornou-se flagrante e, juntando-se a isso, a proprietária da casa e a mulher mal educada são amicíssimas (declarado pela própria). Mais uma péssima decisão como se vê, fora o extorsivo valor do aluguel. A conclusão óbvia inclui uma ideia horrorosa, ou seja, talvez fosse melhor ter permanecido em Sorocaba, em uma boa casa, talvez melhor até, pela metade do preço. Mais culpa para o papai aqui levar sobre os ombros.

Longe de mim contar com a compaixão dos leitores. Continuo bem aristotélico nesse item, como dizia o sábio grego, compaixão não passa de um sentimento negativo próprio dos fracos, dirigido aos mais fracos ainda. Continuarei a receitar laxante para os acometidos desse mal, como fazia o velho mestre do Paternon.

Se alguém me solicitasse um palpite para melhorar a educação, quer em casa ou nas escolas, diria: ensinem as pessoas a pensar e a decidir. That’s it.

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