Alvos e métodos equivocados

Sei não, mas há umas gentes por aí com tendência doentia em culpar o culpado errado. É sim. Veja no caso do atentado em Paris, no último fim de semana, o Presidente francês François Hollande tratou de culpar o Grupo jihadista
Estado Islâmico e lhes declarou guerra. Os caras que protagonizaram o atentado até podem ser membros honorários do tal Estado Islâmico (que já assumiu a autoria), mas declarar-lhes guerra é equivocado. Esse grupo jihadista como qualquer outro tem compromissos de vida e morte. São todos Muçulmanos e têm, a rigor, o objetivo de reordenar o governo e a sociedade de acordo com a lei islâmica, chamada de sharia.

No entanto, os jihadistas entendem que a luta violenta é necessária para erradicar obstáculos para a restauração da lei de Deus na Terra e para defender a comunidade muçulmana, conhecida como umma, contra infiéis e apóstatas (pessoas que deixaram a religião). Há que defenda que nem todos os muçulmanos sejam violentos e quem jure que todos são ou podem ser violentos contra seus inimigos, ou seja, todos que não se pautam pela sharia.

Na nossa doutrina, falo da doutrina da Gruta ditada pelo profeta Lou – Ma-o-Me-llo, é proibido ser violento. Nossa opção é, terminantemente, pela opção da resistência pacifica sempre, porque acreditamos que a resistência pacífica sempre superou e supera as vias da violência. Nunca é demais lembrar nossa lei.

O presidente francês cometeu, a meu ver, dois erros crassos que poderão (e já estão podendo) dizimar milhares de vidas, muitas delas, totalmente inocentes. O primeiro erro foi mirar em um grupo jihadista apenas, quando todos eles têm o mesmo propósito. O segundo erro foi optar pela violência e não pela resistência pacífica.

Todos nós sabemos porque reis, ditadores e presidentes optam pela violência, ou seja, por acreditar que seus seguidores, eleitores ou obnóxios ficarão muito mais impressionados com sangue e mortes do que com bandeiras brancas. Essa opção é paradoxal porque devolve aos inimigos as mesmas ações que condenam neles.

Ninguém, nem nós grutenses com nossa proverbial verve pacifica poderíamos deixar de reconhecer que os caras têm razões seculares para todo esse ódio e rancor. Pior, sabemos que esses sentimentos hediondos foram construídos justamente como ações violentas contra eles, da parte daqueles que eles nomeiam seus inimigos, incluindo judeus e/ou cristãos, se não forem os maiores nessa pendenga.

Tudo bem se você quiser dizer que não tem nada com isso, afinal não temos culpa de termos tido ancestrais cheios de ódio e asco pelos filhos de Ismael, aquele intruso de uma figa. Ops, é só começar a falar, digo, escrever que logo embarco nesses sentimentos menores (ódio, inveja, ciúmes, etc.). O fato é que os muçulmaninhos atuais também não tem nada a ver com o que os ancestrais deles sofreram. Bom seria se sepultássemos (todos, jihadistas e judeus-cristãos) esses pecados cometidos em outras gerações e déssemo-nos as mãos para viver em harmonia, seja na França ou no Iraque, nos EUA ou no Egito, na Alemanha ou no Irã.

Claro que o Hollande não é a pessoa certa para iniciar um novo Êxodo para a paz na Terra. Isso poderia começar no meio daqueles que cultuam Deus em Jesus, por exemplo. Entretanto, temo que alguém assim ainda não tenha nascido ou se já nasceu, não está nesse meio.

A conclusão é triste, o presidente não foi capaz de evitar 129 mortes, fora os feridos (muitos gravemente) e agora quer matar muitos mais, inclusive seus conterrâneos soldados ou vítimas de futuras retaliações. Mas ser um pacificador vitorioso não é para qualquer um. Poucos foram os que assim viveram e podem ser contados nos dedos de nossas duas mãos.

lousign

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