A Gruta do Lou

Adulterando o adultério

Sei que os dias quando adulterar era algo surpreendente, para dizer o mínimo, ficaram para trás, Sem falar nas consequências inclusas nesse ato. Na bíblia, vemos Moisés envolvido em arranjar alguma solução para o problema, uns três mil anos antes de Cristo. Depois, Ele próprio, Jesus achou importante tratar do assunto com singular atenção.

Jesus foi um bom amigo das mulheres. Naquele tempo, mulheres pegas em adultério não tinham vida fácil. O melhor exemplo é a narrativa contendo o caso da “Mulher Adultera”, ocasião em que nosso Mestre literalmente salvou a vida de uma dessas senhoras, usando, tão somente, uma linda estratégia de resistência pacifica. Coisa de gente cabeça, o Senhor confrontou o bando de marmanjos, todos munidos de pedras imensas em suas mãos, cujo destino era a adultera em questão, com eles mesmos dizendo-lhes. “Tudo bem, então quem não tiver cometido pecado algum (e entendo que, nesse caso, se referia especificamente ao pecado de adultério), que seja o primeiro a lançar a pedra”.

Se por um lado tivemos ganhos tecnológicos maravilhosos, de outro, nossos dias trouxeram mudanças responsáveis pelas mais elevadas infelicidades. Nesse caso, primeiro banalizaram o amor, o sexo e a fidelidade conjugal e, assim, ficou fácil tomar o adultério como coisa de gente jurássica. Em outras palavras, adulteraram o adultério.

Pouco tempo atrás, ainda víamos, vez por outra, alguém ser penalizado em juízo por ter adulterado, independente do sexo, embora mulheres fossem mais apedrejadas, digo, condenadas, do que homens. Assassinatos de cônjuges adultos eram absolvidos sob a alegação de serem crimes passionais. Quando chegarmos ao céu, se chegarmos, poderemos alegar que isso se dava por que não tínhamos nenhum Jesus com sua irresistível Resistência Pacifica para nos defender. De qualquer forma, ninguém que se preze poderia concordar com essas incríveis violências contra a mulher, mesmo quando ela resolvia lavar roupa para fora. Nossa que comentário mais machista!

Mas gostaria de enfatizar outro lado, na verdade. Falo de como era bela a vida, mesmo com esses equívocos que obrigaram, ninguém menos que Moisés e/ou Jesus Galileu a intervir para equilibrar e impedir injustiças humanas. Esse negócio só pode ser coisa de psicólogo e advogados. Afinal são eles os únicos que ganham com essas coisas. Com os adultérios logra-se os divórcios e plim-plim no caixa dos senhores da lei. Depois, a filharada, sem falar nos cônjuges enjeitados, viram clientes eternos dos filhos de Freud, afinal os tratamentos deles nunca terminam, acho.

Fico pensando nos casos de adultério e consequente divórcio se as partes, de repente, não seriam tentadas a pensar se não estariam sendo vitimas de alguma das estratégias de marketing de nosso século. Hoje, no supermercado, a Dedé me pediu para verificar o prazo de validade de um produto. Assim que olhei a data, a luz de minha proverbial rebeldia piscou e me lembrei de que esses prazos são, com raras exceções, pura jogada de marketing. Use menos tempo e compre mais.

No caso dos adultérios, também. Quanto mais sexo fora dos casamentos, por parte dos casados, menos duração para as uniões estáveis e mais consumo através de novos casamentos. Como diria o Lourenço Stelio Rega, a Nova Moralidade anda de mãozinhas dadas como os senhores e senhoras interessados no aumento do consumo faz tempo.

Meu caro amigo ou minha cara amiga, se você está em adultério, poderá ter sido vitima de manipulação pró aumento do consumo, apenas. Jesus não anda por aí, faz tempo, e os seguidores deles não são capazes de atirar pedra alguma, pois estão todos envolvidos no mesmo tipo de problema, de um jeito ou de outro. Os que ainda não o materializaram, já acalentaram o pecado alguma vez, exceto nóis, claro. Muito menos haverá, nesse mundo de Deus, alguém com moral suficiente para chamar-nos à razão, novamente.



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