Acabe com a insegurança


Um dos pedidos mais insistentes ao governante de sua cidade, estado ou país é: Acabe com a insegurança.

Dias desses, conversando com uma das moças dos caixas do supermercado, causou-me perplexidade ela não saber que as urnas eletrônicas utilizadas em nossas eleições podem ser facilmente fraudadas e que há fortes indícios de que isso tenha acontecido nas últimas eleições presidências, em nosso país, segundo notícias veiculadas pela mídia. Pela cara dela, ela devia estar bem a par do andamento do BBB e da novela da hora. Fora isso, algumas receitas novas, e olhe lá.

Taí. Mais uma utilidade para a Teologia do Deprimido. É sim, descobri naquele ano em que dirigi uma Casa de Recuperação de Adictos em Drogadição. Depois de iniciada a desintoxicação, vinha a parte da reeducação que, na maioria das vezes, era a própria educação, mesmo. Não existem adictos capazes de abstrair.

Em minha opinião, essa é a chave do problema nos níveis do emocional e espiritual deles. Então, eles ingerem drogas para conseguirem abstrair. Alguém já disse que a droga é uma abstração. O problema é que se trata de uma falsa abstração e mais, logo depois que o efeito da droga passa, volta a realidade concreta e com ela a frustração.

A questão então é, como indivíduos incapazes de abstrair poderiam entender o que é lei ou qualquer lei específica? Eles são seres infantilizados porque só conseguem entender o que podem ver e/ou tocar, ou seja, o que é concreto. Poderíamos chamá-los de um bando de Tomés, que só conseguem acreditar naquilo que veem. E esse detalhe não é, de forma alguma, privilégio dos adictos. Está presente em toda a massa populacional do planeta, provavelmente.

Outro problema, para esses casos é que nem tudo que reluz é ouro. Não me canso de citar o filme “A Senha” (Swordfish), magnificamente estrelado por John Travolta,

John Travolta
John Travolta (Photo credit: Wikipedia)

entre outros, onde seu personagem recita, várias vezes: “As pessoas acreditam naquilo que veem”. Isso é verdade, para a maioria, com alguma diferença de um país para outro. Então, surgem os grandes ilusionistas e suas obras incríveis, geralmente para o mal. Desde Hitler, que tinha em seu homem de propaganda (Paul Joseph Goebbels)

seu principal ministro durante seu governo terrivelmente catastrófico. Era o cara que criava as ilusões com as quais o povo alemão era iludido e, portanto, manipulado, para azar dos poloneses, franceses, etc.

As últimas grandes ilusões que temos notícias são: O ataque e queda do World Trade Center e a morte de Ossama Been Laden, segundo o pessoal das chamadas Teorias da Conspiração (uma forma de desprestigiá-los). Também acho que essas duas paradas foram meras obras de ilusionismo.

Mas a maior implicação desse detalhe (de que a maioria das pessoas não conseguem abstrair) é o empobrecimento intelectual e espiritual das gerações mais recentes. Chegamos ao extremo de declarar que o mais importante no currículo escolar é estudar matemática. Dificilmente as novas gerações serão capazes de produzir gente como Bach, Beethoven, Van Gogh,

Self-Portrait, Spring 1887, Oil on pasteboard,...
Self-Portrait, Spring 1887, Oil on pasteboard, 42 × 33.7 cm., Art Institute of Chicago (F 345). (Photo credit: Wikipedia)

Renoir, Nietzsche, Cervantes, Gandhi, Dalai Lama, Bonhoeffer, Churchill ou um Abraham Lincon, entre tantos, todos de gerações passadas.

Em nossos dias nossas abstrações concentram-se nas efemeridades. Aqui no Brasil, nossas maiores abstrações dão-se via gol, no futebol, na TV e com o samba no carnaval. Abstração real só alguns são capazes de alcançar por aqui, hoje em dia, como o navegador Amyr Klink e a escritora mineira Adélia Prado, dentre os intelectuais mais conhecidos na atualidade. No meio espiritual, não consigo ver ninguém capaz de chegar à abstração, em nossos dias, a não ser quando eles juntam-se à galera para ver seus times preferidos marcando gols ou, secretamente, veem os desfiles das escolas de samba. Estamos sendo orientados espiritualmente por um monte de bestas quadradas, literalmente, salvo as exceções desconhecidas (espero ansiosamente que elas existam).

Na pratica, diria ser essa a raiz de quase todos os males que ansiamos debelar. Por exemplo, o enorme contingente de pessoas vivendo na marginalidade. Incapazes de abstrair, estágio de crescimento necessário para entender o que seja lei, eles vivem à base do olho por olho, dente por dente; ou será que você também nunca entendeu que a diferença entre o Antigo e o Novo Testamento bíblicos é justamente o fato do primeiro ser a era do concreto e o segundo a era da abstração?

Sendo assim, os poderes responsáveis por propiciar segurança à população (que também não são capazes de abstrair) só conseguem lidar com problema através de propostas concretas, como a prisão, tortura e a pena de morte. Não percebem que a chave para acabar com a criminalidade é a educação, não essa que nos oferecem, mas uma educação que seja capaz de levar o aprendiz do concreto ao abstrato, permitindo que os formandos cheguem ao nível da abstração.

Essa verdade afeta todas as áreas de nossas vidas. Não somos objetos e sim seres físicos, intelectuais e espirituais. A complementaridade disso dar-se-á sempre, quando conseguirmos chegar à fase da abstração, como já disse. A insegurança não se dá só através da criminalidade, mas nós sentimos inseguros diante da vida e das incertezas quanto o que pode haver na eternidade. Só conseguirão responder a isso aqueles que cumprirem todas as fases do crescimento, não só do crescimento físico, mas também do intelecto e do espírito.

Caso contrário, serão eternos Tomés, desses que acreditam até em urnas eletrônicas para elegerem seus governantes e, claro, vivendo em cidades inseguras, continuamente. Se as cidades fossem seguras, não haveria lucro com o crime em geral. Mas é muito difícil entender essa lógica. 

Capricornio PB

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