A vida foi feita para viver

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Moçambique


Fui para os bosques viver de livre vontade

Para sugar a essência da vida

Para aniquilar tudo o que não era vida

E para, quando morrer, não descobrir que não vivi

H. D. Thoreau


Estou convencido, completamente, que deixei a vida passar sempre esperando dias melhores, enquanto meus dias foram passando, bem à minha frente, sem que eu lhes sugasse a essência.

Talvez essa seja uma estratégia de algum inimigo cósmico, desviar nossa atenção para o futuro ou para o passado, enquanto perdemos o foco no presente. Seja como for, isso só se torna possível com a nossa cooperação.

Sei que não sou e nem fui dos piores viventes. Meu pai, por exemplo, só transpôs uma única fronteira e só viajou de avião uma única vez. Andei por aí, fui a lugares exóticos onde as pessoas não costumam ir, como a Albânia, Malawi e Moçambique, fora os lugares habituais, como Buenos Aires, Assuncion, Bogota, Santa Cruz de La Sierra, Johanesburg. Capetow, Paris, Amsterdan, Bruxelas, Genebra, Roma, Munique, Berlin, Viena, Moscou, Madrid, Lisboa, Londres, New York, Los Angeles, Atlanta, Huntsville, Louiville e Miami, onde morei um tempinho, fora outras que não me ocorrem agora.

Conheci muitas pessoas interessantes, experimentei comidas de todos os tipos, algumas deliciosas e outras nem tanto, vivenciei culturas e hábitos diferentes dos meus, sobretudo, interagi em contextos variados adquirindo experiência e conhecimento. E tudo isso está longe de ser pouco.

Mesmo assim, perdi muito tempo servindo a Mamon, como diria meu amigo Paulo Brabo. Poderia e deveria ter ido a mais lugares, conhecido mais pessoas interessantes, experimentado mais comidas exóticas e conhecido mais culturas legais. Por exemplo, não estive no Japão e nem na Índia, muito menos no Nepal e no Tibete, sem falar na Grécia e Egito. Junto com Jerusalém, um cara não pode sair dessa vida sem conhecer esses lugares. Sem falar nas experiências não vividas.

Ah, quanto invejo o Amir Klink e as navegações dele pelo Polo Sul ou o Jacques Cousteau subindo o rio Amazonas naquele barco espetacular. Acima de tudo, a troca de abraços, apertos de mão e muita, muita empatia mundo afora.

Acho que poderia ter pago muito menos, ou nada, para viver no planeta onde nasci, nas cidades onde morei e no país que ajudei a construir e preservar. Fazer o que.

Espero que meus filhos façam mais do que fiz. Entretanto, me faz mais falta o desenvolvimento do potencial humano a níveis muitíssimo mais elevados. Imagine que até hoje não fui capaz de curar uma única pessoa sequer. Tampouco realizei milagres, não mudei um único morrinho de lugar e nunca fui capaz de multiplicar alguns pães e peixes em quantidade suficiente para alimentar uma multidão de famintos.

Minhas melhores façanhas em termos de solidariedade humana foram alguns salvamentos de afogados no traiçoeiro mar da Praia Grande, no litoral paulista, a contribuição a vários alunos nos tempos de professor de educação física e nos tempos de professor de teologia em alguns seminários da vida.  Ajudei a cuidar de crianças bem pobres dirigindo duas creches, alguns anos. Queria muito ter salvado mais vidas, seja da morte, da desventura, dos amores frustrados, da mendicância ou das crises financeiras. Não tive altivez para pensar maior e fazer essas ações mais vezes, infelizmente.

Outra coisa, Deus falou muito pouco comigo, só uma ou duas vezes diretamente. Nas outras, que nem soube identificar, foi através de pessoas ou anjos e circunstâncias. Ainda bem que Ele me deu a capacidade de ver e transacionar com os alados ministradores.

O dom de profecia que o Espírito Santo me outorgou sempre foi importante, mas duro de carregar. Resta a dúvida sobre o dom do amor, há quem acredite na distribuição total, ou seja, todos deveriam tê-lo. Mas não posso afirmar que o tenha recebido. Se isso for verdade, devo tê-lo sublimado na maior parte do tempo. Falei muito com Deus, sem saber direito se Ele me ouvia. Acho que sim, ao menos algumas vezes.

Como isso não é uma carta de despedida, talvez mais uma avaliação periódica, tentarei remir mais meu tempo ainda e desfrutar dele sugando mais a vida, viajando mais, abraçando mais e amando mais. Quem sabe ainda faço uns milagres por aí ou, ao menos, uma viagem ao polo sul em barco a vela, antes de partir ou ir morar com outros missionários seniors em algum asilo  por aí.

Se não der, pelo menos passarei mais tempo com as pessoas, ouvindo-as mais, suportando-as mais e sorrindo-lhes mais. Darei mais abraços, também, daqueles bem apertados, prometo.

Se eu morresse agora, poderia dizer que, apesar de tudo, vivi um pouco, creio.

Capricornio PB

Author: Lou Mello

Olha só, pessoal assíduo na Gruta (carinhosamente grutenses) já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc.

Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. Escolas e Universidades praticam o monopólio dos diplomas e a ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá.

Valorizo muito mais os meus mentores, tais como Dr. Russel P. Shedd, Dr. Zenon Lotufo Jr. e Dr. Dale W. Kietzman.

Meu espírito é missionário. Plagiando o Amir Klink, “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para desejar estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Eu viajei e ainda pretendo viajar.

Atualmente, continuo acalentando o Projeto Corações Valentes, embora ele não tenha vingado ainda. Talvez sinta falta do Thomas, tanto quanto eu sinto.

Além de lecionar (Ef. Física e Teologia), ensinei organizações não lucrativas a fazer amigos para ter sustento e, também, tentei ajudar as pessoas a crescerem através da mudança comportamental. Sonho em treinar professores em prática de ensino, quem sabe…

A Gruta surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito com potencial para me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.

Gosto música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei).

Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável para mim, e ainda me surpreendo com as pessoas lendo meus escritos, comentando, enfim.

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