A Gruta do Lou

A vida dos mestres por eles mesmos

O mestre e o discípulo

Em meus sonhos de menino, eu era um cara legal. Nunca me vi como um perdedor. Decidi, ainda muito cedo, que seria um pai e um marido melhor, se comparado ao meu pai. Não que ele tenha sido o pior pai do mundo, certamente deve ter havido algum outro pior que ele, em algum lugar do mundo. Eu me via chegando em casa a bordo do meu carro e sendo recebido por minha esposa (já era machista, então). Imaginava nossa mesa repleta e minha esposa e eu rodeados por nossos filhos, como se fossem frutos da oliveira. Sem dúvida, éramos felizes, pois nunca sonhei com problemas, mas com a prosperidade.

Não sei quem jogou areia em meus sonhos ou em uma parte deles. Não sou suficientemente magnânimo para acreditar em macumbas e essas bobagens exotéricas ou sincretistas, afinal ninguém é perfeito. Sou mais dado a acreditar que em algum departamento celestial, alguém derramou o café na minha ficha, borrando a parte da felicidade. O item ocupação foi o mais afetado. Assim fiquei indefinido e o que quero fazer não faço, mas vivo fazendo coisas não desejadas e pouco rentáveis.

Não sei se você já percebeu, mas sou um crítico mais ou menos feroz quanto às crenças reinantes. Acredite, sou um inocente crente em Deus e seu Filho redentor. Sinto arrepios quando alguém se arvora em definir o que quer que seja a respeito desses dois personagens e suas palavras sagradas. Também não gosto das traduções e das interpretações literais. Simples assim. Se quiser me entediar, leve-me para ouvir um sermão temático, especialmente daqueles recheados de pseudo psicologia de quinta categoria, ou pior. Prefiro mil vezes comer um filé a parmegiana no Bar do Alemão, acompanhado de algumas canecas de chopp, falando sobre futebol e a última plástica da Xuxa.

Sinto que o criador interfere em minha vida de alguma forma. Sem manchar o meu livre arbítrio ou o destino de outrem, ele intervém. Não tenho o poder de fazê-lo mover-se de acordo com minhas preferências e acho que ninguém tem, igualmente. Ele me parece ser autônomo. A oração é uma forma de falar com ele dentro de mim e detesto quando me pego falando coisas que ele está careca de saber. Sabe aquela coisa do tipo: Senhor concede-me um dia feliz, amanhã, por favor, amém, ou cura o meu filho, obrigado amém. Prefiro incomodar o velhinho assim: Senhor que dia vais me dar amanhã? E levanto a sobrancelha.

Cem por cento das pessoas que atendi com problemas espirituais estavam confusas com as bobagens religiosas que haviam aprendido e a cura foi desconstruir esses castelos repletos de falsas crenças. Aprendi isso comigo mesmo. Por isso não dou valor a um conselheiro inexperiente. Os discípulos não falam, escutam seus mestres.

6 thoughts on “A vida dos mestres por eles mesmos

  1. ok, Lou, posso atrever-me a modificar teu iniciozinho de post?
    “na realidade, sou um cara legal.sou um vencedor…”
    amei teu post.
    beijos,
    alê

  2. Quando o Lou escreve, a mulherada delira!!!
    Êh cabra bom, seo!
    Vixe! Então a Xuxa fez plástica???? Mais de uma?!?!
    Meu, a gente precisa sonhar com coisas boas. É natural, já que o dia-a-dia tá cheio de m…
    Acho que o Chefe tb interfere na minha vida, mas não posso provar… quem sabe um dia tiro essa dúvida direto com o cara, meu. E outras tb.
    Mas, por enquanto, vamos levando. aos trancos e barrancos, mas vamos.
    Não é, mano?

  3. Rubinho, vamos sim, por isso é bom falar sobre as plásticas da Xuxa e futebol, pois a discussão estará garantida por horas. Claro que eu não acredito que ela tenha feito, mas há os que juram, de pés juntos, que ela fez umas seiscentas.

  4. Pingback: Lou Mello

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