A velha “Carta a um amigo”

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Tendo esgotado todas as possibilidades que qualquer um esgotaria, sempre com muitas orações, cheguei à fase do desespero, quando você se despoja de qualquer resquício de dignidade, autoestima e respeito próprio e parte para a tudo, sem se importar com humilhações, desprezos e quaisquer coisas menores. Ontem, véspera do dia D (que é hoje) enviei essa mensagem a um amigo, por E.mail. Ele tem sido o nosso mais fiel ajudador em nossas desventuras nos últimos anos. Claro, nem sempre ele está disponível e procuro não incomodá-lo, a não ser quando tudo mais falha.

 

Caro amigo

Você me ligou ontem e não consegui perceber o que você tinha em mente. Talvez tenha lembrado do meu aniversário, dia 8, embora eu saiba que você não costuma dar tanta importância para essas coisas. Aliás, eu também não ligo muito.

Bom, há certas horas que precisamos falar o que está em nosso pensamento e/ou no coração, pois não há outro jeito de comunicarmo-nos melhor.

Como você sabe, há dois anos nós adquirimos um automóvel. Foi uma ação contra tudo e contra todos, primeiro por que não tínhamos a menor chance de obter qualquer financiamento pelas vias normais, naquele momento. Precisávamos muito de um carro pois é quase impossível tratar nosso filho adequadamente ou com mais chances em favor da vida dele sem isso. Acreditávamos, naquele momento, estar sendo movidos por Deus e cheios de fé entramos na concessionária Ford e saímos de lá devidamente motorizados e recebemos aquilo como um milagre. Isso se deu porque, acima de tudo, esse carro viria a nos ajudar decisivamente na manutenção do tratamento de nosso filho, tenho certeza. Claro que o usamos para todas as nossas necessidades e, também, para meu trabalho.

A maior parte das vezes consegui pagar as prestações com o fruto do meu próprio trabalho, outras (umas cinco) minha mãe liberou e você me ajudou uma vez, com parte do valor necessário, se bem me lembro. Sei que nosso Senhor deve ter disposto o valor de alguma forma, mas não estou conseguindo ver ainda. Quem sabe você, com sua habitual sabedoria, não me dá uma dica.

Claro que um carro ainda é considerado um grande luxo e gente como eu não deveria ter um deles, mesmo que tenha todas as razões do mundo para tanto. Mas você sabe que essa não é bem a filosofia de Deus. Claro que nossas necessidades continuam sendo múltiplas, inclusive em relação ao próprio carro que precisa ser licenciado, abastecido e mantido, mas isso vem depois. Primeiro preciso mantê-lo conosco, acho.

Minha mãe, antes do natal, solicitou que não a procurássemos mais, afinal ela precisa poupar para quando ficar velha (está com 84 anos).

Talvez alguém me ligue a tempo para um serviço urgente a tempo e valor para fazer os pagamentos ou chegue uma carta da China contendo isso. É sempre assim, então vou deitar e dormir. Amanhã veremos o que há à nossa espera, na área das soluções. Certo?

Bom, era isso, fique com Deus e em paz.

Um abraço


Bom, o tempo está passando e até agora, nada. Quando fiz minha primeira viagem missionária, não tinha um tostão para as passagens e o resto. O pastor levantou uma oferta no culto, um dia antes de vencer o prazo para os pagamentos e só uma pessoa ofertou, mas ofertou o total necessário para aquela missão inteira. Sei que isso pode se repetir, mas é uma pena, porque muitos mais poderiam fazer parte e receberem seus galardões também.

Fique em paz com Deus.

Um beijo

Luiz Henrique Mello
(lou)

 

 

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