A Gruta do Lou

A Tropa de Elite eclesiástica

Juliette Binoche

Assisti, atentamente, a entrevista do programa de TV Roda Viva com o Padilha. Não se trata daquele senhor que tinha uma esposa muito bonita e o pessoal ficava dizendo para ele: “Vai p’ra casa Padilha.” Esse Padilha é o diretor e produtor do filme brasileiro lançado no último fim de semana: “Tropa de Elite“. Muito culto, o diretor demonstrou ter se preparado muito bem para fazer o filme, que se passa em meio à relação conflituosa e bélica entre traficantes marginais alojados nas favelas do Rio de Janeiro e a Tropa de Elite criada para combate-los: o “Bope”. No final, se entendi tudo direitinho, o moral da história é: “Violência gera violência”. Acontece que não vi o filme ainda. Ganhei uma cópia pirata e ainda não decidi se vou assistir ou não. Na pindaiba atual, as fitas piratas tem sido a única alternativa para ver os filmes do momento. Mas dá dó. Coitado do Padilha.

Que pensar nessas horas? Alguém diria: se a igreja funcionasse ela poderia pregar a paz nos morros favelados e isso evitaria muita violência. Mas como esperar por tal atitude desprendida de uma igreja adepta da repressão, da pena de morte e das atitudes reacionárias? Para nossos irmãos é tratar com rigor extremo (leia espancar, torturar, matar, etc.) a todos. Exatamente como nos ensinou o mestre Jesus. Não viram como ele revidou aos seus detratores e carrascos. Então, basta fazer como ele.

Pelo jeito o Padilha está mais para cristão do que nós. Boa parte da patota de Hitler era cristã. Muitos dos pastores presbiterianos do Brasil colaboraram com o regime militar, no período da ditadura. Também os papas colaboraram com Hitler e sua turminha da pesada.

Jesus, quando orou por nós, em João XVII, não tinha idéia em que nos transformaríamos. Estamos engajados em tudo o que há de pior. Nossas mulheres estão deixando os nossos lares, e seu papel fundamental na geração e educação dos filhos para, como todas as outras mulheres, roubar o espaço dos próprios maridos no mercado de trabalho e a custo menor. Nós, os maridos e pais, contribuímos aceitando, passivamente, essa mudança suicida, pois isso nos convém. Enquanto isso, nossos filhos são tragados pelos marginais da droga, em um caminho sem volta.

Depois reclamamos da violência, como se isso não fosse problema nosso.

Já me ocorreu, que as favelas serão enterradas pelos marginais. O movimento para fora delas é crescente. Ninguém aguenta mais viver entre tiros e mortes por balas perdidas ou intencionais. Tomara a idiotice e cegueira dos líderes da igreja conseguisse o mesmo intento. Afinal, que diferença há entre os traficantes cegos e a liderança atual da igreja? Só falta unir a eles o outro grupo formado de endemoninhados iguais: os políticos.

Estou tão insensível que teria prazer em ver a Tropa de Elite matando a todos esses grupos de marginais. Mas, como ensinou o Padilha em seu filme, violência gera violência. Melhor deixar a igreja naufragar sozinha, sem violência. É só uma questão de tempo.

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8 thoughts on “A Tropa de Elite eclesiástica

  1. Lou, que texto maravilhoso esse o seu.

    Você estava inspirado…

    O maior problema que vejo em nossas igrejas, é que ela fica todos os domingos sentada, ouvindo mensagens e mais mensagens. Enquanto que a mensagem do Mestre é: “Ide”.
    Hora nenhuma Ele disse que deveríamos ficar sentados como estamos fazendo em nossas igrejas. Quantas mensagens mais precisamos ouvir para nos convertermos dos nossos maus caminhos? As igrejas têm ouvido tanto que suas vidas estao monótonas, por isso, nossas igrejas estao cheias de adultério e outros problemas.

    Grande abraco e que pena que nossas férias terminram, elas estavam ótimas.

  2. Demais teu texto !! verdadeiro e verdadeiro e verdadeiro !!…( mas bem q eu gostaria de ver essa tropa de Elite aqui em Ubatuba…rsrrssss …. ai maldadae…. preciso me exocisar..kkkkkkkk)……Lou, vc não vem tomar um solzinho em Ubatuba ? adoraria ouvir vc falando “ao vivo”…… Bom Dia pra vc !!bjuss

  3. Também assisti a entrevista atentamente, apesar de não ter assistido ao filme( e quando assiti-lo, muito provavelmente, será uma cíopia pirata, por que o cinema está cobrando os olhos da cara e outros órgãos mais). Gostei dos argumentos do Padilha, que parecia tentar, inutilmente, desbanalizar a violência. Gostei do seu texto, de telespectador ativo, de leitor ativo, de vivente ativo.( Você pode até dizer que não levantou da cadeira em frente do computador, mas não negue que pensou muito, que busca entender as coisas)

  4. Ai ai ai, quantas verdades inteligentes!!!excelente texto, como te é peculiar.
    É uma honra ter o meu link aqui. Farei o mesmo com o amor cristäo e autentico que nos une.
    Beijo grande e uma semana inspirada e em paz, sem violencia!

  5. Meu caro Lou , não me surpreendo com
    algumas idéias ou movimentos. Como estivesse
    lendo jornal lido. Penso que você lembra dos fatos.
    Veja bem, se revestisse das fontes que gerou
    as idéias de kant contra o iluminismo…
    Ou seja, pelo esforço e tentativa
    de revelar algo novo (inovação) a sociedade.
    predendia dissipar as tradições das instituições
    neste sentido, acabaram numa encruzilhada. Racionalismo(razão) e empirirismo experiência) O que acontece hoje com a igreja é o mesmo.
    posso estar enganado! Depois dos rodopios, manisfestações e efusões.
    Não basta intimidade com Deus… o que virá para inovar?
    diria o mesmo que você. “É só uma questão de tempo.”

  6. O Ricardo tem razão: Juliette detona!!!
    Quem sabe a violência esvazia também as grandes metrópoles e todos voltamos ao meio rural, mais bucólico, menos tenso, mais espaçoso…

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