A Gruta do Lou

A Pobreza da Prosperidade

Sábado, Janeiro 07, 2006

 
Eu tinha um amigo, lá pelos idos da década de 70, considerado o maior vendedor de carros de Santo Amaro. Ele não era uma pessoa comunicativa. Sua característica mais visível era o alcoolismo.

Todos os dias, lá pelas 14 ou 15 horas, sentava na poltrona de seu escritório e enquanto os presentes falavam, ele dormia, chegando a roncar. Entretanto, era inacreditável como os negócios da loja dele prosperavam, apesar do pai, mesquinho, fazendo de tudo para impedir o sucesso das compras e vendas.

Não havia ali nenhum princípio de administração ou economia. Mas o dinheiro entrava. Com ele ou sem ele, bêbado ou sóbrio, com seu pai ranzinza ou o que fosse, tudo contribuía para o fluxo positivo em seu caixa.

Nos anos 90 tive o privilégio de conviver com um dos grandes adeptos da doutrina da prosperidade, um Pastor português e presidente de uma grande Igreja de abrangência transcontinental.

Passei um mês com ele em Portugal, trabalhando diariamente no processamento de dados, proveniente das suas Igrejas. Sua característica mais importante era o trabalho. Com ele não havia horário e tempo adequado para trabalhar. Trabalhávamos de dia, de noite, de madrugada e só parávamos quando a sua esposa lembrava-lhe que precisávamos descansar. Nunca descobri em que horas ele dormia.

Aprendi com ele todos os versículos e passagens bíblicas interpretadas como suporte às doutrinas da prosperidade. Não é preciso ser expert em Teologia para perceber onde ele e todos os outros teólogos da prosperidade erram. É na hermenêutica, óbvio, detalhe que eles desconhecem.

Mas o que mais me chama atenção é perceber que esses dois senhores, embora nunca tenham se conhecido, eram prósperos financeiramente e estavam muito longe de uma prosperidade real. Os dois tinham em comum certa tristeza interior, uma insatisfação jamais suprida e viviam tentando supri-la com mais dinheiro. Eles nunca entenderam a proposta de riqueza moral de Jesus Cristo. Buscaram a prosperidade empobrecedora.

A pobreza dessa “Prosperidade” está na individualização do ser humano. Para prosperar financeiramente é preciso ser incapaz de perceber as outras pessoas ao nosso lado, pois é delas que virá nosso dinheiro. É preciso vê-las como clientes ou contribuintes, jamais como criaturas de Deus. É a AMWAY cristã.

Depois de todos esses anos e experiências boas e ruins dá para afirmar: “Só é, verdadeiramente, próspero quem tem as pessoas ao seu lado, como amigos e irmãos. Quem tem a capacidade de sofrer suas dores e tomar sobre si, seus erros e enfermidades”

# posted by Lou @ 12:23 PM

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