A Gruta do Lou

A pescaria de Pedro para Jesus e para si mesmo

 O túmulo de Jesus

Jesus teve uma conversa estranha com Pedro, certa vez. Começou perguntando de quem os reis da terra cobram os impostos: dos filhos ou dos alheios? Dos alheios respondeu o discípulo. Logo estão livres o filhos, mas para não escandalizar vá pescar e o primeiro peixe que pescar, abrindo-lhe a boca encontrarás um estáter, toma-o e paga por mim e por ti.(Mt. 17: 25 – 27)

Certa vez o Siepierski e eu tivemos uma experiência tremenda baseada nessa passagem, mas creio que a maioria não acreditaria se a narrasse.

Em a Vida dos Mestres, do B. Spalding, há um ensinamento interessante sobre isso e como os mestres resolviam suas necessidades financeiras.

Gosto muito das lições de Albert Schweitzer sobre esse tema e como ele levantou fundos a vida inteira para construir aquela maravilha em Lambarene no meio da África.

Claro que não sou nem parecido com nenhum desses caras. Com uma renda infinitamente menor do que minhas despesas obrigatórias, tenho que arcar, com todas as minhas forças, com os custos do tratamento do meu filho.

Alguns amigos me incentivaram, em novembro do ano passado, a fazer uma campanha via blog e E-mails, quando descobrimos que havia algo (uma nova cirurgia) a fazer para ajudá-lo a melhorar e ganhar uma nova qualidade de vida. Naquele mês, várias pessoas contribuíram e pudemos dar o início na empreitada. No final de janeiro, repetimos a petição quando e três pessoas fizeram doações e agora em março novamente, sem nenhuma resposta. Embora uma pessoa decidisse, desde a primeira vez, fazer uma contribuição mensal por dez meses e está fazendo.

Vi nessa alternativa uma espécie de pescaria como a de Pedro, se bem que a dele era muito mais importante que a minha, pois o objetivo era pagar o imposto por ele e por Jesus. No meu caso é só para salvar a vida de meu filho, pelo menos era o que eu pensava.

Se fosse agora faria tudo diferente, ou seja, faria como ele disse a Pedro, integralmente. Pescaria por meu filho, mas vendo ele como se fosse o menino Jesus e para mim, como se eu fosse Jesus. Parece que Paulo entendeu isso também: Sede meus imitadores, como eu sou de Jesus.

Mas isso não é nada, claro. Sinto-me ridículo quando me pego querendo dar uma de espiritual. É bom lembrar o meu lugar, de vez em quando. Para piorar sou um tremendo orgulhoso e pedir esmolas me é custoso demais. Prefiro mil vezes ser um doador, mas o Pai de todos insiste em não me permiti-lo.

Imaginei um projeto em favor de todos os cardiopatas congênitos (o mesmo problema de nosso filho) pensando que assim impressionaria o Criador e ele poderia dar um tratamento especial em nosso caso. Ledo engano. Se já tínhamos um problema, arrumamos vários muito maiores e nossa miséria aumentou sobremaneira. Não sei nada sobre Deus, ou melhor, sei um monte de coisas completamente equivocadas.

Continuarei lutando, embora não tenha a menor ideia do que fazer agora. Mas já decidi não repetir essa campanha que fiz imprudentemente. Guardo uma gratidão inefável por aqueles que participaram de alguma maneira, mas não é justo envolver as pessoas em nossas dolorosas causas domésticas.

Não sei onde Deus está. Quem sabe Ele esteja em alguma organização ou empresa, mesmo que de passagem, e influencie o pessoal a me contratar, em prejuízo de algum outro consultor, mesmo que mais competente que eu, como de hábito e, deste modo, eu consiga levantar a grana que preciso para sustentar o tratamento de meu filho e ainda manter nossas contas em dia, ou menos atrasadas.

Invejo a turma da prosperidade nessas horas. Sou um anão espiritual diante deles. Mas se cumprisse a missão como se fosse aquela que ele deu a Pedro, seria um gigante espiritual, sem dúvida.

 

5 thoughts on “A pescaria de Pedro para Jesus e para si mesmo

  1. Diariamente vejo (leio) você se doando – pedaço de alma, por pedaço de alma.

    E nóis – que não passamos de patifes e maltrapilhos, só temos um caminho mesmo: depender incondicionalmente da graça.

  2. Lou,

    esse é um texto difícil de comentar.
    Mas ele transmite vida.

    Hoje, indo para o playground com minha filhinha, retomei algumas migalhas de força para voltar às minhas leituras bíblicas diárias (depois de ler Atos, caí no vazio existencial do desaperecimento do Mestre).
    Li o iniciozinho de Filipenses.
    Depois de receber mais de 200 respostas negativas, discutir com minha esposa milhares de vezes sobre o tema desemprego e ir e vir em entrevistas frustradas, uma palavra tão batida de Filipenses me tocou profundamente: “Deus dá graça e paz.”

    Concordo com o Volney. Nesses contatos virtuais do 30. grau com vocês tenho recebido de Deus esses dois elementos essenciais para minha existência – Sinal que Ele de alguma maneira ainda está por aqui.

    Abrçs fraternos,

    Rogério

  3. Lou,

    De certa forma creio que milagres devem se repetir. É que sua história se identificou no todo com a minha. Até parece plágio! Portanto, se somos submetidos às mesmas dificuldades deve ser porque milagres também podem se repetir!

    Insisto, teimosamente, em esperar em Deus! Meu espírito não me deixa esquecer que a “salvação vem de Deus”, por mais ilógico ou louco seja este pensamento. Afinal, não somos loucos para o mundo?

    Meu filho nasceu roxinho, também com um mal congênito no coração. Após 2 anos de espera, o mal “sumiu” e hoje ele tem 12 anos com plena saúde.

    Às vezes imagino-me sentado embaixo da mesa do Senhor, de onde participam, sentados e banqueteando-se, ativamente, a “turma da prosperidade”. E eu aqui em baixo, esperando que uma migalha se desprenda da mesa e venha em minha direção, onde a disputarei com os “cachorrinhos”.

    Consolo-me sabendo que o Deus em quem espero não me ignora, por mais imerecedor eu seja. No final, que espero não seja o fim e no fim, Ele se manifestará poderosamente, envergonhando quem achou que eu estava sozinho e abandonado!

  4. Almir

    Agradeço seu gesto solidário em compartilhar seu imenso milagre comigo. Sou, se não o maior, um grande espectador e crente nos milagres do Senhor. Adoraria vê-lo praticando-0s em meus caminhos, sobretudo na vida de nosso filho. A bola foi passada para Ele há vinte anos. Pode mandar que eu recebo com fogos e pompa. Grande abraço!

  5. Pingback: Lou Mello

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