A Gruta do Lou

A mensagem do sofrimento

A mensagem
A mensagem


Nos últimos três dias, vivi momentos de intensas emoções. Da angústia à euforia, da vergonha ao orgulho, da culpa ao perdão e vai por aí. Talvez isso contrarie uma série de dogmas e teologias, mas isso chegou como as águas da enchente e foi inundando todo o meu ser, devastando as coisas materiais de um lado e deixando o terreno pronto para um extraordinário crescimento e/ou desenvolvimento espiritual.

Interessante é que não perdi nada. Foi só um grande medo de perder. Meu amigo não pode me ajudar dessa vez, mas foi precisamente essa a maior ajuda que ele poderia ter dado. Estranho né, ajudar não ajudando. Na trilha espiritual encontramos cada uma… Mas foi esse ato, e nem sei qual foi a motivação dele, que propiciou uma tremenda avalanche em nossas vidas, nesses dias. Não estou falando só das muitas pessoas que se envolveram, a partir do Facebook, Twitter e outros meios da Internet, orando, propagando e contribuindo, mas de uma mudança drástica no meu campo de visão.

Tempos atrás, houve uma campanha parecida, envolvendo mais os amigos blogueiros com vários destaques, especialmente da Georgia, de quem temos saudades, sempre que lembramos daquele evento. Sem dúvida, esse acontecimento já era uma grande mensagem de Deus aos nossos corações e, talvez, não tenhamos entendido bem. No caso desses últimos dias, esse torpedo divino causou muito mais impacto, ainda, e ficou tudo bem claro, se não me engano.

Tenho falado de nosso plano de voltar a viver em São Paulo, a família toda ansiosa para ver a implementação disso logo, mas parece que a coisa vinha se arrastando, meio encantada, meio calabresa. O pessoal até faz piadas pelos cantos, com essa história. Pensam que não sei? Mas agora não tenho mais duvidas e eram elas que estavam nos segurando. Confesso que meu plano real era algo assim: arrumar tudo primeiro e depois me dedicar ao Projeto Coração Valente. Essa tese me atrasou uns vinte e tantos anos. Não, não era nada disso. “Buscai primeiro o Reino de Deus e as outras coisas lhes serão acrescentadas”. Era tão obvio, mas a Anta aqui, não entendia ou não queria entender.

Um projeto como esse não é coisa para uma andorinha solitária. Ele depende de nossa capacidade de envolver o maior número possível de participantes alados. Engraçado é que não há nada para o que eu esteja mais capacitado. Disse no post de ontem que o Torpedo de Deus tinha uma mensagem assim: “You are a fundraiser!” Escrito em inglês porque o Divino prefere se expressar na língua do Tio Sam. Ponto para o C. S. Lewis, de novo. Mas veja:

  • Engana-se quem pensa a tolice: Fundraiser = Captador de Recursos. Nada mais equivocado, um Fundraiser é, acima de tudo, um aglutinador de pessoas. Se você não tiver pessoas, jamais receberá contribuições, pois elas provém das pessoas. Foi isso que aconteceu nos últimos dias conosco, embora tenha sido só uma ínfima amostra do que está por vir. Embora tenha sido tremendo para nossa família e quem está participando.

Alias, o Projeto Coração Valente, em minha opinião, deverá se ater prioritariamente a isso, e ser parceiro dos outros projetos mais capazes na área das realizações em favor dos Cardiopatas Congênitos (e outras doenças interligadas) como Amigos do Coração (AAC), Inclusão: ampla, geral e irrestrita, Pequenos Corações, Pró Criança Cardiaca, Projeto Coração Criança. A realidade é muito abrangente e chega a ser assustadora. Essas organizações estão fazendo muito, todas além de suas capacidades normais, mas há muito mais a ser feito. Além de nossas terríveis necessidades domésticas, imagino nossa participação em favor dos cardiopatas congênitos da África e Haiti, para começar. Só para se ter uma pequena ideia do tamanho da encrenca, o Brasil, esse país com cara e corpo de continente, fazendo parte do grupo das maiores economias do planeta e com perspectivas de grandes avanços, não tem nenhum hospital dedicado aos cardiopatas congênitos, embora haja um contingente de milhões de casos a espera de atendimento minimamente eficaz. Falar em pesquisas, maior eficácia nos procedimentos, pessoal melhor treinado, atendimento humanizado, etc., é quase uma imprudência, quando se tem tão pouco.

Agora, para nós, somar capacidades em nossos intentos deverá ser prioritário. Cair na tentação de querer fazer as coisas sozinhos será o maior dos enganos. As primeiras providências precisarão incluir contatos visando somar gente da pesada, com a capacidade de ganhar pessoas à nossa causa.

Então, São Paulo aí vamos nós. Por que São Paulo? Peço desculpas a todas as demais cidades do nosso país, que abrigam esse povo sofrido e tão mal tratado, mas não tenho muito mais tempo para implementar o Projeto Coração Valente, finalmente e precisarei encurtar todos os caminhos. Além de ser nossa cidade natal, São Paulo tem muito mais recursos para nos ajudar nessa empreitada. Não tenham dúvidas, de lá olharemos com igual carinho a todos os cardiopatas congênitos do país e dos outros continentes onde Deus nos levar.

Será que esse plano faz sentido? O que você acha?

Espero que você esteja conosco, começando agora nesse empenho em solver essas nossas necessidades familiares e, a partir daí, envolver-se como puder do Projeto Coração Valente. Ajude-me a não deixar esse projeto cair no esquecimento. Faça inserções regulares no Facebook, Twitter, Orkut, etc. e persista, hoje e sempre, por favor. Posso contar com você? Fique com nossa gratidão.

Um beijo nas vossas carecas e perucas

Lou Mello

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