A Gruta do Lou

A maçã

maca

“Ordenou o Senhor Deus ao homem dizendo: De toda árvore do jardim podeis comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa “não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerá.” Gênesis 2: 16 e 17

“Não duvido, portanto, que a versão que enfatiza a maçã mágica, e reúne as árvores da vida e do conhecimento (Gênesis), contém uma verdade mais profunda e sutil do que aquela que faz da maçã única e exclusivamente um penhor de obediência.”

  1. S. Lewis em “O Problema do Sofrimento”

Fiquei um tanto interessado nessa afirmação do finado Lewis. Isso havia me ocorrido, talvez de um jeito diferente, uma ou outra vez quando passei pelo texto. Lembro quando estudamos Genesis em grupo lá na casa do Dr. Zenon Lotufo, sob minha coordenação e supervisão do Zenon e nos perguntamos quais seriam as diferenças e significados, sem chegar a nenhuma conclusão definitiva.

O Lewis afirma, logo depois dessa afirmação, não estar capacitado para tratar da questão da tal possível verdade mais profunda desse texto e opta por seguir a via que trata da obediência que, na verdade, era o que interessaria mais aos seus leitores, sobretudo os d’além mar lá na América do Norte.

Bom, mas eu sou muito mais teimoso que o Lewis e você já deve saber disso, sem falar na minha conhecida competência para tanto (sic). Então vamos lá, decifrar esse mistério levantado por esse professorzinho de meia tigela lá da Universidade Oxford e depois Cambridge.

Antes de qualquer coisa, vou tratar de perdoar a serpente (que muitos pensam ser o diabo, que nem existia naquele tempo) pois ela jamais ofereceu à mulher o fruto proibido (da árvore do bem e do mal). Veja o dialogo ocorrido naquela fatídica ocasião:

Disse a serpente à mulher:

– Foi isto mesmo que Deus disse: “Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim?” Repare bem que isso foi uma pergunta.

Respondeu a mulher à serpente:

– “Podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toque nele; do contrário vocês morrerão’”.

A serpente retrucou:

– “Certamente não morrerão! Deus sabe que no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal”.

Ah! A pergunta… como gosto dela. Pelo jeito a serpente também gosta de uma boa pergunta. A pergunta revela, desequilibra e coloca o oponente em xeque. As respostas são alternativas mais pobres, quase sempre, embora todo mundo se preocupe muito mais em responder do que perguntar. A meu favor tenho Sócrates, Platão, Galileu… só para começar, todos exímios perguntadores.

Não sei como passou despercebida a conversinha mole da serpente, por tanto tempo. O que a rastejante estava dizendo, sem mentir, era que se comessem o fruto proibido não morreriam ali, imediatamente, como de fato se deu. Não sei se eles não tivessem comido o fruto do conhecimento, naquela auspiciosa ocasião, se nunca morreriam. Ouso afirmar que, ao menos, teria sido muito mais sábio agarrar essa opção.

Aí surge um enigma a ser resolvido, a meu ver: estaria Deus dizendo ao homem e a mulher que sabedoria e conhecimento não são a mesma coisa?

A bíblia incentiva diversas vezes a buscarmos a sabedoria. Viver por princípios e movidos pelo saber, sobretudo aqueles que nos são legados do Alto.

Além disso, na primeira pergunta, a serpa já teria sido ardilosa fazendo-a de forma genérica, ou seja: Deus teria falado para não comer nenhum fruto das árvores do jardim? Assim obrigou a mulher que tu me destes a dizer que o problema era mesmo uma das árvores que estavam no meio, entre elas a do conhecimento e a da vida.

Então a serpente, agindo como tal, tratou de focar logo na árvore do conhecimento e com isso lograria a queda e, posteriormente, a morte. Se não me engano, há apoio na Bíblia para que usemos, em certas ocasiões, a astúcia de uma serpente, salpicada com a simplicidade de uma pomba, como sempre costumo fazer, obviamente.

Gosto de ver a baianada gastando a vida em frenética correria atrás de mestrados, doutorados, pós-doutorados, gogue e magogue. Meu, você vai morrer com toda essa inutilidade e não há sabedoria mais velha do que essa. Arrisco aqui um palpite, a ideia do Divino era nos incentivar a buscar a vida, sempre, ou seja, o outro fruto.

Vejo nessa metáfora dois caminhos. Deus em seu zelo pelo ser humano dá uma instrução clara a eles, não comam o fruto do conhecimento do bem e do mal, pois isso acabará lhes matando. Muito mais do que ficar muito… digamos, chateado, com o casal um (01), Ele ficou decepcionado com eles e tratou de enumerar as consequências do ato realizado.

Certamente a serpente foi quem mais se surpreendeu, pois sobrou para ela também, mas não era e nunca foi uma maldição imposta por Deus aos três e todos os seus descendentes. Foi sim a consequência por causa do pecado, o pecado de não respeitar o Criador e pai do saber. O conhecimento desnudado para eles não lhes ajudou em nada, naquele momento como pouco ajudaria a partir dali, para toda a descendência dos três.

Milhares de anos depois, Jesus Cristo veio ao mundo, bem no meio do planeta Terra e não contradisse o Pai dele. Ele não procurou os livros do padre Quevedo para entender maldições e bruxarias. Muito menos buscou e/ou incentivou as pessoas a comerem o fruto do conhecimento. Jesus de Nazaré (uma cidadezinha minguada no meio do nada), usou de sabedoria verdadeira, a saber: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” e “Tudo que quiseres que os homens lhe façam, faça também a eles”, fora outras sabedorias das quais usou e abusou, todas from God.

Claro, a sabedoria verdadeira vem do Criador, mas vem por muitas vias, inclusive podemos encontra-la em toda a criação dele, no universo, na Terra, na natureza, nos animais, nas pessoas, nos acontecimentos, etc. A sabedoria tem como companheira a verdadeira humildade e, nada disso, poderá ser encontrado em universidades.

A sabedoria está à disposição de todas as pessoas. Não tem custo, não requer ENEM ou vestibular, não é necessário disputar com ninguém e muito menos ter conexão com a internet.

Não sei se é isso ou só isso, mas imagino ser um caminho diferente em meio a tantas teologias que andam por aí. Certamente haverá vozes discordantes, em especial da parte dos mercadores de conhecimento que vendem esse lixo como se fosse sabedoria.

Ah, antes que me esqueça, como Deus previu, se comer o fruto do conhecimento, certamente morrerás. Nesse caso, como bem sabia a serpente, até ela, tratar-se-á de morte eterna. Só o fruto da vida nos dará a senha para a vida eterna, se não me engano.

lousign

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