A Gruta do Lou

A Gruta continua sim

Andaram me perguntando se a Gruta continua. Claro que sim.

Ultimamente, alguém encurtou os dias e não encontrei espaço necessário para escrever. Tenho muitos temas para desenvolver ou continuar desenvolvendo. Desde quando comecei a anotar as ideias ficou fácil. O problema é lutar contra a tendência de passar as novas ideias na frente das mais antigas. Isso deve ser algum mal congênito.

Pasmo com certos caras e suas infinitas capacidades de escrever, publicar, passar o dia no Twitter e nunca reclamarem dos preços no supermercado. Dia desses encontrei um deles e não pude deixar de notar que ele portava um Iphone, um Ipad e um Ipod, sim tudo Apple, of course. Tirando a inveja, me senti ótimo na companhia dele, embora ele tenha me tratado com superficialidades. Ele até me convidou para o próximo lançamento dele. Pensei que ainda era o anterior, mas não, ele já está lançando outro livro, 400 paginas. Pode? Dá vontade de perguntar qual é a fonte, embora isso poderia ser mera redundância, pois trata-se de um pastor, segundo ele, baticostal.

Os temas bíblicos ainda me incomodam mais. A tarefa relacionada ao Pai Nosso cresce assustadoramente. E eu com aquela ideia, velha, adquirida nos tempos em que li “Minha Vida e Minhas Ideias” de Albert Schweitzer. Esse não era um livro que gostaria de ter escrito, mas uma vida que queria ter vivido. Por muito pouco não me mudei para Labarané na África, onde ele edificou o hospital dele. “Importa acima de tudo que os indivíduos não se conformem passivamente com o seu destino, mas procurem, com toda a sua energia, afirmar a sua personalidade através de uma atividade espiritual, por mais que pesem as condições desfavoráveis”, disse o cara. Mas, como dizia, imaginei escrever a minha “Vida de Cristo”. Meu Deus, que presunção, pior, comecei a fazê-lo e, só o Pai Nosso, consome todas as minhas energias há meses.

Nesses tempos de Olimpíadas, dessa vez em Londres de novo, sinto que tenho tanto a dizer sobre esportes, Educação Física, treinamentos, táticas, ensino, nossa! Outra imensidão daquilo que preciso expulsar de dentro de mim e evitar que venha a matar-me. E ainda tem uma multidão de coisas sobre nós e nossa capacidade de solidarizar, envolver-se e a generosidade. E aí volto ao meu mundinho do qual não consigo dar conta.

Um doido invadiu meu perfil no Facebook me levando a sério e todo incomodado com minhas calúnias contra os Ps. Entre outras insanidades escreveu: “Bem para quem descende da herança do império burguês brasileiro não se pode esperar conhecer a história deste continente chamado Brasil, sentam-se em suas cadeiras de almofada, em suas salas acondicionadas exacerbam palavras de tristezas e angustiam que conta a história do sufoco da própria alma pelo que poderiam fazer mas não fizeram, pelo que poderiam ser mas não foram, pois a televisão e o ócio lhes roubou o tempo, resta-lhes apenas diminuir os outros na tentativa de igualar-se na mensuração das realizações”. Claro que algumas coisas nem fazem sentido, pois deve ter sido escrito com muita raiva. Estranho alguém ter sentimentos tão fortes contra alguém que nunca viu, não sabe da missa nem dez por cento e peca profunda e injustamente. O que ele não sabe é que, tirando algumas palavras cujo significado as proíbe de fazerem parte de seu texto, como as tais salas acondicionadas (sic), no resto ele acertou em cheio. Foi como jogar sal na ferida e, digo mais, não me canso de propagar isso por todos os meios. Quem me conhece está careca de saber que assim sou.

Embora confesse certas recaídas em favor de algo relacionado ao evangelho, em moldes próprios, não acredito que possa ser possível, nessa altura do campeonato. Se lograr colocar a casa em ordem já estará de muito bom tamanho.

Enfim, aguarde, para breve, uma enxurrada de novos textos, posts, whatevis. Tenho que encerrar agora porque terminou meu tempo de uso do nosso computador único, em nossa sala acondicionada, com cadeiras devidamente almofadadas.

Capricornio PB

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