A Gruta do Lou

A Crise do Blog

 


Depois desses anos todos (2005 – 2011) e a Gruta faz aniversário no dia do natal, como não poderia deixar de ser, confesso sentir certa tristeza ao olhar meus contadores e constatar, dia a dia, a queda do interesse do pessoal. Agora sei o que um empresário ou um ministro de finanças sente quando vê seus gráficos em uma interminável reta descendente. Brincadeira, esse sentimento eu já havia experimentado, lá atrás, quando me meti no mundo dos negócios.

Não estou muito preocupado com a qualidade desse blog, em si. O abandono dos blogs é geral. As pessoas tiveram, nos últimos anos, múltiplas escolhas e os brasileiros adoram essas alternativas, e foram pulando do blog para o Orkut, Facebook, Twitter e, agora, estão feito baratas tontas, de saco cheio e começando a tremer as mãos em “delirum tremens

Comecei a escrever uma série (Os Sete Passos que Jesus não daria em seu lugar) que pretendo escrever inteira, em espaço curto de tempo, pois já tenho todos os sete temas, enfim, e ao contrário do padrão nacional, tudo está bem planejado. Só não peguei nela nos últimos dias devido à correria dos dias presentes. Não sei se você sabe, mas é meio difícil sobreviver sem fazer parte do sistema e com os deuses em aparente desaprovação. O pessoal tende (ou prefere) ver quem vive assim como uma espécie de vagabundo irresponsável, que não quer nada com o batente. O que mais me sonegam é trabalho em uma louca contradição, digna de um comunista que acredita em democracia e, pior, acha Cuba legal.

Em minha defesa só posso dizer que não o faço por opção. Covardes como eu não se atreveriam a tanto. Isso é coisa para Jesus, João Batista, Thoreau, Gandhi, Sócrates e Martin L. King. Eu preferiria ser mais um João medíocre como tantos, desde que estivesse recebendo meu décimo terceiro salário agora, como todos, para limpar a barra e sair comprando as coisas para o natal, igual a todo mundo. Mas não fui capaz de fazer as escolhas certas, fiquei entre ser “normal” e um missionário cristão militante e acabei não sendo nem uma coisa nem a outra. Paciência. Agora é colher o que plantei, ou seja, estereótipos da análise freudiana, ou jungana, se preferir.

Com o blog cheguei a alimentar algumas esperanças, como uma Reentré. O que me atraiu à blogolândia foi a festa das palavras, o jogo do debate, a diversão, a partilha, como bem disse algum outro blogueiro doido, por aí. Muitos dos antigos conhecidos, alguns dos famosos inclusive, da comunidade sacrossanta, começaram a aparecer, deixar comentários, às vezes até elogiavam e cheguei a sonhar em ter algum livro meu publicado pela Mundo Cristão, Sextante ou Cia. Das Letras. Tão rápido quanto vieram, foram-se, como lhes é habitual, e com eles meus sonhos de verão.

Não se preocupe, sempre pensei grande e sou a prova viva de que pensar grande não é a chave do sucesso. Provavelmente, isso (o sucesso) tem mais a ver com sex appeal e eu não passei no teste dessa ciência, em nenhum dos pré-requisitos. Portanto, aqui estou com minhas aventuras, lutando contra meus moinhos de vento, enquanto vejo mais uma paixão da minha vida me traindo em favor de alguém mais bonitinho (continuo falando do blog).

Resta-me ainda alguma fé e, todos os dias, clamo por piedade como o monge cuja oração era o mantra “Deus, tenha piedade de mim ” e por misericórdia, se não por mim, por meus filhos, esposa, perro (agora mudou o nome) e calopsita. Imagino que Deus tenha motivos de sobra para ter me jogado na cesta dos perdedores eternos, embora acredite com todas as minhas forças que Ele não faria uma coisa dessas, nem comigo.

Talvez o cara, um raro amigo, que propôs a mim, ao invés do Rafinha, para capa da Time como o melhor tweetteiro da parada, tenha, sem saber, feito a melhor caridade possível a um blogueiro recalcitrante feito eu. Se tiver paciência, publiquei a foto com o tweet a que me refiro em algum dos meus posts, mas não consegui encontrar, na pressa. Claro que foi um ultra exagero dele, mas foi gostoso.

Como a crise da Europa e EUA, não acredito que a crise do blog vá passar. O blog, pelo menos, não passará. Mas irei até onde conseguir, se a Net, a KingHost, Registro Br e o WordPress permitirem.

Vemos-nos por aí.

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4 thoughts on “A Crise do Blog

    1. É verdade para a maioria dos mortais. Acho que vale lembrar, até para nos poupar ressentimentos, que sempre há e sempre haverá um certo contingente que parece estar fora dessa lógica, sem ter o que reclamar, embora reclamará, pelo menos para não levantar suspeitas.

  1. Sucesso=sex appeal. Kkkkkkk! Falou e disse. Contente-se, amigo, conosco: o fiél remanescente de leitores que não se dobraram ao sex-appeal do mundo pós-blog. Pra mim blog é o que sobrou do livro. Tweet é o blog resumido. Deus nos ajude.

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