A Gruta do Lou

A coroa real

“O indivíduo, na sua angústia de não ser culpado, mas de passar por sê-lo, torna-se culpado.”

Soren Kierkegaard ,    em “O Conceito de Angústia”

Em sua missão suicida à terra, há boa chance de Jesus ter ocultado um grande segredo: ele pretendia libertar o ser humano de suas culpas.

Claro que as religiões cristãs trataram de criar muitas inverdades sobre a missão do Filho único de Deus, nessa terra que o ser humnano há de destruir totalmente. A maior delas é essa bobagem milenar de que o tolo Galileu teria morrido por nossos pecados. Nem ele, com toda aquela bondade e generosidade seria tão pródigo assim. Jesus e o Pai dele jamais agiriam em favor do pecado. Essa conta pertence a cada pecador. Melhor colocar as barbas de molho (e nesse caso, não sei o que as mulheres farão) e juntar um tesouro onde a traça e a ferrugem não corroem, pois na hora de pagar o prejuízo, precisaremos de fundos inesgotáveis em nossa conta. Se você for tão pecador quanto eu, estará ferrado de verde e amarelo ou de azul marinho, vermelho e branco, como preferir.

Mas esses acertos não constituem o fundamental. É a culpa a maior causadora dos possíveis desastres anti – eternos capazes de nos fazer engolir enxofre pelas ventas e queimar nossas bundas “for ever”, no inverossímil inferno. Estranho isso. O Soren era mesmo um cara diferenciado. De onde ele tirou essas idéias ninguém sabe. Talvez tenha lhe feito bem chutar o traseiro de sua amada. Ele percebeu que o sentimento amor-paixão lhe deixava angustiado. Essas relações humanas para o sucesso, via de regra, causam muito mais dor do que prazer. Que o digam as eternas viúvas (bruxas) de Salém.

Depois de adquirir a culpa, seja pelo pecado ou pela angustia causada por não tê-lo cometido (o que tem de gente louca para dar uma boa pecada básica, não é brincadeira, problema é arrumar o parceiro) a vaca vai para o brejo. Daí só mesmo uma boa cruz, de madeira de lei, com um dos filhos do criador devidamente pregado nela, poderá livrar a sua cara.

Pode dar pulinho onde você quiser, o fato está consumado. Está doendo, sofrendo, estressando, deprimindo, endividando, corneando, seja lá o que for a causa da sua angustia, seu problema será um só: culpa. “Voilà!” Então é por isso que peço grana, marido, companheira, saúde, etc. e o Magnânimo não me dá a mínima? Claro sua anta cabeçuda. Ele não pode enviar mais problemas para você, razões de novas angústias.

Somos culpados, seja por nossas angústias, evidências de nossas precipitações e negligências, ou pela ausência delas, que nos faz pecadores, somos culpados e carecemos da tal Glória de Deus, uma coroa que enfeitará as cabeças de todos os culpados e angustiados pelos quais o nazareno sacrificou-se.

6 thoughts on “A coroa real

  1. A Glória de Deus,essa manifestação do mundo invísivel,nesse nosso mundo visível,permeia e permeará nossas vidas CULPADAS,ANGUSTIADAS,PECADORAS E PERDOADAS POR DEUS.Podemos ser aqui e agora a manifestação dessa Glória, mesmo”nunca sendo como deveríamos ser”.

    Não creio. Nesse mundo só mesmo as aflições. Não somos capazes de evitar ou controlar nossas emoções. Aliás, buscamos sentimentos em tudo, até em banalidades. Depois lamentamos nosso destino. Somos dependentes emocionais.

  2. Isso foi uma pregação ou é impressão minha?!

    Vc se empolgou igualzim ao meu pastor hj! rs

    Mas eu sou um pastor.

  3. Ai que eu tô querendo ficar um pouquinho longe dessa história de “culpa”. Nós mulheres sempre somos e fomos as maiores culpadas…

    Abraços

    Sinto desapontá-la nesse ponto. A culpa não é privilégio feminino.

  4. Anta cabeçuda??? Lou, você anda me espionando?

    Eu não, quanto ao Soren, não ponho minha mão no fogo.

  5. ô Lou, me responde essa, por favor.Jesus disse que no mundo teríamos aflições, mas disse também para termos bom ânimo, pois Ele venceu o mundo. Então cadê o nosso BOM ÂNIMO?? Olha só o bom ânimo do Khalil e da Laila. Manifestações da “glória” de Deus aqui.

    Há milhares de Khalils e Lailas por aí. Cada um de nós, em certos momentos, acaba sendo um, também. Deus nos anima, quando nosso motor de ânimo interno falha ou não.

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