A Gruta do Lou

A conversão do Apóstolo

Conversão de Paulo

pintura de Caravaggio de aproximadamente 1600 dC

Minha intenção aqui é fazer um breve relato de minha real conversão do cristianismo católico para o cristianismo protestante. Esse tema me veio à mente durante estudo das cartas de Paulo, talvez uma das poucas ocasiões de conversão relatadas na Bíblia, em especial, no Novo Testamento.

Acima, você vê uma pintura de Caravaggio de aproximadamente 1600 dC. Você pode ver o emaranhado escuro de corpos e o cavalo em segundo plano contrastando com o brilho e a  vulnerabilidade do corpo ajoelhado de Paulo, quase nu, o rosto coberto por mãos cruzadas, a boca aberta em que devemos supor que foi a dor causada pelo choque da cegueira momentânea.  Os tons pálidos do corpo de Paulo combinam com os tons claros do brilho do horizonte, um lembrete da luz divina que diz tê-lo cegado.

“Mas o próprio Paulo não diz que ele estava cego, ou que seu nome mudou de Saul para Paulo, ou que um homem chamado Ananias veio para ajudá-lo, ou que ele é um cidadão romano, ou que ele é de Tarso, mesmo que todos estes teriam dado a Paulo a mais emocionante e autoria da história sobre si mesmo e sobre o seu apostolado.

Essas tradições são encontradas em Atos dos Apóstolos, capítulo nove.

Lucas, que escreveu Atos dos Apóstolos. cerca de 40 ou 50 anos depois de Paulo escrever a carta aos romanos e ser enviada, como contam a história de Paulo. Paulo tem uma história dramática e isso ele admite em suas próprias cartas. Mas não está claro ser a mesma contada por Lucas em Atos. E em termos dos apóstolos, originalmente seguidores de Jesus, Paulo não esteve com eles, não no começo, pelo menos.

Bom, voltando ao apóstolo, não o Paulo do Novo Testamento, mas o velho Lou de sempre (pronto lá vem mais um louco se intitulando apóstolo), as coisas se deram de forma diferente. Em algum lugar devo ter ouvido algum maluco dizer: para ser apóstolo só se for um dos seguidores de Jesus dentre os registrados no Novo Testamento.

Tempos atrás, aproveitei para dar uma espinafrada num dos grandes nomes do nosso tempo, se não o maior, de militância missionária, o Dr. Peter Wagner, escritor e mentor de muitas e boas iniciativas missionárias. Infelizmente ele não está mais entre nós para os necessários esclarecimentos. Essa é mais uma das razões pelas quais discordo peremptoriamente da morte.

Talvez, embora não arrisque declarar, o Dr. Peter tenha sido o doador do “sim” para todos os líderes cristãos interessados em se autodeclarar “apóstolo”. Em dado momento, já velhinho, não só se auto declarou apóstolo, bem como abriu a porteira para todos os outros após ele.

Mas, e sempre pode haver um “mas” em tudo, por isso o nosso professor de Introdução a Filosofia, o notável Pr. Irland P. Azevedo, quase sempre dizia, cuidado com os advérbios tudo, todos, sempre, etc. não seja taxativo nunca, se não quiser errar e cair em descrédito.

Estudando, tardiamente, as cartas de Paulo lá com o pessoal da Universidade Harvard, acabei aprendendo o significado da palavra apóstolo do grego απόστολοs . Já sei como você está pensando agora, bastava olhar seu dicionário de grego – português, ao invés de ir até Boston, gastar uma grana afro-descendente, etc, só por isso.

Os significados de Apóstolo são: missionário, enviado e mensageiro, tanto no dicionário quanto em Harvard.  Tá certo, enfim tudo vindo de Harvard é muito melhor, não é mesmo? E daí? Daí descobri tal significado de apóstolo, ou seja, um apóstolo pode ser um mensageiro, no sentido de quem escreve uma mensagem e/ou um enviado para entregar uma mensagem e um missionário aqui e acolá. Só isso? Sim.

Cara, você até pode discordar, afinal Eva comeu a maçã e depois chantageou Adão a comer também (a chamada defesa feminina) e escancarou a possibilidade dos seres humanos discordarem, mesmo sem qualquer razão razoável, essa e milhares de outras burrices, já pedindo perdão aos burros por isso, inclusive porque eles não discordam nunca, não é mesmo?

Onde estava mesmo? Hum… Ah, lembrei. Um fato é um fato e ponto final.  Engraçado é ter percebido, após mais de quarenta anos, no meu dicionário Grego – Português uma observação abaixo do significado da palavra απόστολοs, assim: “usado  (a) num sentido limitado aos Doze e a Paulo, como autorizados fundadores do cristianismo primitivo, órgãos de revelação cristã; (b) missionários, como Barnabé, Lucas, etc; (c) Cristo como o enviado do Pai. Esses cristãos têm cada uma, né?

Nessa altura você deve estar rindo e chocado (a) com tantos erros, né mesmo? Quem escreveu essa observação só pode ter sido alguém da Teologia da Libertação, da Teologia Integral ou na Integra, comunistas, esquerdistas e militares. Tá na cara, só pode ser coisa de psicopata e/ou fascistas. D’accord?

Para não me alongar mais com minhas loquacidades frívolas, vamos à minha conversão. Antes de mais nada, esqueça qualquer regra para conversões. Tem uns caras, coitados, incapazes de viver sem um modelo bíblico para tudo, por exemplo: na bíblia não há nenhuma descrição sobre como ir ao banheiro, então, pasme, eles não vão nunca ao banheiro e fazem as coisas em qualquer lugar. Por isso eles têm aquele cheiro estranho, acho. São os tais fundamentalistas, típico nos comunistas, também.

Não, as conversões são únicas, assim como cada um de nós temos nossas peculiaridades e, apesar de sermos 7,6 bilhões no planeta Terra (sensos de 2017), não há ninguém igual com você. Nem os gêmeos univitelinos o são. Uma peça igual a você, jamais (em francês a pronuncia é jamé, igual cabra).

Como dizia, minha conversão única aconteceu em um momento único para mim. Estava na casa do seu Nelson (pai do Chiquinho, Zé Nelson, Marly e Fabiana) e do nada ele virou pra mim e soltou algo assim: É meu caro, estar sem nada é estar sem amor, sem dinheiro e sem nenhum contato com Deus.

Meu, pedi licença e fui para minha casa. Sem perder tempo e lembrando o conselho de Jesus, entrei no meu quarto, fechei a porta, ajoelhei na beira da cama, bíblia aberta e pensei, vamos ver agora quem está sem contato com Deus.  Comecei a orar, logicamente repeti a percepção do seu Nelson para o Magnânimo e Ele deve ter ficado mordido até e continuei dizendo a Ele, só saio daqui quando o Senhor me abençoar, lembrando de Isaque.

Nessa altura, já estava frequentando um igreja protestante com viés pentecostal, a tal Cristo Salva (aquela já relatada aqui, autora do meu defenestramento igrejeiro).  Acabei cochilando, estava ali há algumas horas, nem sei quantas e, de repente, acordei com uma voz me dizendo o número de um salmo, bem assim mesmo: Leia o salmo tal (não vou dar o número do salmo, como escrevi acima, conversões são pessoais.

Se falar, periga amanhã um monte convertidos com meu salmo) mas tem que ser rápido porque só há 150 salmos na bíblia, ou melhor, 149 porque um já é meu), olhei pros lados, pra cima, embaixo da cama, dentro do armário e nada, ninguém ali, muito menos no resto da casa. Estava só e muito desconfiado.  Então lembrei da abrir a bíblia no tal salmo e quase caí de costas no chão, pois ele respondia exatamente às afirmações do seu Nelson.

Lembrei da mula de Balaão dando profecia pro dono. Seu Nelson  era um senhor legal, bom pai, bom marido, trabalhador, mas entornava um mé como poucos, embora naquela noite e durante algum tempo, ele estava em abstinência. Ah, ele não era lá de ir a igrejas.  Olha, a primeira ideia a vir a minha mente naquela hora foi: conversão. Deus me comprou com o sangue de Jesus naquela noite, sem sombra de dúvidas.

Claro, na primeira oportunidade, cumpri o ritual de conversão lá na igreja, por alguma razão qualquer, o pregador naquela noite foi o Pastor Eneas Tognini, a convite do Tio Cássio, nosso pastor. Mas nem um nem o outro tiveram nada a ver com minha conversão. A partir dali, tratei de seguir a receita recomendada no meu salmo, já tinha meu trabalho; achei minha esposa e nada de mais namoradas, ficantes, etc.;

Bobeei na história da nossa casa, achei de achar outra, não aquela onde morava com minha mãe e depois entendi a burrada (com perdão dos burros, de novo) e não tive perdão, meu irmão vendeu a casa e tratou de ficar com a maior parte do dinheiro, depois de dar a parte da minha mãe e eu não recebi nada. Estava certo de receber a minha casa, afinal estava escrito no salmo. Ledo engano, eu era o maior herdeiro da casa dos meus pais (70%) e não é preciso entrar em detalhes sobre isso.

Entendi, depois, só precisava lutar por aquele imóvel e ser justo comprando a parte do meu irmão quando chegasse a hora. Certamente Deus me abençoaria nisso, pois estava escrito.  Até hoje não consegui ter minha casa, comprei terreno lá em Aroçoiaba da Serra, um baita condomínio e acabei vendendo para pagar os aluguéis da casa onde morávamos em Sorocaba.

Não sei se Deus irá reconsiderar enquanto eu viver. Tomara Ele me perdoe, não foi por mal, mas pela minha proverbial burrice (desculpem caros burros, outra vez).  Tivemos os filhos mencionados e os netos ainda não chegaram, ainda, mas é certo: ainda os verei.  Falta, também, ver a paz em Israel, mencionado no salmo. O Temer (presidente no momento e idiota o bastante para votar contra a restituição de Jerusalém como capital de Israel) já é carta marcada para se dar mal (Podemos discutir essa circunstância em outro post).

Pouco tempo após ter casado (1978), fui ungido pastor-missionário. Incluído em uma viagem missionária para verificar a liberdade religiosa em alguns países, em especial a Albânia (Nessa época era um país totalmente fechado ao capitalismo, declarado primeiro país ateísta no planeta e sob um regime ridículo denominado marxismo-leninismo).

Um domingo, antes de seguir viagem. o Tio Cássio resolveu me ungir pastor-missionário, segundo ele, porque precisaria de todos os atributos pastorais no campo missionário. Na hora achei legal, embora tenha lembrado do caso de um missionário no fim de sua vida reclamando reconhecimento da igreja. Missionários viviam pela fé, enquanto os pastores viviam em regalo…

Muitos anos depois, tendo passado pela Igreja Batista vários anos, voltei à Igreja Cristo Salva para fazer trabalhos de implantação de TI por lá. Uma noite, me dei conta de estar sem cartão do banco e dinheiro no bolso, após um sutil telefonema da Dedé. Saí andando pela igreja pra ver se achava alguma vítima e pegar algo emprestado. Quando já estava me desiludindo pensei ter ouvido algum barulho no escritório do pastor e fui dar uma olhada. A luz estava acesa e botei a cara na porta, era o Tio Cássio dando uma estudada de praxe. Depois de expressar a surpresa, perguntei se ele teria coragem de me emprestar algum com a promessa de pagar no dia seguinte.

Para minha surpresa, o pastor começou a me dar uma bela exortada, mais ou menos assim: Lou, você não deveria estar vivendo desse jeito (embora eu tivesse alguma coisinha no banco, deveria ser uma merreca para aquela noite ou pouco mais e não sei como ele sabia, talvez a sola do meu sapato estivesse me entregando ou o fusca véi, sei lá) e continuou, eu te ungi pastor, segundo a vontade de Deus e minha convicção e se você não se convencer disso, continuará sempre mendigando aqui e ali. Em seguida enfiou a mão no bolso e me deu uma graninha legal pra Dedé preparar o jantarzinho do resto da semana.

Se não me engano, até hoje não fiz segundo o pastor me exortou aquela noite, repetindo as recomendações do dia da unção. Se servir como desculpa, por onde passei na obra do Senhor, sempre fui recebido como um pastor e/ou pastor. Devo ter algum distúrbio ou complexo de inferioridade ou herdado algo dos burros.

Nessa altura você já deve estar com vontade de quebrar um prato na minha cabeça, onde se lê: você é um verdadeiro Apóstolo seu bobão, além da unção divina, houve a humana e você sempre foi um mensageiro, missionário e enviado, fora seu trabalho como professor em vários seminários.  Tá bom, seguirei seu conselho. Dé, bota uma plaquinha na porta: Consultório Apostólico. Brincadeiras à parte, creio ser o blog ou os blogs o meu principal apostolado, pois aqui estão minhas mensagens e cartas.

Afinal, nos nossos dias, blogs, e-mails e sites de relacionamento fazem a maior parte do trabalho no lugar das cartas, né? Todos os irmãos vos saúdam. Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo.

Saudação da minha própria mão, do Lou.
Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema. Maranata!
A graça do Senhor Jesus Cristo seja convosco.

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