A Gruta do Lou

A ausência de um Deus sempre presente

Mario Lino da Costa (Costinha)

Por que a Providência escondeu o seu rosto “no momento mais crítico” […] como se voluntariamente se submetesse às leis cegas, mudas e cruéis da natureza?

Fiodor Dostoievski

Estranha a ausência de um Deus sempre presente. Ele não está quando mais preciso dele. Ah! Se ele estivesse aqui, em meio a essa tormenta, os ventos não sacudiriam meu barco como agora o fazem, os trovões não teriam esse som assustador e os relâmpagos não me cegariam, assim.

Uns dizem que esse é o método pedagógico do Criador. Outros há, capazes de enxergar  a bondade e o amor de Deus em sua omissão. Sou fraco e preferiria sentir sua majestosa presença, bem ao meu lado, hoje.

Tudo bem. Manterei minhas orações inócuas e desperdiçarei minhas súplicas. Ele nunca me dirá que me omiti. Talvez cambaleie pelos balcões dos bares da zona de prostituição, mas não me deitarei com as prostitutas. No máximo, aceitarei uma bebida bem forte.

Eles continuarão rindo de mim, gritando comigo, roubando meus pertences e furtando o amor das pessoas amadas. Em meio a tantas e desvairadas negligências, a persistência salta do meu peito e mantém-me no topo da aflição. Ficarei assim até que venha, ainda que devido à minha insana insistência. Que se dane. Não me furtarei em clamar, suplicar, rogar e gritar minhas dores em seus ouvidos ensurdecidos.

Não serei tragado pelas águas, nem queimado pelas chamas da corrupção e irresponsabilidades do próximo. Eles que paguem suas dívidas quando forem cobrados.

Suportarei minhas sinas, como há muito tenho suportado. Não faz mal. Só não transigirei com o incrédulo. Ele não me deve nada. Virá porque é boníssimo e mui amantíssimo.

Salve o Rei, ainda que sumido em minha miserável vida.  

Capricornio PB

10 thoughts on “A ausência de um Deus sempre presente

  1. Lou
    Deveriam abrir espaço nas Sagradas Escrituras para mais um salmo: o seu. Me lembra Davi na sua angústia, se sentido acossado pelos inimigos e abandonado pelo Deus a quem ele nunca deixou de lançar suas súplicas. Me lembra também Jó, e especialmente uma frase daquele livro magnífico, que uso aqui como conforto, se isso é possível: EU SEI QUE MEU REDENTOR VIVE.

  2. “Diante de ti, Senhor, estão todos os meus desejos e a minha ansiedade não te é oculta”. Minha súplica desde que me entendo por gente. Ao olhar para trás, percebo que tantas coisas já foram acrescentadas e nem me dei conta de agradecer como se deve. Ah, ingratidão do meu ser!!
    Chris

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