A Arte de Desmascarar e o destino dos sábios e dos insensatos

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Então examinei todas as obras que havia feito e o trabalho que elas tinham custado para mim. E concluí que tudo é fugaz e uma corrida atrás do vento, e que não há nada de permanente debaixo do sol.
Depois examinei a sabedoria, a tolice e a insensatez, pensando: “O que fará o rei que virá depois de mim?” Fará o que já foi feito.
Então percebi que a vantagem da sabedoria sobre a insensatez é a vantagem da luz sobre as trevas.
sábio tem os olhos abertos, e o insensato caminha na escuridão. Mas logo notei que ambos têm o mesmo destino.
Então pensei: “Vou ter o mesmo destino que o insensato! Para que me tornei sábio?” E concluí que também isso é fugaz.
De fato, a lembrança do sábio desaparece para sempre, como a do insensato. Bem logo tudo ficará esquecido: o sábio morre da mesma forma que o insensato.

Eclesiastes 2: 11 – 16

Vivemos o grande conflito da sabedoria versus a insensatez. Em nossa caminhada, quanto mais vemos o insensato e a sua vergonha, maior é o nosso desespero em busca do saber. É interessante notar como o escritor dos Provérbios bíblicos aproxima o conhecimento de Deus. Ele é o princípio da sabedoria. Inevitável aqui, sermos lógicos. Se Deus é o principio da sabedoria, então ao nos aproximarmos dele a encontraremos.

Viemos para a vida com prazo de validade. Sei que se trata de clichê dos mais usados, hoje em dia. Entretanto, torna-se verdade quando assistimos ao sábio e o insensato em suas escaramuças. Embora esse não seja o meu melhor divertimento. Sou muito mais sórdido. Gosto de desmascarar. Freud diria algo assim, depois de posicionar seu charuto, que as vezes é apenas uma charuto, no canto da boca: “Sua busca pelos impostores revela o impostor que vive em ti”. Deve ter vindo daí o título e a inspiração que levou o Manning escrever aquele livro horroroso que me desnuda e exalta toda a minha indecência. Tia Noely pronunciava essa palavra com ar pernóstico, como ninguém.

Esses dias, enquanto serpenteava pelo Twitter, desmascarei o ex-ministro da educação, Cristóvão Buarque de Holanda. Quanto maior for o cara, maior será o tombo, me ensinava papai nas aulas de briga. Certamente seu pai lhe deu aulas de briga, como o meu. Nunca me esqueci daquele sábio ensinamento dele: quando lhe faltar o argumento, fecha bem a sua mão mais forte ( no meu caso a direita) mira bem o espaço entre o nariz e a boca do infeliz e crava ali o soco dos socos, antes que ele pense em fazer isso com você. É, uma ou outra vez esqueci as palavras de papai, não sei se por medo ou por esquecimento, mesmo.

Um filósofo lá das Alagoas, o Djalmir, grande amigo cibernético, me elogiou outro dia. Ele não sabia o nome da arte, mas pescou meu mestrado. Fiquei mais feliz ainda quando ele escreveu o quanto sou imbatível nela. Não encontro palavras em gaveta alguma para descrever o prazer sentido ao ler e/ou ouvir tais declarações.

Meu prazer maior, ou como diria meu amigo João lá dos tempos da PUC, o grande barato, é ler alguém ainda mais velho e mais sábio que eu concluir: “Terei o mesmo destino do insensato”.

Deus é, também, o grande mestre do desmascaramento.

lousign

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