A Gruta do Lou

A Arte de Angariar pessoas com amor e fé

Pr. Jonathan dos Santos, Carlos Siepiersky e Lou Mello em Moçambique – África

Breve curso Captação de Recursos online. Veja mais no rodapé do texto. 

A contribuição voluntária ou involuntária no Brasil ainda não encontrou seu caminho.

Até meados de 1994, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o povo brasileiro em alguns seguimentos ia mais ou menos bem com suas contribuições, embora com alguns apelos esquisitos, na maioria das vezes.

A Igreja Católica, por exemplo, praticava a “esmola” dentro da igreja, e os católicos sentiam-se muito bem doando suas menores notas de dinheiro e imaginando seu lugar no céu quando chegasse sua derradeira hora. Os espíritas sempre foram nessa mesma linha e, às vezes, até foram além em relação aos católicos. Na verdade, para a igreja católica e os espíritas era tudo uma questão teologia, e uma teologia pagã.

Falando como um teólogo, o religioso precisa bem mais do que “dai e ser-vos-á, boa medida, recalcada, sacudida, etc.” Tenho pensado em estruturar um estudo bíblico, tendo como linha mestra desde Genesis até Apocalipse, a questão do dinheiro. Jesus de Nazaré levou a questão do dinheiro muito a sério e isso está claríssimo nos evangelhos, bem como nas curas dos enfermos. Embora ainda tenha alguma dúvida, ou seja, por que Ele não curou a si mesmo? Deixou-se morrer para depois ressuscitar-se.

Jesus foi incansável com lições sobre dinheiro tendo o objetivo de mudar a perspectiva das pessoas a esse respeito. “O dinheiro é a raiz de todos os males”. Já sei, lá vem você me dizer que o coitadinho do dinheiro não é o problema, mas “o amor ao dinheiro é que a Bíblia condena”. De fato, em nossos dias lemos isso na carta de Paulo a Timóteo. Mas as muitas outras passagens sobre oSaída de Congonhas para Albânia - 1979

dinheiro são diretas a respeito dos males provenientes do dinheiro.

Mesma coisa com as curas. Nesse caso, os profetas, os juízes do povo israelita e outros nos Antigo Testamento e no Novo, Jesus e seus discípulos, eles curavam as enfermidades dos doentes. Sem remédios e, muito menos com médicos, hospitais, laboratórios e seus remédios.

De ponta a ponta do livro sagrado dos cristãos a cura era só um questão de fé, tanto quanto o dinheiro. Essa palavrinha de duas letras em português, é a solução. O que foi aquele banquete que Jesus proporcionou por duas vezes, isso no livro, sabe-se lá quantas outras vezes ele fez aquilo? Simplesmente fé. Ficou muito claro quando os discípulos questionaram essa alimentação a milhares e Jesus respondendo “vocês não entenderam ainda?” Sim, eles ainda não tinham aprendido sobre a fé. Lembram de uma das menores árvores e seu grão de mostarda ínfimo, que quando grande ela se tornava grande e exuberante, dando lugar a muitas aves aninhadas em seus galhos.

E assim vai, quando lemos nossas bíblias, nesse caso, pela linha mestra da fé.

A doação não é o caminho para a vida eterna, por mais que queiram me fazer acreditar. Para mim, o caminho é construído com “fé e amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a ti mesmo”. Quando meu filho faleceu, no dia 20 de abril de 2013, depois de uma cirurgia ( a terceira) lá na Beneficência Portuguesa, aprendi um tremenda lição, apesar da dor insuperável, pois tinha muito amor por meu filho, mas descobri, ali naquela cama onde ele já estava sem vida, que agora eu precisava de fé, não tinha o suficiente e o perdi.

Se você já trabalha em favor das pessoas necessitadas de ajuda, é excelente amá-las, mas não esqueça de cultivar a sua fé. Dinheiro, médicos, hospitais, laboratórios, remédios, etc…, são soluções humanas. As únicas possíveis para quem não conhece o Criador e seu propósito para toda a humanidade e seus amigos.

Então, e de qualquer jeito, só Ele nos salvará, com Jesus o Deus filho, com o Espírito Santo sempre conosco e Ele pronto para abrigar a todos nós.

Bom, dito isso, longo ou curto, era preciso dizer. Ajudar, contribuir, amar, etc., é excelente e deve vir sempre na frente, no trabalho da ajuda, mas você precisará ter fé, muita fé, pois você precisará compartilhar amor e fé com as pessoas que você estiver ajudando, não só as pessoas em necessidade, mas também as pessoas doadoras.

Comecei meu ministério nas missões nos idos de 1979, por acaso. Um amigo e irmão em Cristo membro da igreja apelidada de Cristo Salva, após a visitação de um grupo de missionários norte-americanos e oriundos da SGA ( Slavic Gospel Association), foi convidado a participar com eles no projeto visando alcançar estudantes dos países da Cortina de Ferro, aceitou e foi embora, isso aconteceu um ano antes.

Enquanto isso, caiu em minhas mãos o livro “O Contrabandista de Deus” do Irmão André onde descortinei em vários daqueles países onde meu amigo estava trabalhando a falta de libertada de religiosa, em especial, dos cristãos. No livro do Irmão André, ele cita a situação da Albânia, país pequeno encravado nos Bálcãs, naqueles dias, era um país totalmente tomado por um governo marxista-leninista que se autodenominava como o primeiro país ateísta do planeta.

Para minha surpresa, meu amigo me enviou uma carta (naquele tempo não havia Internet, ainda) me informando que pretendia visitar a Albânia em julho daquele ano de 1979, pois pouquíssimos missionários haviam entrado nesse país. Meu amigo completou dizendo em sua carta que estava orando a Deus por um companheiro para essa viagem, pois é como preconiza a Bíblia, receitando sempre para irem de dois em dois.

Quando li isso, senti um tremor, pois naquele tempo, trabalhava como professor de Educação Física e tinha direito a férias no mês de julho. Os astros e estrelas se alinharam a Deus e fui fazer aquela viagem missionária com meu amigo missionário. Foi uma missão tremenda. Voltei de lá, após dois meses, há 15 dias no nascimento de nossa filha e primogênita. Enfim, deu tudo certo.

No ano seguinte, encontramos o pessoal da Missão Portas Abertas em São Paulo e que havia nos ajudado com informações para conseguirmos nosso intento na Albânia. Além do próprio Irmão André, fazendo várias palestras em nossas Igrejas para angariar pessoas dispostas a fazer parte da Missão. A Portas Abertas, em seu ministério, levava bíblias para aqueles países tomados pelos comunistas naqueles dias terríveis. Boa parte das pessoas agregadas à Missão, contribuíam para a compra e entrega dessas Bíblias.

Dr. Dale W. Kietzman

O Irmão André tinha a seu lado o lendário Dr. Dale W. Kietzman, segundo o próprio Irmão André, o irmão que salvou a Missão em tempos difíceis, e tive o prazer em conhece-lo. Quando soube de nossa viagem à Albânia, marcou uma reunião comigo no escritório da Missão em São Paulo e lá fomos nós e ele nos convidou a trabalhar na Missão Portas Abertas, na base brasileira.

Estávamos em 1980, e tudo que eu tinha em missões era a experiência da missão na Albânia e a convivência com o pessoal da SGA antes e depois de irmos e voltarmos da Albânia. Mas o Dr. Dale era incrível, com um pouco de conversa, descrevi minha graduação em Educação Física e também minha experiência em desenvolvimento e marketing, trabalhando com meu pai, desde menino.

Então o Dr. Dale inaugurou o departamento de Desenvolvimento na Missão e me colocou na coordenação desse trabalho, embora até ali, não fazia a menor ideia do que faríamos. No fim da conversa ele me avisou que em sua próxima viagem ao Brasil, ele me daria um treinamento mais específico. Encerrou dizendo, nós estávamos mesmo precisando de uma pessoa com sua qualificação, antes dele terminar sua frase, antecipei perguntando o que a Educação Física poderia ajudar. Ele sorriu e completou: olha você pode ensinar alguns exercícios abdominais, etc., para o pessoas do escritório, nas horas vagas, mas o que estou pensando é na sua experiência em desenvolvimento, marketing e propaganda.

Dois meses depois, quando fui me inteirando na área de desenvolvimento, ele chegou com meu curso, uma batelada de textos cuidadosamente separados. Ele só disse para eu ler tudo aquilo e na próxima vinda dele, eu teria que dar uma palestra de meia hora no mínimo, explicando para todo o pessoal do escritório o que era o “desenvolvimento”.

Quando comecei a trabalhar na Missão Portas Abertas em São Paulo, descobri que a Missão estava recebendo uma média de 50 doações ao mês. Depois de aprender o que era “desenvolvimento com viés cristão” com o Dr. Dale, pude fazer um bom trabalho e dois anos depois estávamos com 1.500 doações por mês.

Trabalhei lá por três anos. Entre os textos que o Dr. Dale me deu para ler, havia um que preconizava: “Diretores de Desenvolvimento costumam fazer seu trabalho em no máximo 18 meses e depois, rua!” Portanto fui muito além da média. O Dr. Dale W. Kietzman, em pessoa, me dispensou da Portas Abertas.

Na hora, não entendi nada, mas após a reunião na qual ele me defenestrou, ele me disse em off que devido uma diferença enorme de pontos de vista entre eu e o idiota que era nosso secretário executivo, na época, ele achou melhor me despedir pois, certamente, conseguiria um emprego imediatamente, enquanto a anta se fosse despedida iria voltar para a oficina mecânica de onde ele veio, na melhor das hipóteses.

Você acha que nunca mais falei com ele? Errou, o Dr. Dale falou comigo até terminar seu tempo aqui na Terra, aos 92 anos. Duas semanas antes de partir, ele me enviou um E-mail me perguntando se eu não queria todo o material dele sobre desenvolvimento. Aceitei de pronto, mas ele não conseguiu me enviar, infelizmente. Não faz mal, ficou claro que ele estava me legando o domínio na área do desenvolvimento para Missões e também para todas as organizações sem fins lucrativas, religiosas ou não. Ele também não gostava de trabalhar em ONGs cujo ministério não fosse os humanos.

De 1980 para cá, montei cursos para treinar pessoal capaz de fazer um bom trabalho em suas organizações não lucrativas, religiosas ou outras, desde que aceitaram que nosso trabalho começou em igrejas através dos cristãos. Ajudei as organizações por onde passei a angariar pessoas. Trabalhei no Exército de Salvação, Esquadrão Vida de Sorocaba e nas Casas Taiguara. Fiz consultoria para muitas organizações, também. O resultado disso é que pessoas doam.

A melhor lição que o Dr. Dale W. Kietzman me legou foi jamais solicitar dinheiro às pessoas. Você pode mencionar a necessidade das pessoas que você serve, mas desde que esse dinheiro vá direto para a amenizar a necessidade mencionada. Mas isso é uma história que solicita um aprendizado, pois não é tão fácil como parece.

Além do curso ministrado a mim pelo Dr. Dale, fiz o curso da FGV e mais recentemente, um outro muito interessante na Boston University.

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Próximo Curso para Fundraiser (Captador de Recursos

Pretendo ministrar um curso em breve para pessoas que já estão trabalhando na área de Captação de Recursos e as outras que desejam trabalhar nessa área.

Esse curso será On Line, através do meu canal no YouTube. Se você estiver interessado, envie um Email (louhmello@gmail.com) para mim, informando que deseja participar, além do seu E-mail, o número do seu celular para alguma informação de última hora. Assim que o curso estiver montado eu aviso você para fazer sua inscrição e depois envio o programa para você. Ok?

Estou pensando em um valor simbólico para o curso de R$ 55,00, por mês e imaginando que será realizado em dois meses, duas aulas por semana e um montão de textos (para você baixar), livros indicados e vídeos para ver. Por fim, um certificado de participação.

Lembrança do Projeto Coração Valente

Para terminar, aí do lado há espaço para doações. No momento, estou mantendo o Projeto Coração Valente, um trabalho que tem ajudado muito famílias onde há cardiopatas congênitos, na área da informação, feito por um site (http://coracaovalente.org) e muito procurado. Ficou fora do ar alguns meses por falta de termos mais pessoas em torno dele.

Um forte abraço

Lou Mello

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