A Gruta do Lou

A Arte da Expressão Cristã Evangélica

O pregador cauteloso
Pastores precisam aprender a falar.

Evangélicos têm estado na berlinda e, se não me engano, estarão muito mais ainda, daqui para frente. Sabe, começando pelos pastores das igrejas evangélicas brasileiras, sem precisar destacar essa ou aquela denominação, afirmo sem medo de errar, que há duas coisas sobre as quais eles não fazem nenhuma ideia, embora insistam em praticá-las compulsivamente. São elas: 1) falar e 2) fazer marketing.

Pretendo abordar aqui e agora, de forma sintética, obvio, afinal isso aqui ainda é só um blog, a primeira dessas ignorâncias pastorais. A segunda pretendo postar no meu site blog de consultoria, oportunamente. Quem sabe amanhã, feriado em homenagem ao dia da Independência do Brasil, um dia inútil… para mim.

Se há uma regra ditosa específica e inapelável na Bíblia ( e ela tem milhares de outras ), sem dúvida, é aquela dada por Tiago (Tiago 3:1 – 12):

“Ora, nós pomos freios nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.

Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas por impetuosos ventos, são manobradas com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa.

Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia”…

O professor Thiago está dizendo, trocando em miúdos, para todos que tem algum juízo ficarem de boca calada, se não quiserem fazer grande mal ao próprio corpo e/ou à natureza. Com ela bendizemos a Deus e com ela amaldiçoamos os homens. Não é difícil imaginar como o que falar (usar a língua em sua função primordial) pode ser inconveniente. O problema é que, poucos são os que ouvem ou lêem com entendimento as palavras do ambicioso Tiago. Imagine ficar sem falar, ora essa!

Mas, e infelizmente, dentre os grandes falastrões, os pastores estão entre os que mais se destacam, perdendo só para os políticos e para os narradores esportivos, hoje em dia. Desde que começou a primeira década do presente século (a saber: o XXI) em quase todos os principais eventos de falações teológicas sempre os mesmos faladores falam, com poucas variações. Se não me engano, quase todos o fazem em troca de polpudo cachê. Outra regra explícita dada na Bíblia de graça: a de não mercadejar a palavra de Deus (II Cor. 2: 17). Alguns se prevalecem do fato de serem os mais disputados e inflacionam o mercado da palavra, cobrando caches altíssimos e fazendo exigências de fazer Sir Paul McCartney corar. Entretanto, a coisa não para por aí, além de falarem sem freios na língua, suas falas não são lá o que poderíamos chamar ou comparar ao Sermão da Montanha do Mestre. Na maioria das vezes não passam de falácias e/ou verborreias intermináveis, quando não é pior. Nunca na história desse país qualquer um deles recusou um convite para falar, não fosse por razão de força maior, muito maior.

Atualmente, há algumas discussões nacionais crepitantes envolvendo evangélicos diretamente ou seja, duas questões fóbicas: a homofobia e a evangelicofobia. Há alguns outros temas que eles também andam se arvorando em palpitar, geralmente no campo da macro-ética (aborto, pena de morte, eutanásia, etc.). Os senhores pastores, em especial um ou dois deles andam patinando no gelo sem patins próprios nesses temas. Tenho procurado me inteirar dos principais pronunciamentos dos lideres cristãos sobre esses tópicos e posso afirmar, sem erro, que até agora não ouvi ou li nenhum, veja bem, nenhum caso em que o falador houvesse conseguido expressar-se com algum nexo ou relevância. Quando falam ou escrevem dão tiros e mais tiros no próprio pé, sem falar, no fato de estarem afundando a eles e todos os seus seguidores no lago onde há fogo e cheiro de enxofre.

Olha, a bem de todos os líderes e pastores evangélicos, quero fazer aqui, nesse humilde blog, uma sugestão. Por que vocês todos, das diferentes denominações, ortodoxos e neopentecostais, de direita ou de esquerda, velhos ou moços, etc. não sentam-se à mesa para conversar e compor uma agenda mínima. Coisa simples como, nós cremos em Deus; em Jesus; e no Espírito Santo; que a Bíblia é a Palavra inspirada por Deus; em sexo só dentro do casamento de natureza heterossexual; e vai por aí. O que conseguirem acordar. No final, escolham, democraticamente, um “porta-voz” dos cristãos protestantes evangélicos do Brasil, alguém que e obrigue a duas coisas: 1) Quando falar em nome dos evangélicos, só falar o que reza essa agenda. 2) Não responder a nenhuma questão ou provocação que não possa ser respondida com a agenda. Fora disso, usar A Arte da Controvérsia de Schopenhauer, impreterivelmente. Os outros ficam terminantemente proibidos de se pronunciarem em nome dos cristãos evangélicos, obrigando-se a iniciar todas as suas frases com a expressão “Em minha opinião” e a terminar com a expressão “Salvo engano” sempre que fizerem declarações públicas.

Duas dicas: 1) tomar mais cuidado na escolha desse porta voz, do fizeram na última vez, pois escolheram um cara que não representava nem trinta por cento dos evangélicos e tratava-se de um dos maiores falastrões da paróquia. Não esqueçam que, conforme o último senso, os pentecostais formam a maioria dos evangélicos brasileiros, com destaque para as Assembléias de Deus. 2) Não permitir, sob hipótese alguma, que a Rede Globo ou qualquer outra rede de TV faça ou dê palpite nessa escolha.

Caso isso (ou algo assim) não ocorra, o que considero bem verossímil, sinto informar que seus opositores lograrão vitória nos debates e na aprovação das leis com as quais os argüirão no futuro. Entendo que o objetivo dos oponentes é enfraquecer a Igreja, a família, a escola, o governo e os meios de comunicação com o único intuito de aumentar o consumo global, coisa que a maioria deles nem se deu conta. Essas instituições equilibradas e coesas são nosso alicerce e estrutura. Sem elas, será o caos.


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2 thoughts on “A Arte da Expressão Cristã Evangélica

  1. Concordo com tudo que vc escreveu. Penso que você justamente você é quem deveria ser essa pessoa, nossa porta voz. Abçs

    1. Vanderlei

      Eu e meu ego fomos aos píncaros agora. Mas voltando à terra firme, sou calmo, geralmente tranquilo e bom debatedor, tenho até a sagacidade necessária para não falar o que o oponente possa desejar que eu fale, mas não sei se passaria no teste psicotécnico ao qual tal pessoa deveria ser submetida. Confesso que há alguma coisa, ou pessoa, que em certos momentos pode trazer à tona um Lou agressivo e precipitado. Petistas xiitas, p ex costumam ter esse dom. Mas agradeço cheio de orgulho a indicação e, claro, o comentário. Abração.

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