Apologia ao Exercício

Exercícios Naturais Exercícios Naturais


A intenção aqui é, apenas, escrever um pequeno texto sobre o assunto sem maiores pretensões. Talvez possa funcionar como fonte de reflexão, ao menos ou, em um estágio além, como ponto de partida para alguma forma de estudo e pesquisa.

Dia desses, por volta das 14 horas, vi uma jovem correndo como forma de exercício na ciclovia às margens do Rio Sorocaba. Por aqui, nesse horário, o sol pega de verdade, ou seja, além do exercício de alto impacto, a jovem estava se exercitando sob sol escaldante largamente anunciado como estrondosamente nocivo à saúde.

Assim voltei a pensar nessa cultura moderna do exercício. De uma forma quase indiscriminada, receita-se exercícios a todos, sem levar em conta uma série de fatores, cujo desprezo pode ser fatal. Em números não divulgados, é enorme o número de ocorrências envolvendo pessoas que estavam se exercitando. Muitas chegando a óbito, inclusive.

Adoro participar de consultas médicas onde o profissional médico receita exercícios à vitima da ocasião. Invariavelmente, essa é minha deixa para solicitar o doutor alguns exemplos de exercícios recomendados. É ai que vêm bombas de todos os tipos e dimensões. Costuma ser bem comum receitar exercícios às pessoas obesas ou com problemas de movimentação. Esses profissionais, geralmente, não gostam quando profissionais de outras áreas resolvem clinicar. Seria ótimo se eles não fizessem o mesmo com os outros.

Em minha experiência, diria que praticar exercícios físicos com fins de emagrecimento costuma ser um grande erro, na maioria dos casos, e um mito absurdo, inclusive. Alias, certo estava Paulo, o apóstolo quando disparou: “O exercício físico para pouco se aproveita“.

Os processos fisiológicos que ocasionam a obesidade ou o fenômeno inverso, o emagrecimento, são de natureza bioquímica e os protagonistas são a Mrs. Glicose e as Misses Cetonas. Aí tudo dependerá de quem conseguirá morar nas células. Mrs. Glicose costuma ter a preferência, por ser mais velha e menos tolerante, entretanto pode ser que, em alguns casos, as Cetonas, especialmente as do signo de Escorpião, se aborboletem nas células e impeçam a entrada de Mrs. Glicose. A gordura depositada nas paredes de nosso organismo e que torna-se visível é   o que chamamos obesidade.

A única forma realmente eficaz de evitar o assedio fatal de Mrs. Glicose às inocentes e virgens células é não ingeri-las. Nesse caso, é preciso saber onde ela está sem mascara, falo dos alimentos, e onde ela pode estar mascarada. O portador mais feroz de glicose, como todos sabem, é o açúcar e não vá atrás de historinhas para boi dormir sobre açúcares outros. Podem até ter menos, mas todos transportam a paradoxal Mrs. Glicose em seu bojo. Mas é sabido que os maiores transportadores de glicose para dentro de nossos corpitos são os safados dos carboidratos. Quando deixamos de ingerir glicose, principalmente através de carboidratos, abrimos caminho para provocar em nosso organismo um fenômeno denominado “Cetose” e deixo a explicação desse trem para o Dr. Fábio.

O alerta é o seguinte, glicose é um combustível vital para o ser humano e só se torna prejudicial quando ingerido em excesso ou se algo não está funcionando bem, sendo o exemplo maior a malévola Diabetes. A cetose indicada e controlada pode ajudar muito os portadores desse doença trágica.

Como você percebeu, depois de todo esse bla, bla, bla, nada falei sobre o canastrão exercício. Não vá embarcar na conversa de que sou um evangélico radical só por ter citado a frase feliz de um apóstolo qualquer. Nessa ele se deu bem, creio. Outra questão importante sobre o exercício é relacionada ao aumento voluntário dos batimentos cardíacos, a consequente alteração da PA (Pressão Arterial) e todas as outras modificações que ocorrem quando nossos batimentos cardíacos aumentam.

A luta de um bom profissional de Educação Física, ainda mais um com alguma formação em psicoteologia, como o papai aqui, deve ser justamente contrária, ou seja, nosso negócio deve ser trabalhar para que, cada vez mais, as pessoas sejam capazes de acalmar a tendência humana de elevar as batidas do coração. Esse trabalho deve começar em casa e receber importante acréscimo nos anos escolares, desde as primeiras séries. Os idiotas que diminuíram a importância da Educação Física no currículo escolar precisavam informar-se melhor e reparar esse equivoco imperdoável. Um profissional competente saberá tirar proveito dos exercícios nessa direção, ou seja, manter os batimentos em proporção baixa, mesmo durante situações agitadas dos nossos corpos. E isso é possível? Sim é.

Bom, os exercícios de alto impacto (correr, nadar, andar depressa, saltar, etc.) estão riscados da lista, a não ser que o professor de Educação Física tenha cursado a matéria na China, no Japão ou no Vietnam. Nas décadas de setenta e oitenta, século passado, um fisiologista norte americano chamado Kenneth Cooper colocou o mundo inteiro a praticar exercícios aeróbicos de alto impacto. Deve ter matado milhares mundo afora, embora ninguém o tenha responsabilizado, que se saiba. Toda uma indústria com milhares de produtos e acessórios formou-se em torno das ideias dele. Mas ele diminuiu em noventa por cento suas recomendações e hoje aconselha a rapaziada a andar e levar vida saudável. Ele mesmo, que praticou exercícios à vida toda, hoje aos 71 anos corre trinta minutos por dia e é bem magro. Mas deve ter muito mais a ver com o biótipo dele e sua ascendência do que com seus exercícios. Não aconselharia ninguém a correr trinta minutos por dia. Aliás, quem me conhece, sabe do horror que tenho a corridas. Se precisar correr estou fora.

Então, devemos abandonar totalmente os exercícios? Não, de modo algum. Tirando os exercícios de alto impacto e essas mitologias emagrecedoras ou as besteiras desnecessárias em busca de corpos sarados, outro crime contra os corpos, na maioria das vezes, ainda sobra muita coisa boa, como os alongamentos, relaxamentos e caminhadas, desde que sejam realizados como muita calma, respiração e alguém competente orientando. Um voleizinho entre amigos, jogado bem cedo ou no final da tarde, com pouco sol e sem excesso no tempo (uma hora seria ideal), duas vezes por semana pode ser legal. Nadar sem a necessidade de fazer metragens olímpicas, com intervalos seguidos sempre que os batimentos cardíacos aumentarem também pode ser bom. Bicicleta só as ergométricas e bem pianinho, parando sempre que o coração quiser saltar pela boca. Nesses casos é importante hidratar-se, pois sempre há um maior consumo de oxigênio, mas cuidado para não sobrecarregar o trabalho dos seus rins. Procure beber agua suficiente para repor as perdas, somente. Você não perderá um caminhão tanque de agua caminhando meia hora.

Para os praticantes de esportes competitivos, os preparadores deverão saber levar seus atletas aos chamados níveis espirituais, quando o cara consegue atingir o máximo sem alterações significativas em seus batimentos cardíacos.

Quem ainda está em idade de fazer sexo, cuidado. Esse é um exercício muito perigoso e você precisa prestar atenção em seu músculo cardíaco. Ele não deve ser sobrecarregado sob o risco de leva-lo dessa para melhor (ou pior). Caso você seja cardiopata ou canse muito durante essa prática, deixe a parte do exercício com sua parceira (o) e evite entusiasmos excessivos na hora do orgasmo. Viagra e seus derivados, nem pensar e esse conselho serve para todos. Quem é disfuncional em termos de ereção deve procurar um medico que entenda do tema. As senhoras que perderam a vontade desse exercício também podem estar precisando de orientação competente.

Como disse no inicio, não desejei escrever nenhum tratado, apenas abordar o assunto, principalmente em termos de desmistificar o exercício, sobretudo no que diz respeito ao exagero que se vê por aí. Espero ter ajudado de alguma maneira.

morcego-12

Author: Lou Mello

Olha só, pessoal assíduo na Gruta (carinhosamente grutenses) já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc.

Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. Escolas e Universidades praticam o monopólio dos diplomas e a ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá.

Valorizo muito mais os meus mentores, tais como Dr. Russel P. Shedd, Dr. Zenon Lotufo Jr. e Dr. Dale W. Kietzman.

Meu espírito é missionário. Plagiando o Amir Klink, “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para desejar estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Eu viajei e ainda pretendo viajar.

Atualmente, continuo acalentando o Projeto Corações Valentes, embora ele não tenha vingado ainda. Talvez sinta falta do Thomas, tanto quanto eu sinto.

Além de lecionar (Ef. Física e Teologia), ensinei organizações não lucrativas a fazer amigos para ter sustento e, também, tentei ajudar as pessoas a crescerem através da mudança comportamental. Sonho em treinar professores em prática de ensino, quem sabe…

A Gruta surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito com potencial para me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.

Gosto música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei).

Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável para mim, e ainda me surpreendo com as pessoas lendo meus escritos, comentando, enfim.

3 thoughts on “Apologia ao Exercício

    1. Felipe
      Esse post está longe de estar acabado. Preciso dizer algo positivo, depois de tanta coisa negativa. Por exemplo, o exercício pode e deve haver, mas ele precisa ser o mais natural possível, como andar calmamente ou nadar um pouco, sem ter que atravessar o Oceano Atlântico ou o Canal da Mancha.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *