A Gruta do Lou

Náufrago Urbano

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Náufrago Urbano


 

“Descobri que deveria continuar respirando e aguardar o que o mar me trouxesse.”

Frase do personagem vivido por Tom Hanks no filme “Náufrago”.

De repente percebi que vivia em uma ilha deserta, apesar de morar em uma cidade de seiscentos mil habitantes (Sorocaba), fora idas e vindas a São Paulo, uma das maiores do mundo.

Nos anos dourados do blog (2004 – 2009), ( uma era remota antes do Twitter e do Facebook popularizarem-se através da
navegação na internet, via aparelho móvel, mesmo com o Iphone não sendo acessível como aparelho de massa, e sempre há os chineses, nesse caso) experimentei algumas alegrias inesperadas, mas foi algo fugaz. Na verdade, uma deliciosa ilusão.

Voltei a estaca zero, ou melhor, ao tempos modernos acrescidos dos tais pós. Como bom náufrago que se preze, lembrei-me do Tom (o Hanks e seu personagem Fedex) e voltei a me preocupar em respirar, enquanto espero o mar trazer-me alguma novidade.

Quando era bem jovem, tínhamos uma casa meio vagabunda lá na Vila Mirim (Praia Grande) e fui muito feliz por lá. Quase todas as férias escolares, com raríssimas exceções, eu estava lá. Entre milhares de atividades, uma das que mais me dava prazer era sentar na praia e ficar olhando o mar, não importa a hora do dia ou da noite. Aquilo me fascinava. Uma vez, perdi meu pé de pato. Meu irmão veio em meu socorro, mergulhou para procura-lo e acabou encontrando uma mascara com tubo, novinhos. Fui levar o achado para a praia e acabei pisando em algo, era meu pé de pato.

O mar é assim, parece Deus, como a montanha, também é uma caricatura dele. Ele está lá, geralmente em silêncio, pois seu barulho característico não incomoda, ao contrário, soa como anúncio de boas vindas. Mas nunca devermos subestimar sua capacidade de nos trazer coisas inesperadas.

Então, passo meus dias aguardando o mar trazer a minha “vela” com a qual navegarei de minha ilha deserta, junto com minha jangada, de volta ao convívio urbano, ao meu trabalho e às realizações.

Enquanto isso, seguirei respirando, pois é o que posso fazer agora, sem depender de ninguém.

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