A Gruta do Lou

Um torpedo de Deus

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O escritor C. S. Lewis escreveu em seu livro “O Problema do Sofrimento” que o sofrimento é o megafone de Deus. Nem o Lewis e nem eu acreditamos em um Deus capaz de nos meter em grandes aflições ou sofrimentos, mas acredito que ele esteja sempre nos ensinando, inclusive nos nossos momentos difíceis.

Como todo mundo está careca e/ou todo enrugado de saber, sou um dos melhores fundraisers (um cara especializado em captar recursos, no meu caso, para organizações sem fins lucrativas, mais ainda as de natureza cristã) do Brasil, sem falsa modéstia. Entretanto, por diversas razões, essa capacidade, dom, chame como quiser, tem sido desperdiçada ao longo de meu caminhar, por razões que já nem sei se seria capaz de enumerar, por desconhece-las mesmo. Se aquele negócio que Jesus falou sobre esconder os talentos e morrer na praia estiver certo, estou ferrado.

Nos últimos anos, principalmente, desenvolvi todo tipo de argumento para me convencer que tudo isso deve ter sido um grande engano. Dia desses o Dr. Dale W. Kietzman, alguém que reputo como um dos melhores do mundo na área, me recomendou lá no Linkedin e, depois que vi aquilo lá, fiquei pensando, até ele comete erros.

Certamente, crenças como essa não contribuem muito quando estamos precisando, justamente, crer no contrário, como essa afirmação que você achou meio exagerada (para não dizer megalomaníaca) que eu seria um dos melhores fundraisers do Brasil.

Então, sua senhoria criador do céus e da terra, popularmente conhecido como Deus, resolve dar um jeitinho nessa história, a bem comum. O fato é que nem tenho utilizado meu talento em causas próprias, como o Projeto Coração Valente e nem em causas alheias, como fiz diversas vezes ao longo dos anos. Há cerca de um ano atrás, acabei indo parar em uma empresa estranha que capta recursos para projetos inexistentes, distribui parte do arrecadado entre algumas pequenas ONGs e fica com a maior parte, provavelmente nos bolsos dos donos do negócio. Fiquei lá alguns meses apenas e fui demitido por razões desconhecidas, talvez eles tenham me ouvido (gente assim utiliza câmeras e escutas, geralmente) descrevendo a maracutaia deles a alguém menos experiente por lá. Salvo algum engano, claro.

Essa experiência me fez um estrago interior danado. Tenho um site (LHMBrasil), talvez um dos primeiros do ramo, funcionando desde que a Internet começou a funcionar, e fiz muitos trabalhos originados através dele. Mas, ultimamente, ele não tem dado mais retorno. Certamente o Google o afogou. A melhor fase foi quando o site de busca mais eficaz era o Cadê, devidamente embolsado pelo Yahoo. Naquela época, não era necessário pagar para ter seu site em evidência, como esses sites fazem. Particularmente, suponho que se você não paga, eles o escondam embaixo de uma montanha de tapetes. Sem contatos, convites ou chamados, o tempo vai passando, as contas se multiplicando na taça das contas, endividamento exponencial, fora o probleminha do meu filho e pimba, o general está quem não está é o…………………, esqueceu? Dançou, vai pra merda.

Voltando a Deus e seus métodos heterodoxos, minha mãe resolve me deserdar uns dias antes do natal, ela era o nosso ultimo recurso, geralmente. Desde criança, eu só recorria ela quando nada mais funcionava. Questões de grana eram sempre com meu pai, depois avó, tios, vizinhos, empregada e por último a velha. Ela nunca incluiu filho como uma prioridade numero um, geralmente, me fazia sentir como um intruso desnecessário. Sabe a mãe do Charlie e do Alan em Two and a half man? Então, o roteirista se inspirou na minha mãe para compor aquela personagem. Pelo menos, a semelhança é incrível. Depois, alguns outros ajudadores viajam ou ficam sem condições de dar um help, claro, tudo isso após secarem todas as possibilidades trabalhistas com o suor do meu rostinho. Nesse interim, vence a segunda prestação sem pagamento do nosso carro.

Sem mais opções na minha frente, olho para meu filho e concluo: Não, desistir não é opcional para nós. Nesse momento aflora meu talento de fundraiser e me pego em plena campanha de captação de fundos, de forma ética e bíblica e em favor de uma causa que existe bem aqui, no quarto ao lado. A utilização a ser dada ao produto da campanha é apenas mero exercício de organização. Pronto, o Divino me pegou de novo. Toda essa malha de problemas serviram para Ele me torpedear de novo, apontando o caminho: Fundrising, meu velho. Acredite.

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