A Gruta do Lou

Meu Napolouzão

napoleao_desenho1 Meu Napolouzão

Estranho esse negócio. De repente, alguém que você nunca viu e, igualmente, nunca esteve conosco, sequer sabe descrever nossa configuração física e, muito menos, nossas características psicológicas e /ou culturais, sem falar do mais completo desconhecimento sobre quem somos e o que já comemos de pão amassado nas padarias do inferno, aparece e classifica um trabalho de três anos, carregado de pesquisa, observação, visitas a boa parte do aparato internético, com seus blogs mirabolantes, sites intrigantes e desde alfa até o ômega todos os possíveis e imagináveis tipos de visão e as sugestões subliminares dos colegas, de superficial.

Vou lá explico para o cara pálida do que se trata e peço um mínimo de respeito e sou classificado como ego centrado. Posso até ser. Dizem os entendidos que todos os blogueiros são egocêntricos. A questão não é essa. Me intriga o fato do cara me rotular assim sem qualquer estudo prévio. Completa asseverando que na Gruta não há maltrapilhos. Não posso mesmo jurar por todos os leitores, esse é um mundo cibernético e todos ou uma parte dos participantes podem ser personagens. Eu mesmo gosto de criá-los e mais, considero o narrador da Gruta como um personagem, muito a ver comigo mesmo, mas ainda assim alguém que sai de minha imaginação, o tempo todo. Aliás, não é só no blog, descobri ser um personagem de mim mesmo na maioria das situações da vida e isso me serviu para manter a minha sanidade. Hoje em dia, nem sei mais quem sou, tantos personagens criei, vida a fora.

Se eu estivesse presente de modo completo nas situações em que fui traído (por meus familiares, mulheres, patrões, amigos, colegas, vizinhos, etc.) estaria agora babando em algum manicômio por aí. Mas me criar como Napolouzão ou Ransés IV ajudou-me a pensar o quanto eles eram babacas em suportar tudo aquilo sem reagir, matando apenas os inocentes.

De qualquer maneira, me safei dessa também. Afinal o infeliz cheio de Ego que o cara imaginou ter ofendido não era outro, se não um tal de Lou escritor desse blog que eu inventei. No fim soou como um grande elogio. Em meu planejamento do personagem não o tinha concebido com todo esse ego. Aliás, bem ao contrário, imaginei-o fraco, covarde, picareta e nada confiável. No fim, fiz dele um ser lugar comum como qualquer comentarista esporádico, desses que aparecem vez ou outra para nos aborrecer e imaginar que o Brabo é quem está certo de novo, fechando os comentários. Se desejar situar-se veja o post causador desse furor aqui.
Engraçado é que esse post foi um dos poucos que teve alguma repercussão no exterior, e foi imprudentemente replicado por outros blogs sem qualquer solicitação ou rogo mais desesperado de minha parte.

Tudo bem, eu pretendi mandar descer fogo do céu na cabeça do infeliz, mas Jesus com aquela mania de bonzinho e misericordioso me impediu, novamente. Aquela vez lá no Getsemani ele acabou preso e crucificado por causa disso, mas parece não ter aprendido a lição. Esse sim tem o ego maior do que a cabeça. Pensa que é filho de ninguém menos que Deus. Eu estou só no começo, ainda me acho filho do seu Nivaldo.

Mas sigamos em frente. Deixemos esse filhotinho de Tonicodemus para lá.

לּהּמּ

Comments

comments

19 thoughts on “Meu Napolouzão

  1. No final das contas são esses dribles de meio de campo que fazem o jogo bonito. O gol é sempre só um detalhe. A defesa uma necessidade. A beleza está mesmo em passar a bola por entre as pernas do adversário ou dar um chapéu nele.
    Resumindo o tal de Cesar não duraria 15 min em um caverna de Adulão. Ele não tem nem idéia do tipo de gente que se reúne nessas grutas para rir e chorar da própria (má)sorte.
    Abraço saudoso, Lou,
    seu cúmplice (quase)alemão.

  2. Lou, duas coisas: primeiro, procure aí na minha ficha o meu endereço e passe pro Cesar, se é que Cesar é mesmo o nome dele. Ele está convidado pra vir aqui em casa, tomar café com o último pó da lata, acompanhado das últimas bolachas do pacote, isso tudo servido numa delicada bandeja, porque é aí que eu quero chegar: somos maltrapilhos com dignidade, o que ele teria percebido se tivesse se dado ao trabalho de ler minimamente o que escrevemos aqui. Só intelectualóide é que acha que pobre adora uma miséria, Joaosinho Trinta que o diga. Ou ele pensa que Jesus transformou água em vinho Chapinha? Gostamos de tudo o que é bom, inclusive bons blogs, e é por isso que estamos aqui, e não no blog dele. E engrutecidos mas sempre alegres é o nosso lema. E somos cultos também – sabemos transformar nossas agruras em contos, poemas, músicas, desenhos e posts, e o fazemos bem.
    Segundo: A Rede de Deus não é apenas uma idéia de um blogueiro, é profecia. Peço a Deus que me prolongue a vida, para podermos nos reunir, um dia, em meio às canecas de café que você prometeu, e lembrarmos o dia 27 de maio de 2008.

  3. Bete

    Essa parte do comentário do cara me incomodou mais do que tudo por sua causa e de boa parte da turma toda que freqüenta a Gruta. Pessoalmente conheço vários e sei o tamanho do sofrimento. Seguramente aquela taça de lágrimas mencionada em Apocalipse tem uma parte considerável dos grutenses. Quanto à parte da Rede de Deus parece que o cara nem leu. Ficou a impressão de estar interessado, apenas, em defender alguém que vestiu a carapuça quando mencionei os blogs mais estereotipados. Na verdade nem o fiz de forma agressiva, apenas tentando traçar uma linha divisória entre um e outro. Meu bloglines tem muitos desses blogs adicionados e eu até dou uma sapeada neles de vez em quando. Eles me poupam trabalho, especialmente em relação à leitura do óbvio. Lá sempre tem de sobra. Quanto ao café, não há dúvida, todos nós ainda riremos muito juntos saboreando-o, enquanto lembramos esses momentos e outros.

  4. Alice

    Estou tranquilo. De vez em quando gosto de pinçar um desses comentários. Até que esse não foi dos piores. Às vezes chegam alguns impublicáveis e nem deixo passar pois não acrescentariam nada. Todos nós conhecemos a maioria dos palavrões em português e nas línguas mais usadas, portanto não seria necessário lê-los, nem para enriquecer nosso vocabulário dessas porcarias. Quanto à ascendência de certas pessoas, estamos de pleno acordo. 🙂

  5. na verdade o indivíduo indicar “vocês” é o mesmo que reconhecer uma comunidade blogueira, medíocre ou não (pela concepção dele), mas totalmente vinculada ao incômodo. ora, se a superficialidade propagada submerge de um “bloguezinho superficial”, há também de reconhecer que superficialmente tais comentários são previsíveis e constantemente identificáveis.

    é como seguir um padrão argumentativo relacionado ao infantil: se o ‘bloguezinho’ não oferece a convicção convidativa dos imaculados por meio do leite, dê-lhes então a felicidade da chupeta.

    abçs

  6. Filipe

    Como disse o Roger, seguiremos colocando bolas entre as pernas, chapelando e driblando jocosamente quem tenta acertar o corpo, esquecendo a bola. Mesmo porque somos um bando de mentes infantis. 🙂

  7. Oi Lou.
    A pior coisa em alguns comentários é o sentimento de exclusão. A argumentação não é baseada na compreensão do outro mas sim no desejo de destruí-lo. Isso dói porque não nasce do desejo de ganhar o outro mas sim apenas ridicularizá-lo. É triste, muito trise.O caráter não deixa de ser revelado , mesmo travestido de palavras pias e doutas.
    Um abração.

  8. Maurício

    Bom você dizer isso, não consigo tratar desses casos sem sentir culpa de não ser um Gandhi, no mínimo. Sei que você se referiu à forma insensível do Cesar, mas antes mesmo de divulgar o comentário dele, pensei se não deveria responder como Jesus o teria feito. Sempre pergunto o que Jesus faria em meus passos ou em seis passos, ou em seus passos, whatever. Mas acabo achando ele meio omisso e mando ver do meu jeito, menos indulgente. Inclusive porque minha relação com o Nazareno não é das melhores. Acho que precisamos sentar para discutir nossa relação, qualquer dia. Ele e eu, olho no olho. Preciso que ele me explique bem esse negócio de dar a cara para bater e perdoar os inimigos. Enfim, nem sei o que estava querendo dizer. Esse companheiro nós já perdemos. Ainda bem que foi o primeiro, fora a Norma, claro. Tomara que aquele negócio de Deus ser misericordioso seja tudo verdade. Abração e obrigado pelo toque.

  9. Conversar é conversar. Não conversar é outra coisa. Blogs são feitos e escritos para conversar, bater papo. A figura da bola entre as pernas é 10. 😉

    Só quem está dentro da gruta enxerga o que é a escuridão e o que é sermos irmãos.

    O resto é ‘au au’ …

  10. Volney

    A Gruta é uma figura bíblica. Na verdade os escritores bíblicos, em nome de Deus, a utilizaram para nos ajudar a encontrar a nós mesmos e livrar-nos de nossos fantasmas, ficando livres para conviver com Deus. Em um mundo de YouTube, Orkut, Facebooks, MSN, etc. fica difícil entender uma linguagem tão simples, por mais incrível que pareça. Mas sigamos driblando essas incompreensões e inconsistências. Elas estarão sempre por aí. Algum dia ele poderá entender e ainda teremos que dar um abraço apertado no cara.

  11. Oi Lou
    Não estou nem me referindo a você.
    Todos nós sabemos o cuidado que você tem em responder os comentários.
    O que chateia são os caras que entram num blog só para desqualificar.
    Já recebi post me chamando de falso pastor, anticristão, incrédulo, etc.E olha que acho meu blog bem inofensivo(fico imaginando os comentários que alguns amigos devem receber).
    Tem vez, que eles chegam numa hora tão imprópria que dão uma derrubada na gente.
    É isso aí.
    Beijão na careca.

  12. Maurício

    Fique tranquilo. Entendi o que você quis dizer. Apenas aproveitei suas palavras para pensar em todas as possibilidades, inclusive tomar a iniciativa de uma atitude condescendente. Você tem toda razão, algumas pessoas tem uma atitude premeditada, voltada a desqualificar, denegrir, enxovalhar e criticar negativamente o trabalho alheio. Há uma tradução de Provérbios em linguagem atual que foi lançada pela SBB e que sumiu da praça, onde lia-se um determinado provérbio assim: “Não há como denegrir alguém sem enaltecer a si próprio“. Pena ter perdido minha cópia dessa tradução que nunca mais encontrei.

  13. Meu caro LOU, eu sei bem do que vc fala e imagino seus sentimentos por que já vivi isso e engraçado que essaspicuinhas só acontecem de forma cruel, covarde, digna de quem a articula. De forma ardilosa e vil.
    Mas acredite que tudo isso fará de vc um ser melhor.
    No entanto, fácil para mim dizer isso. O difícil é, de verdade, eu saber o que se passou na hora em que fostes apunhalado.
    Levanta a cabeça e volta por cima.
    Bjs e dias felizes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.