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Educação Física na escola para que?

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Educação Física Escolar

 

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Educação Física Escolar esportiva

Educação Física na escola para que? A pergunta que não quer calar nos meios educacionais. Do outro lado, a turma da matemática, norma culta da língua, etc.

Quando eu ainda era um menino, hoje em dia conhecido como adolescente, me encantava o trabalho dos professores de Educação Física, em minha escola. Aliás, passei todo o primário (um curso hoje conhecido como a primeira parte do ensino fundamental) invejando o pessoal do ginásio ( a segunda parte do fundamental e sem nenhum charme) porque eles tinham aulas de Educação Física e nós não. Até hoje não me explicaram esse privilégio dos meninos maiores.

Meu tio Marson, era professor de Educação Física lá em São José dos Campos e eu tinha grande alegria em passar as férias na casa dele e conviver com ele e saber sobre seu trabalho, pois além de dar aulas nas escolas, era o técnico da equipe do time basquete do Tênis Clube S.José. Além disso, foi jogador de basquete, inclusive da Seleção Brasileira e até ganhou medalhas, olímpica e mundial. Naquele época, eu nem notava a arrogância dele.

Para mim, aquele mundo da Educação Física era mágico e decidi que seria um professor de Educação Física, ainda nos tempos de ginásio. Claro que tentaram me convencer a fazer cursos menos nobres como medicina, advocacia, engenharia e astronomia, mas fiquei firme, salvo o ato falho de ter terminado o Científico (curso equivalente ao ensino médio de nossos dias, mas sem qualquer comparação em termos de qualidade, já que ensino médio, hoje, é uma bela enganação) quando já estava trabalhando na Avon (sem piadinhas sem graça por favor) e andei fazendo parte de certo curso de Administração de Empresas.

Tão logo deixei aquele antro de perfumaria, voltei ao meu eixo e fiz vestibular para Educação Física na PUC. Era a primeira turma lá. Depois de uma ano, mudaram o reitor e resolveram acabar com o curso na PUC e fomos transferidos para a FEFISA, lá em Santo André, que era considerada uma das melhores escolas na área, se não a melhor.

Quando recebi meu diploma, já era quase um velhinho, com vinte e seis anos, mas trabalhei dando aulas em pré-escolas e em clubes desde o primeiro ano. Depois disso, dei aulas em Centro de Esportes da Prefeitura, clubes da elite e em escolas estaduais e particulares. Nesse tempo andei subvertendo a profissão e fiz parte do curso de teologia até decidir me dedicar ao ministério eclesiástico e à informática.

Me ofereceram trabalho na Open Doors Mission, logo após voltar de uma viagem missionária lá pros lados da antiga cortina de ferro, e aceitei, primeiro meio período e depois tempo integral, deixando a Educação Física, de lado de uma vez. Nessa altura me desencantara com o trabalho, a falta de estrutura, o descaso e desinteresse da quase todos os responsáveis governamentais envolvidos. Ainda cheguei a voltar a dar aulas, tempos depois, mas a Educação Física que não tinha peso escolar, fora considerada proscrita junto com as Artes Plásticas, Educação Musical e Educação Moral e Cívica, com a decisão de torná-las não obrigatórias pelas autoridades (sic), como é até hoje.

Em outras palavras, priorizaram a filosofia do trabalho em detrimento do lúdico para a alegria completa da ética protestante e o espírito do capitalismo. Como alguém disse, voltamos à era industrial em plena era da revolução da informação ou pós moderna. Pior é que as antas que decidiram essa imbecilidade se achavam comunistas.

Sem falar no sonho de um menino, agora um homem com uma família com três filhos para sustentar e desempregado. Sim porque, professores de Educação Física viraram professores de academias e personal trainers., quando não animadores de festas infantis nos bufes da vida, atividade para as quais eu não tinha menor preparo, muito menos, apetite. Após sair da Missão, tentei me virar mudando de profissão, ou seja, empresário, profissional de marketing para entidades sem fins lucrativos e mecânico de computadores nos intervalos.

Entretanto, acompanho os noticiários e, perplexo, observo notícias dando conta de que a população está cada vez mais obesa. O governo, em todas as suas esferas, tem enormes problemas com a saúde, pois as pessoas adoecem demais. Os jovens, sem gosto por esportes, vivem dando problemas às autoridades e suas famílias, pois a opção são os bailes funk, as drogas, assaltos, etc., e tudo isso custa caríssimo aos cofres públicos, sem contar as vidas perdidas precocemente e a falta de motivação para outras atividades lúdicas como as artes em geral, que precisam de praticantes em boa foram física. O que é o funk, se não a busca pelo lúdico dos exercícios, dos jogos e das artes.

Claro que a Educação Física da bola, aquela que o professor joga uma bola qualquer para os alunos no começo da “aula” e deixa os caras se matarem sozinhos com ela, enquanto vai sabe-se lá para onde. Educação Física era uma atividade que começava com um exame biométrico, coordenava um bem planejado desenvolvimento físico durante o desenrolar dos cursos escolares, com avaliações frequentes e muita competência, pelo menos esse era o meu trabalho. Também ensinava os esportes, não futebol apenas, mas com ele incluso, levava os alunos a conhecerem todas as opções possíveis, com estudos do meio inclusos, sem dúvida.

Quando alguém vai ao médico e seu corpo não está bem, entre medicamentos e cirurgias, o que esses profissionais costumam recomendar? Não seriam os exercícios, a boa alimentação, o valor do descanso e essas bobagens com as quais a Educação Física deveria se preocupar? Ou será que seu médico lhe recomenda praticar mais matemática ou língua portuguesa? Já sei, o seu prefere mais Biologia, física e química né? Quem sabe trocar tudo por um bom fim de semana no funk da periferia?

Se os imbecis que dirigem ou sei lá o que na nossa “Educação” tivessem um mínimo de noção sobre o que pensam entender, trariam a Educação Física de volta às escolas, junto com Artes Plásticas, Música, etc., correndo mas não como um complemento, mas como matérias essenciais e valendo nota, tanto quanto as outras bobagens que eles endeusam. Afinal, com o que gastamos a maior parte de nossas vidas, se não com o corpo? Sem falar que é ele que determinará quanto e como viveremos. Salvo enganos, claro.

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