A Gruta do Lou

Jesus na Rede

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Creio viver em uma época fantástica. Se por um lado, me encontro nas teses de Marcel Proust, como um herói de meu passado, que considero um tempo espetacular, onde há amor, iluminação, viagens missionárias à África e à Albânia Marxista Leninista, esportes, humor a valer, relacionamentos inigualáveis, etc., por outro, desejo me encontrar na vida presente na mesma plenitude vivida até aqui.

Alguns pensam que as adversidades poderiam ou não deveriam ter feito parte, mas confesso que elas acabaram sendo bem vindas, todas elas. Na década de oitenta, um escritor russo, dissidente do regime soviético da época, precisou escrever mais de oitocentas páginas para emplacar uma frase: “Prisão, tu fostes bem-vinda em minha vida”.

Isso se deu, não por acaso, mas devido ao reconhecimento da importância do herói da vida dele ter sofrido e sobrevivido à adversidade. Zonas de conforto não engrandecem, ao contrário, fazem de nós bichos preguiças insustentáveis.

Passado resolvido com a volta gloriosa com pompa e honra, me ocupo do presente e vejo oportunidades únicas na história para dar cumprimento a utopia de Jesus. A maior delas, a meu ver, é a possibilidade de vida inteligente via rede, aqui e agora. Mas há muita gente rancorosa e preconceituosa que acredita só ser possível a vida em guetos. Esse fenômeno é ainda maior entre os evangélicos, dos ortodoxos aos neo-pentecostais.

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Jesus (Photo credit: Wikipedia)

Me vejo como aquele cara que é um dos poucos a marchar com passo certo no pelotão de infantaria, em meio ao desfile no dia da independência. Mesmo assim, ouso dizer que Jesus não faria o que nós estamos fazendo entre nós. Cara, chego a marejar meus olhos quando vejo meus irmãos em Cristo, independente de suas confissões,  se avacalhando mutuamente. Nesses momentos, me arrependo de ter feito o mesmo em tantas oportunidades.

Espero que tenham percebido meu objetivo real nessas oportunidades, ou seja, estava pedindo socorro, apenas; em busca de um pouco de sol ou uma mísera oportunidade que caísse da mesa dos maiorais, em forma de migalhas. Sabe, essa  gente não ouve bem e se você não fizer barulho, seja via TV-internet, seja via blog, correrá o risco de não ser notado. Mas tratarei de me conter mais.

 

 

Quando Paulo, apóstolo, nos incitou a termos todos a mente de Cristo, nem de longe, estaria sugerindo que vivêssemos rezando um único mantra até que a morte nos separasse. Nem Jesus ousou pensar tal disparate. A mesma mente era o alvo supremo de, livres do pecado, morarmos eternamente na mansão celestial, finalmente.

Aqui, nesse planetinha água, perdido em meio a um universo incomensurável, viveremos com o contraditório. E daí? Por acaso você concorda com o que pensam todos os seus amigos de Facebook ou do Orkut? E no Twitter, onde você é mais facilmente encontrado, com certeza, todo mundo fala a mesma coisa?

Jesus só desejava que tirássemos o pecado do nosso meio, pois isso nos permitiria viver mais amigavelmente. Já pensou se conseguimos viver sem mentir, ou pelo menos, mentindo pouco? Se não roubássemos uns aos outros?

Sim, por que quando denegrimos a reputação dos nosso companheiro de caminhada vivente, estamos roubando-lhe algo que ele tem de mais importante nessa vida. Melhor ainda se conseguíssemos banir a prática de matar nossos semelhantes, de nosso meio. Não é?

 

Inclusive essa mania de querer diminuir a população à base de vacinas premiadas, alimentos transgênicos portadores de células cancerígenas, flúor batizado na água e, claro, muita poluição do ar. Mas entre os piores pecados, se isso for possível, sem dúvida, está os que praticamos com um dos menores órgãos do corpo, a língua, como diria o glorioso Thiago. Não é mesmo?

O Mestre sabia que por aqui teríamos grandes aflições, mas nos deixou a mensagem positiva de que era possível amenizar a coisa toda. Talvez ele lesse os livros de Auto-Ajuda, ou coisa assim.

Fico pensando, e muito, que força seriamos se nos uníssemos em uma única rede, apesar de nossas diferenças. No mundo convivemos com víboras da pior espécie, como essa canalhada que se locupleta na política e de outro lado, passam por nós gente como Madre Tereza de Calcutá, Dorothy Stain, Daniel Fresnot, Betinho, o Exército de Salvação, etc.

Andar junto, sem preocupar-se em evidenciar o que já é evidente, pode ser a força capaz de nos aproximar. Presbiterianos do Brasil, neo-ortodoxos, liberais, pentecostais e neo pentecostais podem compartilhar esse mundo juntos, apesar de suas discordâncias.

Se Deus nos quisesse completamente iguais, nos faria todos loiros de olhos azuis, ou todos negros e  fortes. Mas aqui estamos, eu e você, para deixar claro que não é bem assim.

De agora em diante, não falarei mais mal das pessoas as quais discordo veementemente, nem os citarei nominalmente mais. Acho que só não conseguirei evitar uma ou outra ironia ou um ou outro sarcasmozinho, de vez em quando, afinal isso pode apimentar o relacionamento na rede e ser saudável, no todo e ninguém é de ferro, também, muito menos eu.

Vivamos em rede, como desejava Jesus, creio que ele já me convenceu estar certo na maioria das coisas que disse e fez.

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13 thoughts on “Jesus na Rede

  1. Presbiterianos do Brasil, neo-ortodoxos, liberais, pentecostais e neo pentecostais…etc. Lou, o problema é justamente esse: o rótulo. O rótulo é extremamente prejudicial; cada rótulo é uma muralha erguida em torno do indivíduo. Agora, se o indivíduo liberta-se do rótulo e entra na rede de Jesus, as coisas ficam mais simples.

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