A Gruta do Lou

Pedagogia do Deprimido

Paulo-Freire

Paulo Freire 

Enquanto ralo na revisão do Primeiro Capítulo do Finanças Ok, achei melhor fazer a fila de espera para novas postagens andar.

Para os desavisados informo que meu amo Lou interpretou o personagem de  um professor um montão de anos, primeiro de Educação Física onde ele fazia questão de dar aulas, ensinando as vítimas a utilizar o corpo adequadamente, contribuir positivamente nas várias fases do desenvolvimento físico e cognitivo, fazer a manutenção, etc.

Depois, e por razões que ninguém poderia esclarecer, atuou na área da teologia, também, absurdo cometido em vários seminários, embora nenhum muito expressivo, até no JV ele deu aulas, imagine.

Inexplicável, mas o chefe tornou-se um professor de teologia polêmico, aliás como já acontecera na Educação Física, não tanto por seu conteúdo heterodoxo, inclusive ele teria o projeto de um livro cujo título é “Heterodoxia”, mas principalmente, por seu método pedagógico.

Trata-se de um espanto desenvolvido ao longo de sua prática, onde o Lou intuiu que seus pupilos eram, na maioria, um bando de deprimidos (alguns psicólogos preferem usar a palavra Angústia, para não dar o braço a torcer aos inimigos).

Fez mais, se deu conta que a depressão tem tudo a ver com objetivos não alcançados ou conteúdos não assimilados. É isso mesmo, a depressão seria a principal consequência das frustrações e a turma incapaz de abstrair. 

A grande maioria da população brasileira, diante do abstrato, frustra-se, pois só consegue lidar com o concreto, incapazes de mudar de etapa de aprendizagem e, finalmente, deprime-se. Se algum psicólogo discordar nesse ponto, não ligue, eles são assim mesmo.

Não sei quanto a você, mas custa às pessoas, ainda na etapa do concreto, entender a teologia, pelo menos a boa, pois seus conceitos são eminentemente abstratos, a começar por Deus, que ninguém jamais viu, a não ser o filho único dele, segundo dizem.

Ouviram sobre um tal de Moisés que não era nada confiável, pois dizem por aí que ele era um assassino de egípcios; matava e enterrava o corpo para ninguém descobrir o feito e depois vem outras  sombras como a fé, espírito, dons, etc.

Tal percepção pode ser aplicada à todas às outras áreas e isso pode explicar porque os mais bem sucedidos comunicadores optam por uma forma mais concreta de comunicação, casos de Nine Fingers, Cortela,  Karnal, Barros, todos os políticos e dos pregadores neo pentecostais.

Povão só entende o que poder ver e tocar. São chamados de Bando de Tomés, os Homers Simpsons atuais e “Yes, we can!”

Então, astuto e perspicaz como é de seu conhecimento, o Lou Mello descobriu um método ideal para lidar com essa raça de tapados, ao qual denominou, gentilmente, de Pedagogia do Deprimido, nada a ver com o outro pateta da pedagogia que escreveu a do oprimido.

A Pedagogia do Oprimido (uma das maiores enganações da paróquia, sem falar que é um meio plágio, pois foi surrupiado de um método para aprender a nadar em 16 aulas, inventado pelo Lou, muito tempo antes) até faz algum sentido se você pretende manter a vítima na burrice.

Resolve na natação porque ninguém ensina ninguém a nadar, mas a descobrir que todo mundo já nasce sabendo nadar, caso contrário nasceriam todos mortos. 

Aconteceu devido a uma série de fatos, provavelmente, nem o Lou Mello tenha consciência de todos, começando por seus longos anos de docência em escolas para crianças em idade pré-escolar, onde costumam estar os caretinhas incapazes de abstrair. Ledo engano claro, naqueles períodos que antecedem o ano letivo, onde os professores são submetidos a torturas indescritíveis, a fim de assimilar as bobagens a serem incutidas naquelas mentes desavisadas, no resto do ano, jamais ajudá-los a pensar e descobrir as coisas por elas mesmas.

Foi então que o Lou Mello foi apresentado, pessoalmente, a um cara chamado Jean Piaget e sua proposta contendo as “Etapas de Aprendizagem”. Não cabe aqui descrever o troço, mas gosto muito de um detalhe dela, ou seja, Piaget revelou que para mudar de uma etapa para a seguinte, era preciso usar o confronto, como se fosse um baque, ou a popular porrada na cabeça para fazer o tapado se mancar.

O Lou Mello, que de trouxa tem muito pouco, agarrou essa dica com unhas e dentes, passando a utilizá-la como principal mola propulsora de seu método, que ele batizou de Teologia do Deprimido, só para sacanear o Freire, embora faça o maior sentido, né?

Sem dúvida, para Lou Mello, ensinar é levar a vítima da ignorância ao saber e mais ainda, do concreto ao abstrato. Chega a dizer isso em seminários para esse fim, coisa que não faz mais com tanta frequência, o último foi na década passada.

Enfim, quando conseguimos levar alguém a abstrair, ganhamos mais um para o Reino de Deus, seja lá o que isso venha a ser. Claro que um ateu ganha as pessoas  também, quando usa o método, só que para outros reinos, mas isso não vem ao caso, agora.

Para tanto, estou a falar do confronto agora, o Lou Mello encontrou nos debates a grande oportunidade para chacoalhar seus alunos e suas aulas de teologia foram ambientadas em debates, na maioria das vezes.

Ele próprio, teve enormes dificuldades nos tempos de escola, com as chamadas aulas expositivas, aquelas em que um idiota prepotente denominado professor  fala o tempo todo e os imbecis à sua frente só escutam, quando não dormem, pelo menos esses preceptores acham que sim.

Nos debates, a participação das pessoas mais importantes na sala de aula para o Lou Mello são os alunos, pois tornam-se participantes do processo de aprendizagem.

Então o Lou Mello convencia os participantes a cumprirem uma importante agenda de leituras e pesquisas prévias, na verdade, o momento em que eles verdadeiramente colecionavam informações, e nos debates ele tratava de dar aquele tapa de misericórdia que faria tudo aquilo ser introjetado pela macacada, digo, alunos.

Veementemente contrário à violência, o Lou tratava de fazer o papel do advogado do diabo, durante as discussões, e isso em aulas de teologia pode ser muito excitante, bem a caráter de alguém como o Lou, e levava seus discípulos a pensar através de perguntas estratégicas, sempre contraditórias ao afirmado. Obviamente foi coisa aprendida com o velho Sócrates, causando perplexidade traumática no contendor, então ele entrava no estado de dúvida, ideal para aprender e quando isso acontecia, pimba, mais uma alma abstrata era ganha para o Reino do Criador.

Melhor ainda se isso se desse em momento de grande sentimento, e a raiva pode ser um desses sentimentos. Você não tem ideia como uma pessoa pode aprender e crescer em momentos onde há profusão de sentimentos; talvez por isso o autor da outra pedagogia tenha dito a famosa frase: sem tesão não há educação.

Dizem que certo ex-líder dos evangélicos brasileiros era (ou ainda é) adepto do método do pedagogo e essa seria a razão de tantos símbolos fálicos em suas pregações. Sei lá.

Bom, como era de se esperar, o Lou Mello acabou sendo despedido de muitos, se não de todos, os seminários onde atuou, debaixo de grandes solicitações da pastorada reclamante, pois diziam: “esse herege está desviando nossas ovelhinhas”.

Claro que há muito mais a declarar sobre a Teologia do Deprimido, prometo que o farei, conforme meu mestre e ídolo, Lou Mello, for deixando escapar em nossos papos cabeça.

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Comentários

  1. Parece-me que a Teologia do Deprimido utiliza-se da Pedagogia do Oprimido como ferramenta. Desconfio que vice-versa também…

    1. Rubinho
      É o Paulo Freire foi um bom pedagogo, talvez o melhor em terras brasilis, mas criatividade não era o forte dele. Coitado (Eita palavra esquisita so)

  2. Ao se confrontar alguem, mesmo com a finalidade de que a pessoa cresça, se cria embaraços tais que poderiam até expulsar o Lou do meio em que vivia. O que de fato ocorreu.

    Poucos são os lugares, como a Gruta do Lou, em que se aplica a pedagogia do deprimido com a finalidade de que as pessoas saiam de suas depressões e entrem na constante, ou seja, tenham a oportunidade de crescimento, ainda que ‘abstrato’.

    abraço

    1. Wander
      O confronto cria o ponto ideal para a pessoa aprender, ou seja, a dúvida, segundo Sócrates. A Gruta, em essência, é uma geradora de dúvidas visceral.

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